Imagine unir neuroarquitetura, biofilia, feng shui e arteterapia em um único espaço. Esse é o conceito de “casa equilibrada”, uma proposta criada pela arquiteta e urbanista Grace Flemming, que vem inspirando projetos em todo o país, principalmente, com o aumento na demanda por ambientes acolhedores, equilibrados e confortáveis.
Afinal, segundo a arquiteta, cada detalhe da casa influencia as emoções e o equilíbrio físico e mental de quem mora ali. Por isso, "é necessário entender os efeitos do ambiente no nosso corpo e principalmente no nosso cérebro”, explica. Dessa forma, transformar o lar em um espaço que promova saúde e bem-estar passa por respeitar o estilo e as necessidades dos moradores.
De acordo com a Grace, entre os pilares do projeto de uma “casa equilibrada”, destacam-se alguns elementos essenciais:
Cores e formas equilibradas
Tons suaves e móveis bem distribuídos criam harmonia e fluidez, o que torna os espaços mais agradáveis e funcionais. As cores neutras e terrosas transmitem calma, enquanto o equilíbrio nas formas e proporções torna os ambientes acolhedores. Mais do que beleza, essa combinação desperta leveza, organização e uma sensação de serenidade que faz toda a diferença no dia a dia.
Dormitórios relaxantes
Como é um espaço onde se passam muitas horas, o ideal é mantê-lo livre de eletrônicos, como TVs, computadores e até celulares próximos à cama. Na hora de carregar o telefone, procure deixá-lo a pelo menos dois metros de distância. A iluminação também merece atenção: luzes na cabeceira devem ficar ao lado, nunca acima da cabeça. Equipamentos eletrônicos geram campos eletromagnéticos que interferem no sono, deixando o corpo menos relaxado.
Luz natural
A chamada iluminação zenital, ou seja, aquela que vem de cima, usa a luz solar para valorizar os ambientes e sincronizar o organismo com o ciclo natural do dia. A exposição à luz natural ajuda na produção de serotonina, melhora o humor e reduz riscos de mofo na residência.
Contato com a natureza
Trazer elementos naturais para dentro de casa é outra forma de promover equilíbrio. Materiais como madeira, bambu, fibras e cerâmicas tornam os espaços mais aconchegantes, enquanto a presença de áreas verdes reduz o estresse e melhora o bem-estar.
Para a arquiteta e urbanista Bruna Sardinha, do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Espírito Santo (CAU-ES), o aconchego e conforto se reafirmaram como um valor essencial na arquitetura. “O mercado imobiliário também tem entendido que bem-estar gera valor agregado, e que a neuroarquitetura e o design biofílico não são modismos, mas respostas concretas a uma sociedade que busca viver com mais propósito e conexão”, finaliza.
Este conteúdo foi escrito por um aluno do 28° Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação da editora Karine Nobre