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Documentos registram que beija-flor virou símbolo em Santa Teresa e no Estado
Documentos registram quando beija-flor se tornou símbolo de Santa Teresa e do Espírito Santo Vitor Jubini
Atitude Sustentável

Tesouros Capixabas: balé do beija-flor faz história no Espírito Santo

Pequeno no tamanho, mas exuberante em beleza, o colibri se tornou símbolo capixaba e promove o Estado para todo o país e até internacionalmente

Alberto Borém

Estagiário

Publicado em

11 jun 2025 às 05:00
Beija-Flor
Beija-Flor encanta com balé no ar Crédito: Arte: Camilly Napoleão
Pequeno no tamanho, mas exuberante em beleza, o beija-flor tem tudo a ver com o Espírito Santo. A conexão é tanta que ele se tornou um símbolo capixaba. Santa Teresa, na Região Serrana, é oficialmente a casa dos beija-flores no Estado. E quem visita a cidade entende a grandeza da ave, que não chega a ter mais que 15 centímetros.
No Museu de Biologia Professor Mello Leitão, situado na cidade, estão reunidos estudos do ecologista Augusto Ruschi, considerado pai da espécie pelo trabalho de referência nos estudos sobre os colibris.
A historiadora Alyne Gonçalves, que organiza o arquivo de Ruschi
A historiadora Alyne Gonçalves organiza o arquivo de Augusto Ruschi Crédito: Vitor Jubini
Pesquisador e ativista ambiental, Ruschi nasceu em 1915, em Santa Teresa, e faleceu em 1986, mas deixou um grande legado, muito bem documentado entre cartas e ilustrações.
“Tem uma carta, das centenas que temos, em que Ruschi diz: ‘Eu guardo meus registros para que, no futuro, as pessoas saibam o que realmente aconteceu’”
Alyne Gonçalves - Historiadora e servidora do Instituto Nacional da Mata Atlântica
E Ruschi guardou tudo mesmo: cartas recebidas por líderes internacionais, decisões do então governador Gerson Camata e, principalmente, desenhos feitos desde a adolescência. Os colibris e as orquídeas ocupavam a maior parte da rotina do ativista, que defendeu incansavelmente o meio ambiente.
Em entrevista à TV Gazeta meses antes de falecer, Ruschi alertou:
"O Espírito Santo não tem nem 2% de floresta virgem natural. A floresta artificial não é a mesma coisa, não protege. O homem é o mais conscientizado e sabe que está destruindo, ele sabe. Ele também sabe que a natureza faz um esforço danado, mas não consegue restaurar como era"
Augusto Ruschi - Ativista ambiental
O ecólogo José Eduardo Mantovani, gestor do Museu Professor Mello Leitão, destaca que o desmatamento ameaça diretamente a existência e o bem-estar do beija-flor.
"Os beija-flores precisam das plantas que eles conhecem para construir ninhos e criar filhotes. Se a gente desmatar e plantar outras árvores, só laranjeiras, bananeiras, não vamos conseguir conservar a espécie"
José Eduardo Mantovani - Ecólogo e gestor do Museu Professor Mello Leitão
A ave come insetos e aranhas, mas a principal fonte de alimento é o néctar das flores. Para imitar o alimento e preservar a espécie, garrafas com água e açúcar são disponibilizadas em alguns locais, como no Museu Mello Leitão. Eles ajudam, mas não cumprem a mesma função.
Documentos registram que beija-flor virou símbolo em Santa Teresa e no Estado
Documentos registram quando beija-flor se tornou símbolo de Santa Teresa e do Espírito Santo Crédito: Vitor Jubini
Medindo entre sete e 13 centímetros, os pássaros de aves brilhantes se diferencia de outras aves pela velocidade das asas, que bate até 80 vezes por segundo, proporcionando um verdadeiro balé no céu.
“O beija-flor é um pássaro muito diferente, porque ele bate asas muito rápido, o metabolismo dele é super-rápido, ele é muito veloz e, diferentemente, de outros pássaros, ele voa para trás, ele para no ar”
Alyne Gonçalves - Historiadora e servidora do Instituto Nacional da Mata Atlântica
A historiadora destaca que os símbolos não são meramente estéticos, eles mobilizam ideias. “No caso do beija-flor, além de toda beleza, essa identificação da cidade e do Estado com a espécie é muito importante para fortalecer a identidade das pessoas.”
Responsável pela gestão do Museu de Biologia Professor Mello Leitão, o ecólogo José Eduardo Mantovani, considera que não há em nenhum outro lugar do Brasil, uma relação tão próxima entre o beija-flor e uma cidade.
"A relação tão estreita do beija-flor com Santa Teresa é bastante incomum. A cidade tem um relacionamento especial com a espécie"
José Eduardo Mantovani - Ecólogo e gestor do Museu Professor Mello Leitão
O ecólogo José Eduardo Mantovani
O ecólogo José Eduardo Mantovani destaca a relação de Santa Teresa com os colibris Crédito: Vitor Jubini
Essa ligação não é de hoje. E não está apenas no imaginário popular. Há mais de 60 anos, a Prefeitura de Santa Teresa escolheu o beija-flor como símbolo do município. Anos depois, foi a vez do governo do Espírito Santo tornar a espécie um símbolo do Estado.
O beija-flor foi parar até na roupa de uma miss em 2005. Se a ideia foi levar à passarela algo que representasse Santa Teresa, a Josélia Dalmaschio conseguiu. Há quase 20 anos, ela resolveu bordar alguns beija-flores ao redor do vestido. Tanto tempo depois, o vestido e o sentimento de orgulho seguem intactos.
O “capixaba” beija-flor voa também para fora do país. É comum ver produtos que façam referência ao colibri no Aeroporto de Vitória, por exemplo. Quem chega ao Espírito Santo encontra bolsas, cangas, chaveiros e camisas com a espécie estampada.
O beija-flor virou tema também no Carnaval de Vitória. Em 2016, a escola de samba Pega no Samba, do bairro Consolação, em Vitória, resolveu homenagear Augusto Ruschi e sua principal paixão: o beija-flor.  “Voa Beija-Flor te faço imortal, Brilha Augusto Ruschi no meu carnaval”, diz o trecho do samba enredo.
Seja estampado em uma camisa ou voando livremente, o beija-flor nos lembra a importância de sempre preservar a natureza.

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