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Economia

Supermercados fechados aos domingos: o consumidor deixou de ser prioridade

Eles terão que comprar os produtos de que necessitam em outros locais, provavelmente mais distantes e com preços maiores

Públicado em 

06 mar 2026 às 04:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Se alguém deixou de ser ouvido nessa história de os supermercados do Espírito Santo voltarem a fechar aos domingos, esse alguém foi o consumidor. E isso é um erro primário cometido pelos comerciantes que, além de ignorar os interesses daqueles que botam dinheiro no caixa das empresas, ainda cometem o equívoco de abdicar do seu maior direito que é a liberdade de empreender.
Ou seja, além de não abrir os seus estabelecimentos aos domingos, os comerciantes decidiram – ao incluir a cláusula de fechamento na convenção coletiva firmada com o sindicato laboral – proibir os seus concorrentes de o fazerem. Criaram para a sua categoria econômica uma proibição a mais, além das tantas outras impostas pelo amplo controle estatal sobre a economia brasileira.
Os supermercados nunca foram obrigados a abrir as suas portas aos domingos. Abriam os que assim decidiam agir. Se o supermercadista entendesse que abrir aos domingos não seria rentável para a sua empresa, tinha plena liberdade de permanecer com as portas fechadas.
Supermercados estão no Recall de Marcas
Consumidor em supermercado Crédito: Shutterstock
Com a assinatura da convenção coletiva, o empresário abriu mão dessa sua liberdade e criou uma proibição. Decisão tomada exatamente por quem, normalmente, se queixa tanto de outras proibições que inibem o seu direito de empreender.
As justificativas apresentadas à opinião pública pela classe empresarial são frágeis. Argumentam os dirigentes do sindicato patronal que estão tendo dificuldades para contratar funcionários. Ora, funcionar em um período menor provavelmente não atrairá mais candidatos ao emprego. A falta de mão de obra continuará. Quem perderá com isso será o consumidor que terá menos tempo para fazer suas compras. E que gastará mais tempo nas filas dos caixas que certamente aumentarão.
Os empregados que trabalham atualmente nos supermercados têm a percepção de que será bom folgar aos domingos. Mas provavelmente vão perceber que, com o fechamento aos domingos, o maior movimento em outros dias representará suportar uma maior carga de trabalho. E que o menor tempo de funcionamento dos supermercados reduzirá a abertura de novas vagas para os que procuram trabalho. Enfim, até os ganhos para a classe laboral são duvidosos, até porque o trabalho aos domingos é mais bem remunerado.
Quem, no final, perderá com a decisão de fechamento serão os consumidores, principalmente os que trabalham durante a semana e podiam dedicar o domingo para fazer compras. Esses terão que comprar os produtos de que necessitam em outros locais, provavelmente mais distantes e com preços maiores. É um dinheiro que os supermercadistas perderão, e não é pouco, já que o domingo é reconhecido como o segundo maior dia de vendas do setor em todo o Brasil.
Fica a esperança de que os empresários e os trabalhadores venham a, na próxima convenção coletiva, revogar essa proibição. E passem a considerar o princípio mais sagrado do marketing, que é o de colocar o interesse do cliente em primeiro lugar. É isso que a legislação faz ao admitir o funcionamento dos supermercados como possível de ocorrer aos domingos e em horários especiais, já que a atividade é reconhecida como essencial por garantir o abastecimento de itens básicos para a população.
Não entender isso é um equívoco imperdoável que representa um retrocesso que, com certeza, traz prejuízos à sociedade.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço.

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