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Longa espera

Vítima de crime impune, jovem não ‘descansa’ nem após a morte no ES

Família cobra "informações mais claras" sobre destino dos restos mortais de jovem; Prefeitura afirma que ele segue enterrado no Cemitério de São Domingos

Públicado em 

31 mar 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Wellington Ferreira Ambrósio, de 21 anos - Serra
Crédito: Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly
Um tiro na cabeça pôs fim a vida de Wellington Ferreira Ambrósio, de 21 anos, na Serra. Após quase cinco anos, o crime ainda não foi solucionado e a família lida ainda com outra tragédia: a busca por informações que confirmem o destino dos restos mortais do jovem.
Em 2021, ele foi enterrado no Cemitério de São Domingos, unidade pública localizada na sede do município. E é onde a Prefeitura da Serra informa que o corpo do jovem permanece enterrado.

Mas as duvidas surgiram  quando a família recebeu informações de que teria havido uma exumação e, posteriormente, que o corpo estaria dividindo espaço na mesma sepultura com um estranho.
O advogado da família, Santhiago Tovar Pylro, assinala que os dados fornecidos aos familiares não são claros. “Eles perderam um ente querido e não sabem o que aconteceu, de fato, com os restos mortais. Ele está ou não enterrado”, questiona.
Ele aponta indícios de inconsistência nos registros administrativos e na gestão do controle dos sepultamentos, em processo administrativo iniciado pela família junto à Prefeitura.
“A mãe ficou sabendo por terceiras pessoas que o corpo do filho teria sido exumado. Mas não há clareza se o processo foi concluído ou não, e o que aconteceu com o que restou do corpo”, observa.
O advogado denunciou a situação ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES), solicitando uma apuração sobre o caso.
O órgão ministerial informou que solicitou cópia dos documentos à prefeitura e que aguarda a entrega do material.

Houve exumação?

Segundo a prefeitura, sim. O jovem foi enterrado em uma cova pública em junho de 2021. Três anos depois, em 5 de julho de 2024, a Secretaria de Serviços publicou no Diário Oficial do Município (edição nº 854) a lista das exumações que seriam realizadas, incluindo o nome do jovem.
O ato está previsto no Código de Posturas da cidade (Lei 1522/1991), que permite à família acompanhar o desenterro, caso queira transferir os ossos para outra unidade particular. Quando isto não acontece, o material segue para um ossuário público.
São informações, segundo a Prefeitura, que estão nos documentos que os familiares assinam quando enterram uma pessoa em uma cova pública.
No caso do jovem, o desenterro foi realizado no dia 24 de dezembro de 2024, cinco meses após a publicação do edital.
“No momento da abertura da sepultura, foi constatado tecnicamente que o corpo ainda não se encontrava em condições adequadas para a exumação, pois permanecia em processo de decomposição. Diante dessa constatação, devidamente registrada pelo setor responsável, o procedimento não pôde ser concluído”, informou, por nota, a Secretaria de Serviços.
Como a exumação não pode ser finalizada, o corpo do jovem permanece na mesma sepultura, localizada no Cemitério São Domingos.
De acordo com a Secretaria de Serviços, a legislação - Codigo de Posturas - permite que outro sepultamento seja realizado no mesmo espaço.
Aponta que o procedimento é o mesmo adotado nos jazigos de alvenaria também existentes no cemitério, e que recebe até quatro sepultamentos de famílias diferentes. “Nesses casos, o novo sepultamento é realizado sobre o anterior, respeitando os critérios técnicos e sanitários aplicáveis”, informa o texto municipal.
O segundo enterro no local foi realizado cerca de um mês após a tentativa de exumação, e como a legislação municipal determina que seja respeitado o prazo de três anos, contado a partir do último procedimento, a cova só poderá ser reaberta a partir de dezembro de 2027.
Em sua nota, a Secretaria de Serviços da Serra se coloca à disposição para prestar os esclarecimentos necessários à família.

O crime

Wellington Ferreira Ambrósio foi ferido com um tiro na cabeça, por volta das 21h do dia 10 de junho de 2021, nas imediações do bairro Cascata, em Serra Sede. Ele estava como carona na moto de uma amigo, que não se feriu. Foi socorrido, mas morreu seis dias depois no hospital.
Era o período pandêmico e a Polícia Civil chegou a divulgar, na época, informações em suas redes sociais pedindo a colaboração dos moradores da região com informações para que o crime não ficasse impune.
Por nota, a corporação informou que o caso segue sob investigação da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra. “Para que a apuração seja preservada, nenhuma outra informação será repassada”.

Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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