Essa é a última coluna do ano. Chegou aquela hora em que todos fazemos listas, balanços da vida e olhamos para o futuro. Não há como escapar de avaliar o que foi o ano que está terminando e pensar nas perspectivas do que vai começar.
Posso dizer que 2025 foi melhor do que as expectativas que tínhamos nessa mesma época no ano passado. Mas poderia ter sido ainda melhor.
O
PIB do Brasil cresce num ritmo de 1,8% este ano – dados do terceiro trimestre em comparação ao mesmo de 2024. O Brasil pode crescer mais? Pode, pode crescer muito mais. Mas, para isso, depende de reformas, que podem demorar a acontecer.
O desemprego está em 5,4%, o menor índice desde 2012, quando começou a atual metodologia de medição. Parte desse desemprego baixo é efeito da expansão dos programas sociais, que fazem com que muita gente prefira não procurar emprego. Empresários relatam falta de mão de obra, mas os economistas ainda não sabem o tamanho dessa influência no índice.
O que nos atrapalhou? O gasto excessivo do governo. Virou rotina governo e Congresso criarem gastos ou colocarem despesas fora do arcabouço fiscal, a regra que deveria manter as contas em ordem. Conceder exceções para tirar despesas do arcabouço é uma forma de contornar as regras, mas os efeitos negativos nas contas públicas permanecem – e todos nós pagamos por eles. O temor por esta dinâmica de gasto público descontrolado, que alimenta a inflação, fez o Banco Central elevar os juros aos atuais 15% ao ano, o maior nível desde 2006.
Os juros altos inibem investimentos grandes e pequenos. Atrapalham desde o grande investidor, que busca criar empregos ou estimular a expansão e financiamento das empresas que estão na bolsa, até o pequeno empreendedor que quer começar ou ampliar seu negócio e precisa de um empréstimo bancário. Com a atual taxa, buscar financiamento é muito difícil para qualquer um.
No final das contas, ao gastar muito, o governo impulsiona o PIB por um lado, mas o segura por outro, ao obrigar o
Banco Central a elevar os juros para conter o principal efeito do gasto público elevado: a alta da inflação. Este mecanismo de acelerar e frear ao mesmo tempo é que faz o Brasil andar de lado.
Mesmo assim, o mercado resiste. Apesar dos juros altos, o
índice da bolsa brasileira bateu mais de 20 recordes em 2025. Chegou a ficar acima dos 164 mil pontos. Caiu um pouco depois, como é comum quando o mercado testa um novo limite. Mas, até o dia em que escrevo, o Ibovespa teve valorização de 36% no ano. O investimento estrangeiro na bolsa brasileira é o melhor desde 2022: em 2023 e 2024, o volume de recursos aplicado caiu; este ano subiu, foram até agora R$ 28 bilhões.
Quando pensamos em 2026, temos alguns desafios. O principal será passar pela campanha eleitoral com menos turbulências. Será nossa oportunidade de decidir o futuro, um futuro que impõe mudanças no atual modelo: o governo precisará gastar menos, racionalizar despesas com benefícios sociais, reduzir incentivos fiscais, acabar com a vinculação de recursos do orçamento, que deixa apenas cerca de 5% do total para o presidente decidir onde gastar. São mudanças difíceis, mas que a realidade exige do país. Não podemos insistir no modelo atual.
Nosso principal desafio será discutir como fazer isso de forma racional, sem lacração e barulho. O futuro do país precisa de menos jogo político e de mais política de verdade, baseada na troca de ideias, propostas e negociação em cima de fatos e números.
Todos nós podemos - e devemos – participar desse processo. E não apenas pelo voto. Ao contrário do que parece, ninguém precisa ser político para participar da política. Podemos manifestar nossas opiniões em mensagens a nossos parlamentares, comparecer a sessões da Câmara Municipal ou da Assembleia Legislativa do estado para acompanhar votações e audiências públicas, entre outras formas. Ficar parado, apenas reclamando nas conversas, não adianta nada.
O importante é sempre ter em mente que fazemos parte das decisões sobre os rumos do país. Nossos representantes são sensíveis às nossas opiniões, em especial num ano em que terão de nos convencer a votar. Em 2026, a força estará nas nossas mãos.
Nossa missão antes de tudo é trabalhar e manter a confiança. A vida não é uma questão de intensidade momentânea, mas de consistência. Tanto nossa vida quanto nossa carreira não são feitas das grandes tacadas, que são raríssimas, mas de fazer bem o básico todos os dias. Qualquer ação é melhor do que ficar parado em busca da perfeição.
Desejo a todos um Feliz Natal e um 2026 de grandes realizações.