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Investigação

PF mira suposto esquema de corrupção na saúde no Sul do ES

Ação foi realizada com a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas do Espírito Santo

Publicado em 19 de Junho de 2026 às 10:26

Por Redação

Publicado em 

19 jun 2026 às 10:26
A Polícia Federal fez operação com a CGU e o Tribunal de Contas do ES
A Polícia Federal fez operação com a CGU e o Tribunal de Contas do ES Divulgação/PF

A Polícia Federal realizou, na manhã desta sexta-feira (19), uma operação contra um suposto esquema de corrupção na área da saúde no município de Guaçuí, no Sul do Espírito SantoForam cumpridos mandados de busca e apreensão em Guaçuí e também em Vitória e na Serra, além do bloqueio de bens e valores dos investigados. Em um dos endereços, foram apreendidos R$ 113,9 mil em espécie. 


De acordo com informações apuradas por A Gazeta, a suposta fraude ocorreu em contratos firmados com a Santa Casa de Guaçuí, que é uma entidade filantrópica com administração própria. Utiliza recursos públicos, para prestar atendimento, mas sem gestão direta do Executivo estadual ou municipal.  


Em nota à reportagem, a Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí afirmou que não é alvo da operação. Segundo a instituição, a investigação estaria relacionada exclusivamente a uma empresa fornecedora de equipamentos médicos (veja nota na íntegra abaixo).


Conforme informações da Polícia Federal, a investigação começou com a análise de elementos obtidos em apuração anterior que indicavam a possibilidade de irregularidades em contratos para aquisição de materiais hospitalares com recursos públicos destinados à saúde. 


As investigações indicam que, entre os anos de 2016 e 2024, contratos públicos teriam sido fraudados por meio de superfaturamento e direcionamento de contratações, possibilitando o pagamento de vantagens indevidas a agente público que exercia função de diretor na Santa Casa de Guaçuí, naquele período.


O nome do ex-diretor não foi divulgado pela PF. 


Até o momento, ainda segundo a Polícia Federal, os dados apurados indicam a possível atuação conjunta entre agentes públicos e particulares para viabilizar o esquema criminoso, hipótese que continua sendo objeto de aprofundamento no curso das investigações.


Por nota, a Prefeitura de Guaçuí destacou que nenhum órgão da administração municipal foi alvo da operação da PF deflagrada nesta sexta (19). Reforçou ainda que os fatos apurados envolvem contratações realizadas pela Santa Casa de Misericórdia entre 2016 e 2024, período que não corresponde à atual gestão, que assumiu o município em 2025.


A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) também salientou que a gestão da Santa Casa é feita pela própria instituição e que a pasta mantém contratos de serviços com diversos hospitais filantrópicos do Espírito Santo. Acrescentou que não foi acionada pelos órgãos responsáveis pela investigação em questão, mas se coloca à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos ou colaborar com as autoridades competentes, caso seja solicitada. 

Durante a operação, foram apreendidos mais de R$ 100 mil em espécie
Durante a operação, foram apreendidos mais de R$ 100 mil em espécie Divulgação/PF

Em conversa por telefone com A Gazeta, o prefeito de Guaçuí, Vagner Rodrigues (PP), frisou que as investigações não têm qualquer relação com a prefeitura e que nenhum servidor do município é investigado. 


“O município não pode ser penalizado por uma coisa que não devemos. A Santa Casa é uma instituição filantrópica que tem provedor e diretoria independentes.” 


O vice-prefeito da cidade, Paulo César Antunes Filho, acrescentou que as investigações referem-se a um período que a atual gestão ainda não havia assumido a prefeitura. “Mesmo assim, não tem nada a ver com a administração municipal.”


Chamada de "Jogo de Peças", a ação teve o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e cooperação técnica do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCES) para apurar indícios de fraudes em contratações públicas na cidade. 


Os investigados poderão responder pelos crimes de associação criminosa, peculato, corrupção ativa, corrupção passiva e delitos relacionados a fraudes em procedimentos licitatórios.


grupo empresarial investigado também figura como alvo de outros inquéritos policiais que apuram supostas práticas criminosas de natureza semelhante, circunstância igualmente considerada nas investigações em andamento.


O nome da operação, Jogo de Peças, faz referência ao codinome supostamente utilizado pelos investigados para tratar do pagamento de vantagens indevidas. Conforme apurado, a propina era mencionada como entrega de “peças”, sendo que cada unidade corresponderia ao valor de R$ 1 mil. 


A entidade informou ainda que colaborou integralmente com as autoridades, disponibilizando as informações solicitadas durante a ação policial. A direção também afirmou que todos os serviços seguem funcionando normalmente, sem impacto na assistência aos pacientes.


A Santa Casa declarou, por fim, que permanece à disposição da Justiça e da imprensa para prestar os esclarecimentos considerados necessários.

Íntegra

Nota da Santa Casa de Guaçuí

A Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí vem a público esclarecer que não é alvo da operação realizada pela Polícia Federal na data de hoje, 19 de junho de 2026. A investigação em curso está relacionada exclusivamente a uma empresa fornecedora de equipamentos médicos e refere-se a fatos ocorridos de 2014 a 2019. 


Reafirmando nosso compromisso com a transparência, a ética e a legalidade, informamos que a instituição colaborou integralmente com as autoridades e informações solicitadas.


Reforçamos que todos os serviços da Santa Casa seguem funcionando normalmente, sem qualquer impacto na assistência aos pacientes. 


Permanecemos à inteira disposição da comunidade, da Justiça e da imprensa para quaisquer esclarecimentos necessários.

[Íntegra]

Nota da Prefeitura de Guaçuí

A Prefeitura Municipal de Guaçuí informa que nenhum órgão da administração foi alvo das operações da Polícia Federal deflagrada na manhã nesta sexta-feira (19), que apura fatos relacionados a contratações na área da saúde, realizados pela Santa Casa de Misericórdia, ocorridos entre 2016 e 2024 — período anterior ao início desta gestão, que assumiu a administração do município em janeiro de 2025. 


A Administração mantém o curso normal de seus trabalhos e reafirma seu compromisso permanente com a transparência e com a correta aplicação dos recursos públicos.


A Administração acompanha com serenidade e respeito o trabalho da Polícia Federal, da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES). Apurações que zelam pela correta aplicação do dinheiro público

fortalecem as instituições e a confiança da sociedade, e contam com o apoio integral e a colaboração desta Prefeitura no que for necessário.

Atualização

30/06/2026

O texto foi atualizado com notas enviadas pela Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí e pela prefeitura da cidade.

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