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Crônica

Emoções bávaras: algumas memórias de Munique

Tenho Munique em grande conta. Estive lá duas vezes

Públicado em 

05 set 2025 às 02:00
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

Nesta semana recebemos a visita de Carolzinha, amiga nossa que trabalhou um bom tempo com Carol no Iphan e vive em Munique há vários anos.
Tenho Munique em grande conta. Estive lá duas vezes. Na primeira assisti, pela TV, na casa de um amigo, a cenas marcantes da derrubada do Muro de Berlim. Em 2002, fui para participar da EXEMPLA, uma fantástica exposição internacional organizada anualmente por uma instituição de formação profissional que tem como norte a excelência do trabalho manual.
O tema da edição daquele ano era a madeira e seus mais diversos usos, incluindo a produção de barcos, móveis, instrumentos musicais, utensílios, brinquedos, estruturas, telhados, portas, janelas, escadas, pontes, cachimbos, potes, toneis, cestaria, tamancos, barris e, também, colheres de bambu. Foi uma experiência incomum, com acontecimentos e desdobramentos inimagináveis.
Peter Nickl e Alvaro Abreu, diante do estande na EXEMPLA.   No alto, placa com as colheres que foram doadas para o Museu de Design de Munique.
Peter Nickl e Alvaro Abreu, diante do estande na EXEMPLA. No alto, placa com as colheres que foram doadas para o Museu de Design de Munique Crédito: Arquivo pessoal
Pelo que sei, fui convidado a participar da exposição pelo seu organizador, Peter Nickl, depois de ver as fotos das minhas colheres, que nossa amiga pintora Heidi Liebermann me pediu que fizesse para levar pra Hamburgo, na Alemanha, onde mora. Realizador entusiasmado e atencioso, Peter nos recebeu para um jantar em sua casa, acompanhado de sua gentil esposa Binette Schroeder, artista ilustradora. Foi dele a ideia de usar, na capa do catálogo da exposição, a foto de um pote de bambu, que eu havia relutado em enviar.
Dentre milhares de pessoas que visitaram o estande aberto, duas foram determinantes para importantes desdobramentos: Corinna Rösner, curadora chefe do Museu de Design de Munique, e Hans Hansen, renomado fotógrafo alemão, que vive em Hamburgo.
Corinna e o diretor do museu se encantaram com uma placa que Carol havia criado com 52 colheres delicadas, fixada na parede do estande. Disseram que tinham a intenção de adquiri-la para colocá-las ao lado da coleção de joias na nova sede do museu.
Por não misturar dinheiro com colheres, as negociações resultaram na ida de Bebel, nossa filha, arquiteta recém-formada, para estagiar por um ano no museu. Corinna esteve aqui em Vitória por duas vezes, tendo visitado a exposição das colheres no Museu Vale. Tempos depois, estivemos juntos no Museu de Design em Winterthur, na Suíça, em meio a colheres e fotos.
Por obra e graça de anjos da guarda e a ajuda de nossa filha Manaira, Hans Hansen, que estava expondo suas fotos em Munique, também se encantou com as colheres: para comemorar seus 50 anos de carreira, 10 anos depois, escolheu fazer um belíssimo livro com 20 fotografias delas. Fez isso com o apoio da designer Annette Kröger, que se tornou amiga de Bebel.
Pois foram muitas as lembranças de acontecimentos e emoções associadas a Peter, Corinna e Annette que voltaram à tona nas horas de conversas com Carolzinha e, mais ainda, durante o tempo em que passei fazendo colheres para ela levar e entregar pessoalmente a cada um.
Posso garantir que caprichei na escolha dos bambus que trouxe de Brasília e no uso das ferramentas suecas que Peter me mandou de presente. Fiz o meu melhor, como se diz por aí, na expectativa de retribuir um pouco do que eles vêm me proporcionando há mais de duas décadas.
Para Peter, que já deve estar beirando os 80, tratei de fazer uma colher comprida, fininha e flexível, que pode ser usada para coçar as costas, com ótimos resultados.
Para Corinna, que me trouxe pinheirinhos de madeira branca feitos com canivete amoladíssimo, fiz uma bem parruda, de concha larga e cabo de boa pega, própria para comidas mais densas e pesadas.
Para Annette, achei por bem fazer uma de concha ovalada, para diferentes usos. Imagino que ela tenha à vista as 12 colheres pequeninas que fiz para Pierre Mendell, artista gráfico genial, de quem ela era assistente. Com apoio dela, Bebel produziu uma mostra itinerante de seus expressivos cartazes, em diversas capitais brasileiras.
Fomos levar Carolzinha na estação ferroviária para que pegasse o trem pra Belo Horizonte. Entreguei as colheres para nossa portadora, sem dizer que tinha feito uma pra ela também.

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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