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Política

Ensaio de polarização geracional na pré-campanha do Espírito Santo

Etarismo a esta altura do século XXI? Estereótipos e preconceitos como narrativa de campanha política?

Públicado em 

28 fev 2026 às 04:30
Antônio Carlos de Medeiros

Colunista

Antônio Carlos de Medeiros

É assim mesmo. Em tempo de pré-campanha, a política acelera as movimentações de filiações e desfiliações partidárias. É a hora da política partidária para a construção de chapas e acordos. Consensos para escalar os times que vão entrar em campo.
Mas há também o rescaldo dos dissensos e das mudanças, às vezes abruptas, de um time para outro. Mudanças de camisas e escudos. Formação de adversários.
Conforme previsto (registrei aqui no ano passado), as eleições de 2026 no ES para governador, senador, deputado federal e deputado estadual estão dando a largada com a construção de dois grupos principais antagônicos.
O grupo do governador Renato Casagrande (PSB), cujo candidato a governador anunciado é o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB). Com o próprio Casagrande na candidatura para a primeira vaga ao Senado da República.
E o grupo do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), cujo pré-candidato a governador é o próprio Pazolini. E com o prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB) como eventual pré-candidato ao Senado da República.
Aqui neste grupo ainda em formação, a (primeira) surpresa da pré-campanha é o acordo anunciado por Pazolini e Arnaldinho: até meados de abril, quem estiver melhor avaliado nas pesquisas sai para governador. E o outro sai para senador. Por isso, ainda não são candidaturas confirmadas.
Ainda nesta fase de pré-campanha, espera-se a provável confirmação da candidatura do deputado federal Helder Salomão (PT) para governador. Em chapa com a candidatura à reeleição do senador Fabiano Contarato (PT). Espera-se, ainda, o anúncio da chama do PL capixaba, liderado pelo senador Magno Malta.
Até aí, tudo bem. É o jogo natural das disputas políticas. Ferrenhas ou não.
Mas a primeira surpresa da pré-campanha, a defecção do prefeito Arnaldinho do grupo do governador, resultando em provável rompimento político, está gerando outra movimentação sui generis que merece atenção e reflexão.
Refiro-me ao frenesi pré-eleitoral de Pazolini e Arnaldinho na direção de uma eventual polarização geracional impulsionada. Por enquanto, um ensaio de polarização. Debate bizantino, em busca de recortes para alimentar as redes sociais.
Ora, o prefeito Pazolini é muito bem avaliado e aprovado pelos moradores de Vitória. Sua gestão positiva tem o reconhecimento da sociedade. É tido como um bom gestor. O mesmo vale para o prefeito Arnaldinho. Faz boa gestão e tem a aprovação dos moradores de Vila Velha.
Arnaldinho Borgo e Lorenzo Pazolini
Arnaldinho Borgo e Lorenzo Pazolini Crédito: Redes sociais
São líderes emergentes com energia social e experiência de gestão para disputas de posições majoritárias (governador e senador). Aspirações legítimas e alcançáveis.
Mas, vamos combinar, é preciso qualificar o debate.
O mundo, o Brasil e o pequeno estado do Espírito Santo vivem, respectivamente, pontos de inflexão estrutural.
O momento da saga da história da humanidade requer muita atenção e compreensão de todos nós. Há uma mudança geopolítica no concerto das nações. Proliferação de guerras e conflitos. Ethos imperialista de volta à movimentação da tríade de poder: Estados Unidos, China e Rússia.
Ponto de inflexão global.
Nesse contexto está o Brasil. Os fatos nacionais precisam de atenção. Têm repercussão federativa e efeito regional no Espírito Santo.
A crise dos Três Poderes e da democracia representativa cria incerteza e instabilidade.
A economia brasileira deve ter um pouso suave em 2026, com queda do PIB. A inflação não está controlada ainda. O desemprego estrutural é alto e não está considerado no índice do IBGE. E o curso da situação fiscal aponta para crise fiscal e paralisia do governo federal em 2027. Com repercussões nos estados e municípios.
É outro ponto de inflexão, com efeito pertinente óbvio na disputa acirrada das eleições presidenciais. O que será do país em 2027? Eis a dúvida socrática.
No ES, o horizonte de 2033 (fim dos incentivos fiscais) requer trabalho redobrado do governo e da sociedade civil organizada para evitar retrocessos na economia regional e na estabilidade político-institucional.
Ponto de inflexão.
Nossas elites políticas nacionais e regionais precisam estar atentas às tendências estruturais globais, nacionais e estaduais.
Todas as pesquisas mostram aos brasileiros e aos capixabas que o país está cansado de narrativas improdutivas para gerar “polarização impulsionada”. O cidadão quer boa gestão pública, geladeira cheia, comida no prato, trabalho digno e sossego.
É muito importante o ciclo eleitoral de 2026 como momento histórico. Não é apenas “mais uma eleição”.
Por tudo isso, é muito importante elevar o conteúdo do debate político. O Brasil e o ES querem gestão e entregas. E olhar de futuro.
Etarismo a esta altura do século XXI? Estereótipos e preconceitos como narrativa de campanha política?
Vamos combinar. Uma eventual opção pelo etarismo como retaguarda simbólica de luta pelo poder poderá ser uma escolha política frágil, rasa e démodé. Portanto, uma escolha que não dialoga com o zeitgeist (espírito da época).

Antônio Carlos de Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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