Uma das coisas que mais chamaram atenção no relato de um jovem entregador de aplicativo que teve a bicicleta elétrica roubada em Jardim da Penha, Vitória, no último sábado (28), foi a rapidez que o veículo encontrou um comprador. Em cerca de 4 horas, a bicicleta, após ser rastreada, foi encontrada no bairro 1º de Maio, em Vila Velha, com um "novo dono", investigado por receptação.
Não dá para deduzir o nível de organização por trás desses roubos, e é justamente por isso que as autoridades policiais precisam compreender o que está acontecendo. Quem rouba ou furta, na maioria dos casos, quer dinheiro rápido ou fácil. É inegável que o mercado de compra e venda desses veículos está aquecido na legalidade, há várias revendedoras na Grande Vitória e basta observar minimamente o trânsito para ver que é uma verdadeira febre.
A frota de bikes elétricas no Espírito Santo era estimada em cerca de 9 mil em dezembro passado, segundo dados da Fecomércio/Aliança Bike. As ruas estão tão ocupadas por elas que é um número certamente já bastante defasado.
Essa revolução na mobilidade urbana tem também seus revés, como os riscos de acidentes no trânsito em função da negligência e imprudência de condutores, e seus efeitos colaterais na segurança pública, como os furtos e roubos. As bicicletas elétricas estão mais visadas justamente por estarem sendo cobiçadas. E isso vai exigir medidas de inteligência das forças policiais para que redes de recepção não se fortaleçam a ponto de transformar esses veículos em um chamariz de bandidos.
Números de janeiro a novembro do ano passado mostrararam um aumento de 817% no registro de furtos e roubos desses veículos no Estado. É preciso levar em consideração que o aumento acelerado da frota tem impacto direto nessa explosão de ocorrências, e é justamente nesse sentido que se torna mais um problema de segurança pública.
Crimes contra o patrimônio são combatidos com resultado quando se atinge a cadeia por trás, com foco nos receptadores que abastecem esse mercado ilegal, facilmente rastreável na internet, em muitos casos. É com inteligência investigativa e prisões de qualidade que se pode chegar mais perto de inviabilizar essas redes que promovem insegurança entre quem resolveu adotar a bike elétrica como meio de transporte e de renda.