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Entrevista exclusiva

Helder Salomão: "Vamos disputar o governo do ES para valer"

Sobre o governo Casagrande, deputado afirmou que "não adianta ter nota A só no Tesouro Nacional". Ele também falou sobre Ricardo Ferraço e Euclério Sampaio. Confira

Públicado em 

18 nov 2025 às 11:21
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Deputado federal Helder Salomão
Deputado federal Helder Salomão Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Em setembro, quando foi apresentado pelo PT do Espírito Santo como possível pré-candidato ao governo estadual, o deputado federal Helder Salomão não parecia entusiasmado com a ideia. 
Durante discurso no encontro estadual do partido, no dia 13 daquele mês, o parlamentar elencou uma série de condicionantes para topar a empreitada. Também ressaltou o risco de desfalcar a chapa de candidatos à Câmara dos Deputados — Helder foi o deputado federal mais votado em terras capixabas em 2022 e, em 2026, poderia tentar a reeleição.
Em entrevista exclusiva concedida à coluna na noite de segunda-feira (17), entretanto, o tom adotado pelo parlamentar foi bem diferente.
"Animação total", definiu Helder, sobre o projeto do PT de lançar candidatura própria ao Palácio Anchieta. "Vamos disputar para valer", acrescentou.
O deputado federal está empolgado, sobretudo, com o resultado de recentes pesquisas eleitorais e se considera competitivo, embora tenha ressalvado que "não existe possibilidade de candidatura a qualquer custo".
Ele já recebeu o aval da direção nacional do PT para se movimentar eleitoralmente, o que tem feito no interior do estado. Falta o apoio direto do presidente Lula.
Helder ainda vai conversar, em breve, com o governador Renato Casagrande (PSB), que planeja apoiar outro nome para o comando do Executivo estadual. Para o deputado, a gestão atual precisa "aprofundar" as políticas sociais. 
À coluna, ele também falou sobre o desempenho do prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), ao qual o PT, ou parte do partido, faz oposição.
Confira a entrevista:
Em setembro, o senhor era, ao mesmo tempo, pré-candidato à reeleição e ao governo do Espírito Santo. Hoje, apresenta-se como pré-candidato ao Palácio, de fato?
Recebemos o aval das direções estadual e nacional do PT para construir a candidatura ao governo. Decidimos que faríamos movimentações no interior do estado e é o que estamos fazendo.
Não só o PT, mas os partidos aliados: o PV; o PCdoB, que fazem parte da federação (federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB). 
O PSOL e a Rede também estão integrados nesse movimento.
Fizemos plenárias regionais em São Mateus, Águia Branca, Cachoeiro de Itapemirim e Muniz Freire, com participação de representantes de outros municípios. No total, cerca de 30 municípios foram abrangidos.
Vamos fazer uma plenária em Vitória no dia 13 de dezembro. Queremos mobilizar movimentos sociais, partidos e a sociedade.
O debate é não só sobre a minha pré-candidatura, mas, sobretudo, sobre um projeto para o futuro do Espírito Santo.
Nossa avaliação é que as outras pré-candidaturas estão focadas em discutir apenas nomes. Não vejo os outros pré-candidatos discutindo propostas.
Noto que o senhor já fala como pré-candidato ao Palácio mesmo.
Hoje, sou pré-candidato ao governo do Espírito Santo, mas não serei candidato de mim mesmo.
Falta fazermos mais debates com a direção nacional, com outros partidos e, especialmente, com o presidente Lula.
A condição fundamental para a manutenção da minha candidatura é o apoio do Lula. E o melhor caminho para termos o apoio dele é termos uma candidatura competitiva.
"Não se pretende apenas fazer palanque para o presidente Lula. É para disputar efetivamente a eleição para governador"
  -  
Adversários estão fazendo movimentos eleitorais há anos. Eu comecei agora, há dois meses, e já pontuamos bem nas pesquisas.
Somos competitivos. Vamos disputar para valer.
Só não serei candidato a governador se nós não tivermos efetivamente o apoio do presidente Lula.
O senhor mencionou propostas. Quais seriam as propostas, os objetivos práticos dessa candidatura?
Nosso grande objetivo é pensar que estamos encerrando um ciclo de 24 anos em que dois governadores estiveram à frente do Palácio Anchieta, com três mandatos cada um (Paulo Hartung e Renato Casagrande).
