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Edileuza Penha: a capixaba e filha de lavadeira que ganhou o mundo com o cinema

Cineasta e premiada, a cachoeirense desafia barreiras de gênero e leva a representatividade para as telas do Brasil e do mundo

Publicado em 8 de março de 2025 às 07:00

Cineasta Edileuza Penha
Cineasta Edileuza Penha Crédito: Thais Mallon

"Sou filha de lavadeira e vim ainda criança morar na Grande Vitória. Eu cresci em Vitória e Vila Velha e, desde muito nova, já era fascinada pelo cinema"

O cinema, desde seu surgimento, tem sido dominado por uma perspectiva masculina, dentro e fora das telas. Mas muitas cineastas desafiam a estrutura excludente da indústria e constroem novos caminhos para a representatividade feminina.

Edileuza Penha de Souza é uma dessas vozes potentes no cinema brasileiro. Nascida em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, ela construiu uma carreira sólida no cinema nacional, chegando ao reconhecimento internacional com suas obras. Quando Edileuza olha pra trás, o caminho não foi fácil. Mas o amor pelo cinema já florescia. 

"Eu e meus primos vendíamos latinhas e papelão pra conseguir dinheiro para ir ao Cine Aterac, no Ibes. Era um momento mágico para mim", relembra.

Edileuza Penha e o filme
Edileuza Penha e o filme "Filhas de Lavadeiras" Crédito: Instagram/@edileuzapenhadesouza

Edileuza começou a trabalhar muito nova e sempre ia ao cinema nos momentos de folga. Naquela época, um único filme ficava bastante tempo em cartaz, então ela assistia pequenos fragmentos das obras a cada intervalo. “Via um pedacinho hoje, outro amanhã, e assim por diante. Era meu refúgio".

A paixão pela arte foi crescendo e, com o tempo, se transformou em sua profissão. Com currículo extenso, hoje é doutora com a tese “Cinema na Panela de Barro: Mulheres negras, narrativas de amor, afeto e identidade” e pós-doutora em Comunicação. Edileuza também se especializou em documentário na Escuela Internacional de Cine y Television de San Antonio de los Baños, em Cuba, e lá participou como roteirista e diretora de várias produções, incluindo o curta-metragem premiado “Teresa”, uma co-produção entre Brasil, Cuba, México e Venezuela.

Premiada por Melhor Direção do filme “Vão das Almas” no Festival de Cinema de Vitória, em 2024, seu trabalho tem sido reconhecido internacionalmente, e produções como "Filhas de Lavadeiras" e "Mulheres de Barro" ganharam diversas premiações pelo mundo. Apesar do sucesso, ela ainda encontra grandes desafios para produzir cinema no Brasil.

Filme
Filme "Filhas de Lavadeiras" conquistou o júri do 20ª Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em 2021 Crédito: IFB/ Divulgação

"Ser uma mulher, especialmente mulher negra, no cinema significa romper barreiras diariamente", afirma. Além dos desafios da produção, existe a dificuldade de distribuição. "Os filmes que produzimos ainda encontram obstáculos para serem exibidos. Ter nossos filmes nas grandes salas de cinema é um dos grandes desafios."

Ela conta que as telas são predominantemente masculinas e brancas. "A gente tem que batalhar muito para conseguir financiamento para um filme, e depois de pronto, ainda precisamos lutar para que ele seja visto. E, quando falamos de mulheres negras no cinema, esses desafios se multiplicam", destaca.

Os números não mentem

Segundo um relatório do Center for the Study of Women in Television and Film da San Diego State University, a presença feminina em cargos de liderança no cinema tem apresentado retrocessos. Em 2021, as mulheres alcançaram um pico, sendo responsáveis por 25% dessas posições nos filmes de maior bilheteria. Mas, em 2024, essa porcentagem caiu para 23%. O declínio mais notável foi entre as diretoras: mulheres dirigiram 18% dos filmes de maior bilheteria em 2018 e 2022, mas esse número caiu para 16% em 2024.

A luta de Edileuza reflete um movimento maior de mulheres que reivindicam espaços e transformam o cinema brasileiro. Neste Dia Internacional da Mulher, é fundamental reconhecer essas trajetórias e continuar pressionando por mudanças. O cinema precisa de mais histórias contadas por mulheres – e, principalmente, de oportunidades iguais para que essas histórias cheguem ao público.

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