A trajetória de uma das principais lideranças espirituais do povo Guarani Mbya chega às telas de Vitória em uma sessão gratuita e aberta ao público. O longa “Tatatxi Ogwata Porã Djawe - A caminhada sagrada de Tatatxi Ywarete” será exibido no dia 10 de abril, às 19h, no Cine Metrópolis, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em Vitória.
De acordo com o diretor Wera Djekupe, o documentário é o primeiro longa-metragem conduzido por um cineasta indígena Guarani no Espírito Santo. Após a sessão, haverá um debate com a equipe do filme.
Uma história de fé e resistência
O filme revisita a história de Tatatxi Ywarete, líder espiritual, curandeira e parteira que guiou seu povo em uma caminhada de 35 anos pelo Brasil. A jornada teve início na década de 1940, no Rio Grande do Sul, e atravessou diferentes estados até chegar ao Espírito Santo, onde ela acreditava estar a “Terra Sem Males”, lugar sagrado na cultura Guarani.
Ao longo desse percurso, Tatatxi fundou aldeias que existem até hoje em estados como Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro, até se estabelecer em Aracruz, no litoral norte capixaba.
Para reconstruir essa trajetória, o filme percorreu os mesmos caminhos trilhados pela líder, reunindo relatos de pessoas que caminharam ao seu lado e preservam essa memória.
Memória como ferramenta de futuro
Mais do que revisitar o passado, o longa nasce com o objetivo de preservar a história do povo Guarani e fortalecer sua identidade, especialmente entre os mais jovens.
O filme foi feito com muito orgulho, para que nossos jovens Guarani nunca se esqueçam porque estamos aqui. Para que a memória não se perca e saibam quem somos
Segundo Wera Djekupe, a produção também busca dialogar com o público não indígena e ampliar o entendimento sobre os povos originários. “É importante conhecer o desconhecido. Se a gente não conhece, vive com preconceito e ignorância”, completa.
Produção colaborativa e formação indígena
Filmado entre 2024 e 2025, o longa foi realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo e contou com a participação direta de comunidades Guarani. O projeto incluiu oficinas de fotografia e som, envolvendo cerca de 20 indígenas, em sua maioria jovens, que passaram a integrar a equipe de produção.
Para a co-roteirista Fernanda Keretxu, o processo foi também uma experiência de aprendizado e fortalecimento cultural.
Acredito que esse filme será uma importante ferramenta de resistência pro povo Guarani. Para mim, foi uma grande lição de vida
O produtor Ricardo Sá também ressalta o impacto da realização do projeto: “Poder apresentar a jornada de Tatatxi Ywarete é algo que me estimula profundamente. É uma história que precisa chegar a mais pessoas”.
A reconstrução da história contou ainda com acervos importantes, como as fotografias de Rogério Medeiros, que acompanhou o povo Guarani por décadas, além de contribuições de pesquisadoras como Celeste Ciccarone e Maria Inês Ladeira.
Falado integralmente em língua guarani, o filme possui legendas em português, inglês e espanhol, além de recursos de acessibilidade, como Libras, audiodescrição e legendas descritivas. A expectativa é que o longa circule por festivais, cinemas e espaços educativos no Brasil e no exterior.
Serviço
- Sessão especial de “Tatatxi Ogwata Porã Djawe - A caminhada sagrada de Tatatxi Ywarete”
- Quando: 10 de abril, às 19h
- Onde: Cine Metrópolis – Ufes, Vitória
- Entrada gratuita, sujeita à lotação