Renato Casagrande, governador do Espírito SantoCrédito: Ricardo Medeiros
Tudo indica que o favorito do governador Renato Casagrande (PSB) na disputa pelo comando do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) é o atual procurador-geral, Francisco Berdeal, que tenta a reeleição.
Publicamente, porém, o chefe do Executivo estadual prefere não revelar quem pretende escolher para chefiar a instituição.
"É muito importante que a gente deixe a instituição falar. Eu escolho de uma lista de três, neste caso, uma lista de dois. É importante ver o que está pensando a instituição", afirmou à coluna na noite de quinta-feira (29), durante o início da Temporada de Abertura do Cais das Artes, em Vitória.
Além de Berdeal, o promotor de Justiça Danilo Raposo Lírio está no páreo.
"O governador pode escolher qualquer um dos nomes. Eu tenho direito de escolher qualquer um dos nomes (mesmo o que receber menos votos), mas sempre a gente leva em consideração a vontade também da instituição. Vamos esperar o resultado da eleição", completou Casagrande.
COMO FOI
No último pleito, em 2024, Francisco Berdeal foi o segundo mais votado da lista tríplice eleita pelos membros do MPES. O promotor Pedro Ivo de Sousa ficou à frente dele.
Ainda assim, Casagrande optou por Berdeal.
A eleição deste ano no MP vai ser realizada no dia 6 de março.
CASADINHO
Agora, tratemos das eleições gerais de 2026, que têm um cenário um pouco mais complicado para o governador organizar.
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), mantém-se na disputa, apesar de Casagrande já ter declarado apoio ao vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) na corrida pelo Palácio Anchieta.
Após o anúncio pró-Ricardo, o clima entre o governador e o prefeito não é dos melhores, apesar de os dois garantirem que continuam a ser aliados.
"Estive com Arnaldinho hoje (quinta-feira), num evento com vereadores, mas não conversamos ainda", contou Casagrande.
ENQUANTO ISSO, NA SERRA
O prefeito da Serra, Weverson Meireles, também esteve no evento realizado no Cais das Artes na quinta.
Weverson diz que a relação com o partido, presidido pelo deputado estadual Alexandre Xambinho na Serra, está boa.
Mas até agora a sigla não indicou um novo secretário para a pasta.
"O Podemos pode indicar quando quiser um outro nome. Inclusive, outras pessoas indicadas pelo partido continuam nos cargos. O problema era de desempenho na pasta", afirmou Weverson.
Xambinho não retornou aos contatos da coluna sobre a relação com o prefeito da Serra.
VICTOR COELHO: "RICARDO É MEU CANDIDATO"
Antecessor de Theodorico Ferraço (PP) na prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim, o secretário estadual de Turismo, Victor Coelho, vez ou outra entra em embates com a gestão municipal, principalmente quando a cidade fica interinamente sob o comando do vice, Júnior Corrêa (Novo).
Mas Coelho sustenta que, na verdade, não tem nada contra a atual gestão e sim o contrário.
"Quando criticam a minha gestão para justificar algum problema eu tenho que me defender, só isso", afirmou o secretário.
"Meu candidato a governador é Ricardo Ferraço (filho de Theodorico). Por que eu teria atrito com eles? É mais uma questão da gestão contra mim", completou.
ELEIÇÕES 2028
Há, evidentemente, um componente eleitoral aí. Victor Coelho é pré-candidato a deputado estadual em 2026 e, em 2028, pode disputar novamente a prefeitura de Cachoeiro.
Júnior Corrêa é outro potencial candidato ao mesmo cargo no pleito municipal.
O XADREZ DE HARTUNG
Enquanto outros potenciais candidatos movimentam-se abertamente há tempos, o ex-governador Paulo Hartung (PSD) tem deixado no ar a possibilidade de disputar ou não as eleições de 2026.
Na quinta-feira, publicou, no Instagram, uma foto jogando xadrez com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
Paulo Hartung e Gilberto KassabCrédito: Instagram/@paulohartung
A legenda é a seguinte: "Um bom jogo exige leitura de cenário, respeito ao tempo e clareza de objetivos. Cada movimento carrega consequência, cada silêncio também comunica. Às vezes é preciso avançar; em outras, saber esperar é a jogada mais inteligente".
"A vida pública, assim como o tabuleiro, é feita de estratégia, diálogo e visão de longo prazo. No fim, não vence quem grita mais alto, mas quem enxerga mais longe."
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.