Na semana retrasada fui a Cachoeiro com Carol. Fazia tempo que não ia na terrinha, como se diz. Saímos cedinho para garantir que não chegaríamos atrasados no compromisso.
Fomos pela Rodovia do Sol, sem enfrentar os engarrafamentos constantes na região de Itapuã, quase sempre provocados pela completa falta de sincronização dos sinais de trânsito. Dá raiva ficar parado em cada cruzamento, vendo que não passa carro algum indo para praia ou dela voltando.
Confesso que fiquei animado com as várias frentes de obras de duplicação da BR 101, uma movimentação que nunca tinha visto. Minha impressão é que, até então, a concessionária usava apenas os dinheiros arrecadados com os pedágios, sem investir um tostão de recursos próprios.
Mais animado ainda, fiquei com as obras da estradinha que vai da BR até o bairro Coronel Borges, um lugar rio Itapemirim abaixo, ao qual Vovó Neném se referia como sendo o “Borges”, sem a patente, argumentando que sempre dançava com ele quando vinha da fazenda do Frade para passear na cidade.
O sistema “Pare-Siga” estava em vigor, nos fazendo supor que poderíamos perder a hora. Cachoeirense convicto, quero crer que São Pedro, padroeiro da cidade, tenha intercedido a nosso favor e deu tudo certo.
Voltando pela estrada da Safra, inventei de oferecer para “minha senhora” uma moqueca de badejo num restaurante antigo em Ubu. Aumentaria a viagem em uns 40km, mas valeria a pena.
Aprendi que a expectativa pode, mesmo, prejudicar a experiência. E foi no que deu. Levamos um baita susto com os preços exorbitantes. É bem verdade que voltamos para a estrada de barriga cheia, mas com a sensação de turista mineiro arrependido.
Preferimos passar por dentro de Guarapari, o que eu não fazia há um bom tempo. O trânsito pesado, os prédios altíssimos, muita gente na rua, me fizeram pensar que a economia do lugar está girando com força.
Confesso que ao passar na ponte, agora duplicada, bateu uma certa nostalgia. Na segunda metade dos anos 1960, a gente ia lá num fusca, sempre lotado, para aproveitar a animação da boate Caparaó, no começo da Praia das Castanheiras. O bailarino Lennie Dale, o cantor Altemar Dutra, o pianista Antônio Adolfo e tantos outros alegravam as noitadas.
A fama de Guarapari, naquele tempo, foi confirmada quando Maria Teresa Goulart, hospedada na Casa do Governador, em Vila Velha, quis ir conhecer o balneário. Há quem diga que ela chegou lá em companhia de amigas e rodeada de guarda-costas, que teriam distribuído bofetes em alguns engraçadinhos.
Pois, na volta, não tivemos como escapar do engarrafamento em Itapuã. Foi aí que me lembrei de que aquela avenida é, na verdade, um trecho urbano da Rodovia do Sol. Pior: dessa estrada também fazem parte a Terceira Ponte e as avenidas da orla da Praia do Canto e de Camburi.
Em outras palavras, tudo que já engarrafa hoje nos horários de pico, poderá se transformar em algo desesperador para quem anda de carro e de ônibus, sobretudo se continuarem a construir prédios de dezenas de andares e a vender carros novos de montão.
Para acabar de danar esse cenário, a invasão das calçadas da orla por aquelas bicicletas motorizadas de pneus grossos poderá gerar muitas chateações aos pedestres que as utilizam por necessidade, por esporte ou pelo simples prazer de andar sozinho, ou bem acompanhado.