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Pedra Azul Summit 2025
'ES é base ideal para atender o Brasil inteiro com logística eficiente'
Em conversa com A Gazeta, In Hsieh, um dos profissionais mais ativos do mercado de inovação, destaca as vantagens do Espírito Santo para atrair novos investimentos nos próximos anos

João Barbosa

Estagiário

Publicado em

13 out 2025 às 17:06
Rochas ornamentais, produção de café e de celulose e turismo. Esses são alguns dos polos que podem alavancar novos investimentos no Espírito Santo nos próximos anos. A avaliação é de In Hsieh, sócio da Chinnovation e da IEST Group, empresas focadas em auxiliar negócios chineses no Brasil e com atuação no Estado.
Os setores citados por In já são bem estruturados na economia capixaba, entretanto, avalia o administrador, têm potencial para despertar interesse do mercado chinês e de outros olhares no comércio exterior, movimentando centenas de milhões de reais em novos negócios — tendo a conexão à inteligência artificial (IA) como o “motor de tudo”.
Em conversa com A Gazeta às vésperas do Pedra Azul Summit 2025, que será realizado de 17 a 19 de outubro, na Região Serrana capixaba, In, que palestra no evento no painel de Inovação e Tecnologia, marcado para o sábado (18), deu detalhes sobre o que está em alta nos setores e como o Espírito Santo pode se beneficiar com sua infraestrutura logística, já que tem padrão internacional em uma base exportadora sólida e um ambiente de negócios estável.
“Fatores que o tornam altamente atrativo para conectar cadeias produtivas locais ao ecossistema chinês de tecnologia e consumo”, avalia.
Nascido em Curitiba (PR) e com descendência chinesa, o convidado da Rede Gazeta traz na bagagem cases de sucesso, como a participação na equipe que deu o pontapé inicial no Submarino, uma das empresas pioneiras no comércio eletrônico nacional, e na inserção da Xiaomi no Brasil. Confira a entrevista abaixo.

Fale um pouco sobre você e sobre seu cargo atual, por favor.

Estou no mercado de internet desde o seu início no Brasil, em 1999. Sou considerado um dos profissionais mais ativos do setor, tanto em projetos e principalmente no apoio ao ecossistema. Além dos meus próprios negócios, produzo conteúdo, particípio e organizo eventos, dou palestras, mentorias, entre outras coisas. Um desafio profissional é encontrar ou desenvolver modelos de negócios sustentáveis e replicáveis. Não é só acertar uma vez, mas conseguir entender a lógica e reproduzir 'N' vezes. Mais da metade dos meus projetos, negócios e investimentos falharam. Cada erro é uma chance de aprendizado. Minha missão de vida é conectar Brasil e China, tanto os países quanto seus povos e empresas.

Como começou no ramo do e-commerce?

Comecei na equipe que fez ostartup do Submarino, em 1999. Um pouco antes, já tinha montado negócios de e-commerce que não deram certo.

Apesar disso, quais são os maiores cases de sucesso que você tem?

Submarino foi um dos maiores em porte e faturamento, mas acabou fechando em decorrência da crise da Americanas. Xiaomi no Brasil não deu tão certo na primeira entrada, mas ela é o maior case que participei globalmente. Sempre falo muito abertamente que mais da metade dos projetos em que me envolvi não deram certos. Porém, viraram aprendizados, e muitos deram origem a outros bem sucedidos.

Então, seu trabalho está ligado a inovações nacionais ou mundialmente conhecidas no e-commerce?

Sim. Ao longo dos últimos anos, participei diretamente de alguns dos movimentos que mais transformaram o comércio eletrônico no Brasil — muitos deles inspirados em modelos vindos da China. Um exemplo foi a introdução do live commerce, o formato de vendas ao vivo que mistura entretenimento, influência e compra instantânea, lançado aqui em parceria com grandes varejistas nacionais.Além disso, a Chinnovation vem desenvolvendo estratégias de inovação para grupos econômicos do Espírito Santo. É um caso emblemático de como empresas tradicionais podem adotar tecnologias e metodologias de crescimento rápido — inspiradas na China — para transformar seus negócios e preparar-se para o futuro digital.

Como é a atuação da Chinnovation? A empresa tem o Espírito Santo como alvo?

Atuamos em três frentes principais: estratégia e go-to-market (planejamento para entrar em novos mercados), formação executiva em parceria com a Alibaba Global Initiatives e projetos de conexão empresarial que aproximam grupos econômicos, startups e investidores. O Espírito Santo é um dos pontos estratégicos dessa rede. O Estado combina infraestrutura logística de padrão internacional, base exportadora sólida e um ambiente de negócios estável, fatores que o tornam altamente atrativo para conectar cadeias produtivas locais — como rochas ornamentais, café, aço, celulose e turismo — ao ecossistema chinês de tecnologia e consumo.
Para In, com o crescimento das conexões entre Espírito Santo e o mercado chinês, grandes investimentos podem chegar ao Estado nos próximos anos, principalmente os ligados a parcerias industriais e inovação.

