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Mais incentivos

Estudo orienta inclusão de todos os municípios do ES na área da Sudene

Com os dados apurados que demonstram desigualdades regionais e os prováveis impactos negativos com a reforma tributária, Estado planeja articular proposta no Congresso Nacional
Aline Nunes

Publicado em 

31 mar 2026 às 19:59

Publicado em 31 de Março de 2026 às 19:59

Um estudo conduzido pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) aponta para diferenças entre os municípios do Espírito Santo contemplados e aqueles que não são alcançados pelos benefícios da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Com base nos dados apurados, a proposta é incluir todas as cidades capixabas na área de abrangência dos incentivos e financiamentos. Mas, para virar realidade, será necessária articulação política a fim de buscar aprovação de emenda constitucional no Congresso Nacional
Na atual configuração, 31 municípios do Norte e Noroeste do Espírito Santo são beneficiados pelas políticas da Sudene e, assim, apresentam um desenvolvimento melhor e maior capacidade de atrair investimentos, considerando que um dos incentivos para empresas é o imposto de renda 75% menor. Não significa dizer que as 47 cidades restantes do Estado não cresceram sem os benefícios, porém o ritmo foi mais lento. 
Vista de Cachoeiro de Itapemirim: entre as cidades de 100 mil a 500 mil habitantes, município ficou na 30ª posição do país no ranking Connected Smart Cities 2021
Municípios do Sul do ES, como Cachoeiro, podem ser contemplados com incentivos da Sudene se houver mudança na lei Crédito: PMCI/ Divulgação
"O desequilíbrio que a gente verifica é no patamar de crescimento. Tanto os municípios da Sudene quanto os que estão fora apresentaram crescimento em todo o período (série histórica de 2002 a 2023). Mas, a partir do momento em que esse instrumento financeiro de crédito da Sudene foi implementado, a gente observou um patamar de crescimento superior para os municípios nessa área", pontua Antônio Ricardo Freislebem da Rocha, diretor de Integração e Projetos Especiais do IJSN. 
Então, continua Antônio Ricardo, para o Estado manter um crescimento regionalmente sustentável, é fundamental todos os municípios serem incluídos na Sudene.
Soma-se a essas diferenças, consolidadas ao longo de quase 20 anos de benefícios da Sudene a municípios capixabas, a previsão de impacto negativo para o Espírito Santo dos desdobramentos da reforma tributária. Com o fim de incentivos locais e a mudança na tributação para regiões onde é registrado o consumo, são estimadas perdas da ordem de R$ 5 bilhões por ano para o Estado.
Uma estratégia de compensação seria, justamente, incluir todo o Estado na área da Sudene, que é uma política de incentivo nacional e será mantida mesmo com a reforma, conforme observa o economista do IJSN e responsável pelos estudos, Sávio Bertochi Caçador. Ele avalia que o principal ponto de argumentação para expandir a abrangência das políticas da superintendência para todo o Espírito Santo é o reflexo da reforma tributária na economia capixaba, cujas mudanças começam neste ano e, até 2033, estarão plenamente implementadas e sem incentivos locais como Fundap, Invest e Compete.
"A decisão do empresário em investir numa área da Sudene ou não vai ter peso muito maior a partir da reforma tributária. O incentivo na área da Sudene vai ser praticamente o único benefício fiscal que o empresário vai verificar", acrescenta o diretor Antônio Ricardo.
Apontamentos do IJSN:
  • Os municípios capixabas que entraram na Sudene em 2007 não apenas cresceram, mas criaram uma rede de proteção para o emprego e a renda;
  • O incentivo fiscal da Sudene foi o fator mais relevante em 43% dos projetos de implantação de novas indústrias no Norte capixaba entre 2012 e 2020;
  • Municípios capixabas com projetos aprovados na Sudene apresentaram médias maiores no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) geral, saúde e emprego e renda;
  • As evidências da inclusão de 100% do Estado na Sudene não são apenas um pleito político. É a estratégia necessária para equilibrar o desenvolvimento capixaba.

Qual o impacto

Diretor-presidente do IJSN, Pablo Lira explica por que colocar todos os municípios capixabas sob o guarda-chuva da Sudene pode reduzir os impactos da reforma. Ele cita estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), mostrando que Estados como Minas Gerais (20 milhões de habitantes) e São Paulo (mais de 40 milhões) têm potencial consumidor mais forte que o Espírito Santo, com 4 milhões de moradores, pelo tamanho de sua população.
"Uma das principais mudanças da reforma tributária é a incidência do imposto sair do local de origem para o de destino. Então, serão beneficiados Estados com maior potencial consumidor, e o Espírito Santo apresenta características de um Estado produtor. Por isso, seria importante buscar alternativas para compensar eventuais perdas que a gente tenha com o desdobramento da reforma tributária", afirma.
Pablo Lira reforça que as políticas da Sudene no Norte e Noroeste capixaba propiciaram uma série de benefícios. "Assim, seria muito importante a gente ter a área de influência da Sudene contemplando todo o território para trazer maior dinamismo."

Articulação política

O economista Euclides Santos Machado, consultor do consórcio do Polo Sul de municípios, defende articulação com todas as 47 cidades, entidades e concessionárias que atuam nesses locais para preparar uma proposta de mudança na legislação, permitindo a expansão da área de abrangência da Sudene. 
Ele lembra que, mesmo o Espírito Santo tendo uma bancada federal pequena no Congresso Nacional, em comparação a outros Estados, foi capaz de, na década de 1990, promover alteração legislativa que incluiu os municípios do Norte na Sudene. Assim, após as articulações nos municípios, a expectativa de Euclides é que a conversa avance junto a deputados federais e senadores para que a ideia, agora sustentada pelo estudo do IJSN, seja transformada em um projeto de emenda constitucional e todo o Espírito Santo passe a fazer parte da Sudene. Considerando que 2026 é ano eleitoral, o economista espera que essa articulação seja realizada ainda no primeiro semestre. 

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