Repórter do HZ / gusilva@redegazeta.com.br
Publicado em 1 de março de 2023 às 18:31
Endometriose é uma doença inflamatória provocada por células do endométrio (tecido que reveste o útero) que, em vez de serem expelidas durante a menstruação, se movimentam no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade abdominal, onde voltam a multiplicar-se e a sangrar.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença afeta muitas mulheres (cerca de 10 a 15%), que sofrem com cólicas fortes, dores durante a relação sexual e outros sintomas, que inclusive podem levar à infertilidade. Este mês é todo dedicado à campanha “Março Amarelo”, focado na conscientização da endometriose. "É uma doença benigna, inflamatória e crônica caracterizada pela presença do endométrio (tecido que reveste o interior do útero) fora do útero, ou seja, em outros órgãos da pelve como as trompas, os ovários, os intestinos e a bexiga", diz o ginecologista Ronney Vianna Guimarães.
A ginecologista Eloisa Leite Gonçalves, do Vitória Apart Hospital, conta que entre os sintomas mais frequentes da endometriose estão as cólicas menstruais fortes que evoluem de intensidade com o aumento da doença. "Cólicas intestinais no período menstrual, podendo ter sangue nas fezes e presença de sangue na urina, precisam ser investigados", diz a médica.
Ronney Vianna Guimarães diz que a dor durante as relações sexuais ou cólica menstrual que duram mais que dois dias, que não melhoram com uso de medicações e que atrapalham a qualidade de vida precisam ser investigadas.
Ronney Vianna Guimarães
Apesar da alta incidência, a endometriose pode demorar de 7 a 10 anos para ser diagnosticada. A ginecologista Larissa Galvão, especializada em diagnóstico por imagem da endometriose, diz que a descoberta tardia ocorre, em boa parte das vezes, porque os sintomas são ignorados. “Muitas mulheres pensam que sentir cólicas fortes é normal, em outros casos a paciente passa por vários médicos antes de descobrir a doença. Por isso, é importante ir a um especialista para ouvir todas as queixas e orientar a paciente a fazer todos os exames necessários”, explicou.
O outro agravante é que essa condição é também uma das causas da infertilidade feminina. A médica ressaltou que, quanto antes essa enfermidade for diagnosticada, melhores serão os resultados dos tratamentos. “Apesar da endometriose não ter cura, existem tratamentos eficazes que ajudam a melhorar os sintomas e a qualidade de vida. Mas é muito importante que a doença seja diagnosticada no início, pois o prognóstico é melhor”.
A médica explicou que a investigação da endometriose começa com o exame clínico feito pelo ginecologista a partir das queixas relatadas pela paciente, mas há outros procedimentos que ajudam a detectar a doença.
Larissa Galvão
O tratamento varia de acordo com cada caso e a gravidade da doença, podendo ser cirúrgico ou conservador, com mudança do estilo de vida, prática de exercício físico, dieta adequada e medicamentos.
A médica Eloisa Leite Gonçalves diz que é uma doença crônica que tende a regredir espontaneamente com a menopausa. "Temos controle com uso de hormônios e dependendo do grau da endometriose precisa ser abordada cirurgicamente com médico especialista", diz.
Dieta
Uma dieta anti-inflamatória, rica em gorduras de boa qualidade (ômega 3) e frutas cítricas (ricas em vitaminas C e E, que são antioxidantes e agem nos processos anti-inflamatórios), atua na redução da inflamação e agravamento do quadro. Uma outra aliada é a vitamina D. Carnes vermelhas, alimentos ultraprocessados e embutidos devem ser evitados.
Atividade física e fisioterapia
A atividade física é uma excelente aliada por reduzir os níveis de estrogênio, um dos hormônios que desencadeia as reações inflamatórias nos focos de endometriose. Recursos como cinesioterapia, liberação miofascial, eletroestimulação, pilates e RPG são importantes no controle da dor. A fisioterapia pélvica traz excelentes resultados nas mulheres com dispareunia (dor na relação sexual).
Cuidar da saúde mental
O estresse e a ansiedade pioram as sensações de dor, além disso, impossibilita o organismo de regular corretamente os processos inflamatórios. Portanto, um acompanhamento psicológico e psiquiátrico só vem a somar no tratamento.
Medicina da dor
Dores crônicas muitas vezes causam sensibilização do sistema nervoso central e vários fármacos demonstram ser eficazes no tratamento dessas mulheres sensibilizadas. Um outra forma é a medicina intervencionista da dor, que consiste em técnicas minimamente invasivas realizadas por meio de bloqueios e infiltrações de medições para o controle da dor.
Acupuntura
A acupuntura diminui o estímulo dos nervos responsáveis pela dor e libera endorfina, que por sua vez traz sensação de bem estar e ajuda a minimizar a dor.
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta