Enquanto a Polícia Federal vai esbarrando em indícios de crime organizado no ES, eu finjo demência e falo do falecimento de Chuck Norris, astro do cinema de luta que ganhou notoriedade enfrentando Bruce Lee, mas depois ganhou luz própria e marcou época junto com Arnold Schwarzenegger, Jean-Claude Van Damme e Sylvester Stallone e outros de uma geração que tanta influência teve na formação de deputados, senadores, governantes e até mesmo alguns policiais sobre as políticas mais eficientes de segurança pública.
Na vida real, a maior parte dos policiais se aposenta sem jamais disparar contra um ser humano ou ser alvejado, mas não dá para fazer um filme de ação sobre o cotidiano de quem precisa lavrar boletins de ocorrência sobre supostos adultérios, ou passa o dia todo patrulhando uma região em que nada de anormal acontece.
Se os operadores de segurança pública trocassem tiros com a frequência que Hollywood nos faz acreditar, não haveria nenhum aposentado, mas sem adrenalina, perseguição de veículos e reviravoltas no roteiro, não haveria espectadores para a rotina dos policiais.
Nos filmes, também, a prisão ou morte do criminoso parece que vai resolver para sempre o problema da violência. Ninguém discute se outro traficante vai tomar o lugar daquele que o Estado neutralizou, se outros serial killers ou maníacos sexuais vão aparecer, se novos corruptos serão eleitos no lugar daqueles que forem presos etc.
Talvez o que haja de mais ilusório é que os filmes terminam logo depois que o bandido é preso. Na vida real, a história está só começando: ainda é preciso juntar provas, julgá-lo e executar as penas aplicadas. Isso custa muito tempo e dinheiro, fora que nem sempre as evidências são suficientes para uma condenação.
Não há problema em assistir comédias, dramas, tragédias, filmes policiais ou de ficção científica. A coisa só começa a assustar quando alguém acha que é possível transportar contos de fadas com final feliz para a gestão da segurança pública. Alguém, não: a maioria esmagadora dos legisladores e governantes está nessa vibe. Pobre da população.