Precisamos preservar as conquistas importantes deste período, e vamos preservá-las, mas queremos ir muito mais longe.
O Espírito Santo tem as contas equilibradas e isso é fundamental, mas o estado tem que ser nota A também em políticas para atender a população que mais precisa. 
"Não adianta ter nota A só no Tesouro Nacional"
     -     
Sou pré-candidato da continuidade e da mudança.
Mas o senhor avalia que está faltando política social no governo Casagrande?
Pode avançar mais.
Quando fui prefeito (de Cariacica, de 2005 a 2012), mostrei que mesmo arrecadando pouco é possível fazer política social.
No Espírito Santo, precisamos aprofundar isso. Faltam políticas sociais que tenham não só a diretriz do governo mas a participação da sociedade.
Em Cariacica, peguei as contas desequilibradas, entreguei as contas equilibradas e fizemos obras também. Obras não só físicas
Nosso governo tinha participação popular.
Queremos um governo que faça escolhas objetivas para impulsionar pequenos negócios, pequenos municípios, descentralizar os investimentos e olhar para aqueles que mais precisam.
Temos que cuidar das pessoas. Houve avanços, mas são insuficientes.
O PT faz parte do governo Casagrande. O partido não participa da elaboração de políticas sociais no estado?
Temos a secretaria de Esportes, participamos na secretaria.
E, repito, vou defender a continuidade e a mudança. Desfazer o que está dando certo seria irresponsabilidade.
Mas ninguém quer mais do mesmo, não vou apresentar uma mera continuidade.
Não somos oposição, estamos em diálogo com o governador. Teremos em breve uma reunião para discutir o processo eleitoral.
É legítimo que ele faça movimentos eleitorais. Nós só apresentamos uma alternativa, o que também é legítimo.
Vamos mostrar ao governador que estamos fazendo um movimento para valer, não é apenas para marcar posição.
Sabemos dos desafios que vamos ter pela frente, mas não é para fazer de conta, para jogar no processo eleitoral. Temos condições de disputar mentes e corações dos capixabas.
Sou uma pessoa com capacidade de conversar com todos os segmentos da sociedade, não vamos excluir ninguém.
O grupo do governador, embora tenha também a pré-candidatura de Arnaldinho Borgo ao Palácio, endossa, majoritariamente, o nome do vice-governador Ricardo Ferraço como pré-candidato ao Executivo estadual. O senhor tem algum diálogo com Ricardo?
Não.
"Ele (Ricardo) afirmou temos que cuidar de nós mesmos e estamos cuidando. Estamos conversando com quem quer conversar conosco"
    -     
(Em junho, o vice-governador afirmou à coluna que o PT deveria ter candidato próprio ao governo: "Vai caber a eles defender o legado do PT e do Lula, não a mim".)
Em 2022, o PT chegou a lançar a pré-candidatura do senador Fabiano Contarato ao Palácio Anchieta, mas depois recuou. O partido apoiou a reeleição de Casagrande...
O cenário é diferente. Em 2022, o governador era candidato à reeleição. Agora, possivelmente, vai ser candidato ao Senado.
As condições para uma candidatura nossa agora são muito mais fortes e possíveis. 
Não existe possibilidade de candidatura a qualquer custo, mas 2026 é muito mais favorável à nossa candidatura própria.
Animação total.
O senhor mencionou há pouco a sua gestão como prefeito de Cariacica. Foi uma gestão bem avaliada pela população, mas terminou em 2012. O prefeito da cidade, desde 2021, é Euclério Sampaio (MDB), que foi reeleito em 2024 com 88,41% dos votos, derrotando, inclusive, Célia Tavares, candidata do PT apoiada pelo senhor. 
Como o senhor pretende navegar a candidatura ao governo, especialmente, em Cariacica, onde o Euclério parece ter se consolidado?
Primeiramente, é importante lembrar que eu não disputei as eleições de 2024.
Sou muito grato ao povo de Cariacica. 
Em todas as eleições que disputei fui o deputado federal mais votado da cidade, mesmo com o atual prefeito trabalhando contra a minha candidatura.
E são duas eleições completamente diferentes, a de prefeito e a de governador. Mesmo se eu tivesse disputado as eleições de 2024, a de 2026 é outra coisa.
Continuo contando com respaldo muito grande da população de Cariacica.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

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