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Mudança no governo

Chefe da Polícia Civil no ES pede demissão e alega motivos de saúde

Saída foi anunciada pelo governador Ricardo Ferraço; sucessor de José Darcy Arruda no cargo de chefia ainda será definido
Nayra Loureiro

Publicado em 

03 abr 2026 às 12:43

Publicado em 03 de Abril de 2026 às 12:43

José Darcy Arruda, delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo
José Darcy Arruda é delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo Crédito: Divulgação | Polícia Civil
O chefe da Polícia Civil do Espírito Santo, delegado José Darcy Arruda, pediu demissão do cargo nesta sexta-feira (3). A informação foi divulgada pelo governador do Estado, Ricardo Ferraço, em publicação nas redes sociais. Segundo o mandatário, a saída ocorre por motivos de saúde e pela iminente aposentadoria do delegado, que estava à frente da corporação há mais de sete anos.
Ricardo destacou o trabalho realizado por Arruda durante o período. “Registro meu reconhecimento e agradecimento pelo trabalho realizado ao longo desse período, marcado pelo compromisso com a segurança pública e por importantes avanços institucionais”, disse.
O governador informou ainda que o governo vai iniciar a avaliação de nomes para assumir o comando da Polícia Civil. (Confira declaração mais abaixo)

No Instagram, Arruda respostou publicação de Ricardo Ferraço e colocou a carta enviada ao governo pedindo o desligamento. Na postagem, disse que liderou a Polícia Civil num período "marcado por intensos desafios e importantes conquistas". "Após já ter enfrentado, ao longo da vida, cinco diagnósticos de câncer, fui novamente acometido pela doença e serei submetido a procedimento cirúrgico no próximo dia 10. Neste momento, é necessário priorizar o tratamento e a recuperação, com a serenidade e a dedicação que o quadro exige", explicou.

Saída acontece após polêmicas

A saída do delegado ocorre em meio a uma série de polêmicas recentes. Conforme divulgada pela jornalista Vilmara Fernandes, de A Gazeta, Arruda foi denunciado à Polícia Federal por suspeita de coação à testemunha. A notícia-crime foi apresentada pelo delegado Alberto Roque Peres, que prestou depoimento numa investigação federal.


De acordo com o documento citado pela coluna, também foi solicitada a apuração de outros possíveis crimes, como denunciação caluniosa, abuso de autoridade, prevaricação e obstrução de investigação de organização criminosa. O material foi encaminhado tanto à PF quanto ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES).


O caso tem relação com a Operação Turquia, que investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas para uma organização criminosa que atua na Ilha do Príncipe, em Vitória, envolvendo policiais civis.


O episódio ganhou repercussão após reportagem exibida pelo Fantástico, no último dia 29, mostrar o depoimento do delegado Alberto Roque Peres. Na ocasião, ele confirmou informações repassadas por um criminoso, que apontou um policial civil como sendo “o maior traficante de drogas do Espírito Santo”.


Segundo a coluna, o depoimento foi prestado em caráter sigiloso, na condição de testemunha. No entanto, após a repercussão do caso, Arruda teria divulgado, em entrevistas, o nome do delegado, que até então não havia sido tornado público.


Além disso, foi formalizada uma investigação interna na Corregedoria da Polícia Civil para apurar quais medidas haviam sido adotadas por Alberto ao tomar conhecimento das informações sobre o policial civil suspeito de relações com o tráfico. O procedimento foi determinado por meio de um ofício assinado por Arruda.


A iniciativa foi interpretada, no documento encaminhado à Polícia Federal, como uma possível retaliação. “Não são eventos isolados; é uma reação direta, uma retaliação à colaboração do noticiante com a investigação federal”, aponta o texto citado pela coluna.


Arruda nega as acusações e afirma que não houve qualquer tentativa de coação. “Não tive e não tenho nenhuma intenção de coagir um delegado de polícia ou mesmo interferir em uma investigação. Os documentos e informações que ele citou em seu depoimento, cerca de 3 ou 4 denúncias, nós ainda não localizamos. Nossa intenção é no sentido de que ele apresente o que possui”, disse.


Ele também afirmou que solicitou à Corregedoria um levantamento de investigações antigas, destacando que parte dos registros ainda está em formato físico, o que dificulta a localização.

Conflito com outro delegado

Além da denúncia, a Polícia Civil também enfrentou embates internos recentes. Um dos casos mais emblemáticos envolveu o delegado Romualdo Gianordoli Neto, ex-subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública. Após ser exonerado, ele passou a fazer críticas públicas à corporação e à cúpula da segurança.


Em publicações nas redes sociais, Romualdo afirmou que a Polícia Civil estaria “bastante corroída” e sugeriu interferências em investigações sensíveis, incluindo a Operação Baest, que apurava o braço financeiro do crime organizado no Estado.


A Secretaria de Segurança rebateu as declarações, classificando-as como falsas e determinando a apuração do caso. Segundo a pasta, as falas poderiam configurar crimes como denunciação caluniosa e uso indevido de informações sigilosas.


Arruda está sendo processado pelo delegado após comentar nas redes sociais que Romualdo era alvo de apuração interna na Polícia Civil porque teria se apropriado de informações sigilosas de investigações conduzidas pela corporação.

Mudança ocorre após posse de novo governador

A saída de Arruda acontece logo após a mudança no comando do Executivo estadual. Ricardo Ferraço tomou posse como governador na quinta-feira (2), em cerimônias na Assembleia Legislativa e no Palácio Anchieta, após a renúncia de Renato Casagrande, que deixou o cargo para disputar as eleições deste ano. 

No discurso, Ferraço afirmou que dará continuidade ao trabalho desenvolvido na gestão anterior e destacou a importância da integração entre instituições e do foco na população capixaba. "Disputas locais perdem relevância diante de um objetivo maior: entregar mais para a população capixaba", disse. 

Com a saída de Arruda, o governo do Estado deve iniciar a escolha de um novo nome para comandar a Polícia Civil. A definição ocorre em um momento de pressão institucional, com investigações em andamento e questionamentos sobre a atuação da corporação em casos recentes.

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