
Saúde íntima feminina ainda é um tabu. Crédito: Shutterstock
Já vou começar te falando que as partes íntimas da mulher têm cheiro de… partes íntimas da mulher!
E só essa frase já era para resumir tudo, mas precisamos conversar sobre isso. Afinal, existe uma infinidade de buscas na internet por remédios, produtos e receitas milagrosas para tirar esse cheiro.
Culturalmente, quantas vezes já ouvimos que a vagina tem cheiro azedo, de queijo ou de peixe. E o resultado é a busca por algo que deixe a região com cheiro de flores, frutas, chocolates ou desencadeie uma mania excessiva de limpeza. E impacta até na relação sexual.
“A vagina precisa ter cheiro de vagina! Uma vagina saudável tem cheiro natural e característico, embora pouco perceptível, por causa da secreção vaginal natural atrelado a um complexo e característico ecossistema de microrganismos, como fungos e bactérias, presente em todo canal vaginal e isso promove a manutenção do pH vaginal que é ligeiramente ácido”, explicou a Amine Selim - médica que atua na Estratégia de Saúde da Família.

É preciso atenção em caso de corrimento e cheiro muito forte. Crédito: Shutterstock
Então sabemos que a vagina tem um cheiro natural e não há motivo para vergonha. Mas quando deixa de ser natural? Quando devemos nos preocupar com o cheiro? Segundo a doutora Amine, é quando o cheiro fica muito forte, parecido com peixe podre e muitas vezes vem junto com um corrimento alterado no volume, espessura ou cor.
O corrimento fisiológico, ou seja, saudável, tem um cheiro leve, quase imperceptível. Um odor forte ou desagradável pode ser um sinal de infecção.
Características como volume, consistência, cor e odor dessa secreção vaginal podem variar ao longo do ciclo menstrual, a depender da variação hormonal de cada mulher. Por exemplo: nos dias próximos à ovulação, ela tende a ser mais transparente e com consistência semelhante à clara de ovo crua (mais escorregadio e elástico).
Durante a ovulação, pode haver um aumento no volume dessa secreção. Após a ovulação, ele geralmente se torna mais espesso e cor esbranquiçada. Nos outros momentos do ciclo, essa secreção pode ser menos perceptível.
Candidíase
No período do verão, é muito comum observarmos o surgimento da candidíase vulvovaginal, que é uma infecção fúngica associada ao aumento significativo da Candida spp, principalmente Candida albicans, na flora vaginal.
Desequilíbrio na imunidade celular da mulher, alteração hormonal, ingestão significativa de carboidratos, diabetes mellitus descompensado, e até mesmo hábitos de higiene e vestuário que propiciam o aumento da umidade e calor vaginal podem desencadear na proliferação desse microrganismo.
Os principais sintomas são secreção vaginal esbranquiçada, grumosa, aderente e com aspecto de "queijo cottage", além de vulva edemaciada e prurido intenso em região de vulva e do canal vaginal. Cabe lembrar que essa infecção não é considerada uma infecção sexualmente transmissível.
Prevenção:
- Lembre-se que a vagina é autolimpante. Etão não é necessário nem recomendável o uso de produtos para higienizar o canal vaginal
- Evitar duchas vaginais, pois elas podem alterar o equilíbrio bacteriano vaginal
- Evitar o uso excessivo de produtos de higiene íntima com fragrâncias ou substâncias químicas irritantes
- Manter uma boa higiene íntima, mas sem exageros. Lavar a área genital externamente com água e sabonetes suaves é o suficiente
- Evitar antibióticos desnecessários que possam perturbar a flora vaginal
- Uso de preservativos para evitar demais infecções sexualmente transmissíveis
- Preferir calcinhas de algodão
- Evitar roupas apertadas e evitar permanecer por muito tempo com roupas de banho úmidas
- Ao lavar suas peças íntimas, evite o uso de produtos de limpeza com fragrâncias
A indicação para quem tem ou acha que tem um cheiro “anormal” é sempre procurar ajuda medica para avaliação.
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