Em temporada de campanhas e eleições, agora em 2026, é importante tentar enxergar o panorama econômico e financeiro do Brasil, dos estados e dos municípios em 2027.
O céu não é de brigadeiro. É importante prestar atenção na conjuntura. Tanto os políticos e os candidatos quanto os eleitores. Já que deveremos ter, nestas eleições, menos ideologia e mais pão com manteiga nas campanhas. Como evitar campanhas promesseiras? Como calibrar as razões de votos?
A taxa de crescimento do PIB brasileiro caiu para 2,3% em 2025. Deve cair para algo em torno de 1,8% em 2026, registram os economistas. A taxa de juros deve declinar suavemente, mas permanecer por longo período no patamar de mais de dois dígitos. Alta ainda. A inflação diminuiu, mas ainda não conseguiu aterrissar em cenário de expectativas positivas. Ainda mais agora, com a nova guerra do Irã. Sinais de incertezas e volatilidade.
Pouso suave na economia e grande probabilidade de crise fiscal do governo federal em 2027. Queda de investimentos, aumento inercial das despesas e falta de recursos até para o funcionamento da máquina de governo. O famoso “shutdown”: paralisação do governo.
Portanto, o Brasil tem um encontro marcado com a reorganização e a racionalização dos gastos públicos. Apertar o cinto, como se diz lá em casa.
O aperto de cinto também vai valer para os estados. Os sintomas já chegaram no final de 2025.
O Estadão mostrou em matéria de 19/02/2026, de Daniel Weterman, que Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Alagoas, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Tocantins e Acre entraram em 2026 no “cheque especial” – “sem dinheiro em caixa para quitar despesas do passado e assumir novos compromissos em 2026”.
O efeito fiscal positivo da injeção de recursos federais nos estados e municípios na época da pandemia (entre 2020 e 2022) se esgotou. Como se sabe, o governo federal aumentou gastos para manter a economia funcionando. Emitiu dívidas.
Ao mesmo tempo, os estados e municípios ou tiveram receitas extraordinárias ou contrataram empréstimos nacionais ou internacionais, com aval do governo federal. Houve também crescimento da economia nacional em 2023 e 2024. Não mais, com o PIB nacional em queda.
Portanto, também os estados e municípios têm um encontro marcado com a racionalização de gastos.
No Espírito Santo, houve aumento de receitas, incluindo também receitas extraordinárias como as do acordo com a Vale em função da tragédia de Mariana de 2015. Mas a queda do PIB nacional vai repercutir no Estado em 2026 e em 2027.
A manutenção da Nota A do ES no Tesouro Nacional vai requerer também reorganização e racionalização de gastos. Ainda mais porque o aumento das despesas previdenciárias – assim como no Brasil e nos outros estados – é inexorável. Uma reforma administrativa deverá ser necessária.
Ao mesmo tempo, no Espírito Santo, será necessário manter foco cada vez maior no processo de atração de novos investimentos. Como o investimento anunciado da nova fábrica de automóveis da chinesa GWM. Dados do Instituto Jones do Santos Neves mostram um volume de investimentos (anunciados ou em execução) da ordem de R$137,6 bilhões entre 2024 e 2029.
A distribuição setorial desses investimentos mostra que a indústria é protagonista, com mais de 90% dos investimentos, especialmente nas áreas de petróleo & gás, transformação industrial e engenharia e construção.
Por último, o aperto de cinto também vale para os municípios.
No Estado, municípios importantes como Vitória e Vila Velha têm quedas nos seus respectivos índices de participação (IPM) e VAF (valor adicionado fiscal). Trata-se da distribuição dos recursos do ICMS entre os municípios.
Vitória declinou nos últimos três anos: de 15% em 2023 para 12,59% em 2024, subiu para 14,41% em 2025 e agora caiu para 10,318% para 2026. Vila Velha declinou de 6,39% em 2018, para 4,956% em 2022 e para 4,871 em 2023 e agora subiu para 5,565% em 2026.
O município da Serra tem o maior IPM para 2026, com 14,449%. E Cariacica tem 9,940%.
Como se sabe, os recursos do ICMS são muito importantes para todos os municípios. Agora, com transição tributária decorrentes do novo arcabouço fiscal nacional (tributação no destino), os estados e municípios vão precisar de fazer ajustes em suas respectivas bases econômicas. A economia do consumo e do valor agregado.
Tudo somado, as expectativas econômicas e financeiras para 2027 não apontam para céu de brigadeiro.
Portanto, vamos prestar atenção naqueles políticos promesseiros. Menos pão e circo e mais pão com manteiga.