Há tempos observo, com incômodo, os uniformes de porteiros e seguranças no Brasil.
Em um país tropical, seguimos insistindo em ternos escuros, gravatas apertadas e coletes pesados sob 35 graus à sombra.
A pergunta é simples: a quem serve esse figurino?
Do Rio de Janeiro a Salvador, passando por Manaus e Recife, o calor não é exceção, é regra. Ainda assim, muitos edifícios mantêm um dress code importado de outro clima, como se elegância fosse sinônimo de sofrimento silencioso.
Não é.
Elegância é adequação. É inteligência cultural. É respeito.
Submeter profissionais responsáveis pela nossa segurança e acolhimento a camadas de poliéster não é apenas antiquado, é desumano. Calor excessivo compromete saúde, atenção e bem-estar. E comunica algo pior: que a aparência importa mais do que quem trabalha.
Por que ainda associamos credibilidade à gravata?
O Brasil nunca foi Londres. Nosso refinamento pode, e deve, dialogar com leveza. Tecidos respiráveis, cortes mais soltos, cores claras e modelagens inteligentes são perfeitamente compatíveis com formalidade.
O verdadeiro luxo contemporâneo combina estética e dignidade. Porque nada é mais cafona do que confundir desconforto com sofisticação.
Até a próxima!