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Operação Telic

O esquema com o tráfico de drogas que levou guardas de Vila Velha à prisão

Três integrantes da corporação e outras seis pessoas foram detidas em operação realizada pelo Ministério Público contra criminosos da Grande Terra Vermelha

Públicado em 

27 mar 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

As investigações que levaram à prisão do ex-comandante da Guarda Municipal de Vila Velha, Iuri de Souza Silva, apontam para uma suposta participação dele em duas frentes de atuação junto a criminosos da facção criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV).
Ele foi preso, com outros dois integrantes da corporação — identificados como Renato Alexandre Messias e Antônio Nelio Jubini —, além de sua companheira, a advogada Bárbara Bastos, mais dois advogados e outras três pessoas na terceira fase da Operação Telic, que investiga ações criminosas na região da Grande Terra Vermelha. 
Iuri atuou na área de inteligência da Guarda da cidade, incluindo na Ronda Ostensiva Municipal (Romu). É suspeito de compartilhar as informações sigilosas que obtinha em sua corporação, com outras forças de segurança e até com criminosos. Elas eram então repassadas para os integrantes do PCV, por intermédio de sua companheira, que atuaria como advogada das lideranças da facção.
Outra frente de investigação aponta que a possível atuação dele guarda semelhanças com a adotada por policiais do Departamento Especializado de Narcóticos da Polícia Civil (Denarc), também investigada pelo Gaeco na Operação Turquia. Mas são investigações em separado.
Trata-se da comercialização de drogas desviadas de apreensões, apropriação ou desvio de dinheiro e materiais sob custódia, enviando os produtos para os traficantes. Ações em que, supostamente, contou com a participação dos outros dois guardas. E que é semelhante a identificada em relação aos policiais civis do Denarc.
É investigado também as suas ligações com Cleuton Gomes Pereira, o Frajola, detido na Penitenciária de Segurança Máxima 2 e tido como uma das principais lideranças do PCV na região de Terra Vermelha, com uma atuação nas ruas garantida por meio do envio de recados, os catuques.
Os advogados detidos são suspeitos de fazerem a transmissão destes recados. Um deles foi detido dentro de uma unidade prisional, quando saía com recados após a visita a um dos clientes da facção.
As defesas dos acusados não foram localizadas, mas o espaço segue aberto à manifestação. Em nota, a Prefeitura de Vila Velha informou que a Corregedoria da Guarda Municipal está acompanhando o caso e que a corporação vai colaborar no que for necessário.

A operação

Na manhã desta quinta-feira (26), logo após a conclusão da operação, em nota o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) informou que as apurações produziram provas de tráfico de drogas, formação de organização criminosa, aquisição e porte ilegal de armamentos e munições, além de outras práticas violentas.
Revelou também que a liderança do grupo emite ordens de dentro das unidades prisionais “por meio de mensagens repassadas por familiares e advogados, cumpridas pelos integrantes em liberdade, cada qual com função definida na estrutura da organização”.
“Foram identificadas evidências consistentes de vínculos entre investigados, advogados e servidores públicos — entre eles guardas municipais —, caracterizando violação de sigilo funcional e cooperação ilícita em diligências policiais”, informa o texto..
Houve apreensão de celulares e bilhetes manuscritos ou ditados por detentos e redigidos por advogados. Foram cumpridos oito mandados de prisão temporária e nove de busca e apreensão nos municípios de Vila Velha, Cariacica e Serra. Uma pessoa foi detida  em flagrante, totalizando nove prisões: 3 guardas, 3 advogados e outras 3 pessoas.
A operação foi realizada pelo MP, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio de seu Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar, da Polícia Militar do Espírito Santo e da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus)

Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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