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Opinião da Gazeta

Projeto da BR 262 tem até túneis: o que se espera é viabilidade e resultado

A rodovia que foi o patinho feio das concessões por conta dos desafios de engenharia exigidos para duplicá-la agora terá um projeto de modernização a ser tocado com recursos públicos

Públicado em 

30 mar 2026 às 01:01

Colunista

Projeto de duplicação da BR 262 no Espírito Santo
Projeto de duplicação da BR 262 no Espírito Santo Crédito: Reprodução Dnit
É difícil não se empolgar com o projeto elaborado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) para a BR 262, com soluções de engenharia que há muito eram esperadas para modernizar a rodovia federal que conecta o Espírito Santo a Minas Gerais e ao Centro-Oeste do país. A aguardada duplicação prevê quatro túneis para atravessar a região montanhosa, além de 50 viadutos, 28 pontes,  seis passarelas e 40 quilômetros de ciclovias. Mas, depois de tantas idas e vindas, será que ainda dá para manter o entusiasmo com o que se planeja para a rodovia?
A construção dos túneis, inclusive, será uma novidade no Espírito Santo, caso seja concretizada. Ainda não foram divulgados detalhes sobre a obra, mas sabe-se que ela exigirá R$ 8,6 bilhões para a modernização de 180,6 km. Lembrando que R$ 2,3 bilhões virão do Acordo de Mariana. Desta vez, o governo federal optou fazer a duplicação com recursos próprios, e uma eventual concessão para a manutenção e operação da via será decidida no futuro.
Não houve mais tentativas de conceder a BR 262 para a realização das obras porque, nas oportunidades anteriores, não houve interessados. A publicação do edital de licitação das obras de duplicação vem sofrendo atrasos desde o ano passado, e agora a previsão ficou para o segundo semestre deste ano. E já reforçamos neste espaço, em janeiro passado, que 2026 precisa ser o ano da virada para a BR 262.
No papel,  o que está previsto para a BR 262 é grandioso e enche os olhos, principalmente diante dos 13 anos que separam a atual fase da última vez que as obras estiveram mais perto de serem iniciadas, com o leilão de concessão que acabou não dando em nada. Quem consegue dimensionar o impacto de infraestrutura a ser trazido com uma via mais segura para a economia do Espírito Santo e para a vida das pessoas espera agilidade. Brasília não pode continuar deixando a BR 262 em banho-maria.
Uma obra desse porte é viável? Há recursos disponíveis para tanto? Essas são respostas que precisam ser dadas, há muita expectativa, até mesmo para confiar que desta vez vai dar certo. Projetos grandiosos assim sempre geram entusiasmo, mas o que se espera é resultado: uma rodovia duplicada e mais segura.

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