Do tênis para os negócios: o que aprendi na convivência com João Fonseca
Esporte
Do tênis para os negócios: o que aprendi na convivência com João Fonseca
João Fonseca treina incansavelmente. Já acompanhei um dia de treinos dele. É insano. Como acontece com atletas de alto rendimento, ele treina seis, sete horas diárias, entre musculação e trabalho em quadra
Eu acredito que nós devemos observar, tirar lições e aprender com a trajetória de pessoas inspiradoras, não apenas personagens de sucesso nos negócios, mas de todas as áreas. Meu trabalho me proporcionou a oportunidade de conhecer e acompanhar de perto o tenista João Fonseca. Ele tem apenas 19 anos, mas já é uma das maiores promessas do tênis mundial e tem uma trajetória que ensina muito.
Vou contar aqui três coisas que aprendi com o João num fim-de-semana recente:
A primeira é que ele pensa muito alto. Quando alguém pergunta “João, aonde você quer chegar?”, ele responde: “quero ser o número 1 do mundo”. Ele repete isso várias vezes. Existem mais de 2 mil tenistas disputando torneios profissionais pelo mundo e que estão no ranking da ATP. Hoje, o João está no 24º lugar e é considerado por grandes estrelas do tênis - atuais e do passado - como alguém especial, que tem potencial para chegar ao topo.
Até perguntei ao João se não existe o risco de, ao mirar tão alto, ele se frustrar por não chegar lá. Mas o ponto é: se você não acreditar em você, quem vai acreditar?
A segunda lição é que não adianta nada você sonhar muito alto, querer chegar lá, progredir na carreira, ter as coisas que quer, se não fizer o que tem de ser feito todos os dias, começando do pequeno para o grande.
João Fonseca treina incansavelmente. Já acompanhei um dia de treinos dele. É insano. Como acontece com atletas de alto rendimento, ele treina seis, sete horas diárias, entre musculação e trabalho em quadra. Muita gente assiste aos jogos de tênis, mas poucos têm a oportunidade de saber quanto os jogadores se sacrificam: precisam viajar, seguir dieta, planejar, observar os adversários e treinar muito, todos os dias, muitas vezes com dores e cansaço. Mas nenhum deles se torna um vencedor sem essa disciplina.
O aprendizado é óbvio: não adianta ter ambição, ter o sonho grande, se você não fizer o básico bem feito, não fizer o dia a dia. Isso vale para a empresa onde você trabalha: tem de fazer o essencial bem feito. Se o João não repetir alguns treinos todos os dias, não vai vencer; se você não fizer o básico no trabalho, não vai progredir. Pode parecer chato, mas essa é a estrutura que segura tudo.
A terceira lição é a humildade, o pé no chão. Eu levei o João a um evento com clientes, no qual ele ficou quatro horas, como combinado. Jogou bola com todo mundo, sempre sorridente, não perdeu a paciência, foi simpático o tempo todo, tinha noção que as pessoas estavam ali por causa dele e precisava retribuir.
João Fonseca Crédito: REUTERS/Pierre Albouy/Folhapress
No final, passada a hora combinada, ainda havia alguns jovens que não tinham conseguido tirar fotos com ele, porque chegaram mais tarde. O João entendeu a situação e topou atendê-los, mesmo tendo de ficar um pouco mais. Quando você tem sucesso, a humildade o aproxima dos fãs, das pessoas.
Sonhar grande, trabalhar diariamente para fazer o básico bem feito e manter a humildade são essenciais para qualquer pessoa progredir. O sucesso se constrói na disciplina, não em golpes de sorte ou grandes tacadas: se você não fizer o essencial, não estará pronto para dar um grande salto.
São essas as três lições que aprendi com o João Fonseca e que vou levar para o meu cotidiano nos negócios, na minha profissão.
Rafael Furlanetti
Capixaba de São Gabriel da Palha, é sócio e diretor de Relações Institucionais da XP e presidente da Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias). Escreve quinzenalmente neste espaço sobre empreendedorismo, inovação e negócios ao público do Espírito Santo