Nesse sentido, como você avalia o momento atual do mercado de inovação no Brasil?

O mercado brasileiro está mais seletivo e exigente, mas também mais maduro. Hoje, não basta ter uma boa ideia — é preciso saber executá-la com velocidade e eficiência. Vemos setores como finanças, agronegócio e varejo digital em fase de consolidação, enquanto outras áreas ainda buscam traduzir inovação em resultados reais. O capital continua disponível, porém com foco em empresas que demonstram unit economics saudáveis, ou seja, equilíbrio entre custo e receita. Nesse cenário, a inteligência artificial aplicada ao dia a dia dos negócios surge como a principal fronteira de crescimento.

E o Espírito Santo nesse contexto? Para onde estamos caminhando?

O Espírito Santo está muito bem posicionado. O Estado tem tudo para se tornar um hub de eficiência e inovação logística do Brasil. Com portos modernos, cadeias exportadoras fortes e uma cultura empresarial sólida, o próximo passo é transformar essa estrutura em vantagem competitiva por meio de tecnologia — inteligência artificial, automação, dados e sustentabilidade. Vejo o Espírito Santo caminhando para formar clusters de inovação, grupos de empresas, universidades e startups que colaboram entre si, especialmente nos setores de rochas ornamentais, café, celulose e turismo.

Então, existem projeções sobre investimentos chineses no Espírito Santo?

Sim. Há um interesse crescente de empresas chinesas em investir em infraestrutura portuária, energia e indústria, com foco em eficiência e sustentabilidade. Alguns projetos estão em análise e, com segurança jurídica e governança adequadas, esses investimentos podem alcançar centenas de milhões de reais nos próximos três a cinco anos. A indústria de rochas ornamentais, por exemplo, desperta grande interesse internacional, especialmente quando associada a tecnologias de automação e rastreabilidade. O café capixaba, com sua qualidade reconhecida, também ganha visibilidade em plataformas digitais e marketplaces internacionais.
Além disso, In destaca que oportunidades para tecnologias voltadas a operações portuárias e logísticas também estão no radar, com investimento em energia inteligente e turismo digital — segmento em que o uso de dados pode elevar o patamar de competitividade das empresas capixabas.

Como está e como pode ser melhorada a relação do Espírito Santo com a China?

A relação é positiva, mas ainda muito concentrada na exportação de commodities. O próximo passo é estruturar uma agenda permanente de cooperação, como um “China Desk Espírito Santo”, que reúna governo, empresas e universidades para desenvolver projetos conjuntos, atrair investimentos e preparar o Estado para competir globalmente. Também é importante investir em laboratórios conjuntos de pesquisa e desenvolvimento e em programas de internacionalização de marcas capixabas, com conteúdo em chinês e estratégias digitais direcionadas ao público asiático.

O Espírito Santo vem se posicionando como hub logístico. Como isso impulsiona a inovação?

Quando a logística é eficiente, ela se torna uma plataforma de inovação. Cada operação — seja um navio que chega ao porto, seja um caminhão que sai de um centro de distribuição — gera dados que podem ser analisados por sistemas inteligentes para reduzir custos e melhorar a eficiência. Isso, naturalmente, atrai startups e empresas de tecnologia, criando um ecossistema virtuoso de inovação.

Quais startups capixabas estão em alta hoje?

O Estado tem mostrado boas iniciativas em logística, agro, indústria e turismo, com empresas que nascem próximas às cadeias produtivas e aplicam tecnologia para resolver problemas reais — desde rastreabilidade e monitoramento até gestão de performance e experiência do cliente. Ainda há muito espaço em automação industrial, energia limpa, governos digitais e saúde inteligente. São áreas estratégicas que impactam diretamente a competitividade do país e que ainda carecem de soluções escaláveis e acessíveis.

Com o avanço da digitalização, o que diferencia quem tem sucesso?

A capacidade de agir rápido, medir resultados e ajustar com disciplina. As empresas de maior sucesso testam, aprendem e evoluem constantemente. Também constroem uma comunidade em torno da marca, transformando clientes em defensores e não apenas em compradores. E tudo isso só funciona se houver uma operação confiável — produto certo, entrega pontual e uma boa história por trás. Os principais indicadores são os que medem o que realmente importa: venda e fidelização. Não é só sobre tráfego, mas sobre taxa de conversão, recompra, satisfação e eficiência logística. No final, o sucesso de uma inovação digital se mede pela confiança e pela recorrência do cliente.

Para uma startup de e-commerce começando, como planejar logística e operação?

O segredo é começar com estrutura leve e processos bem definidos: entrega rápida, devolução simples e atendimento humanizado. À medida que o negócio cresce, é essencial integrar canais (como marketplaces e loja própria) e usar dados para tomar decisões de estoque e distribuição. O Espírito Santo, com sua localização estratégica e rede portuária eficiente, pode ser uma base ideal para startups que desejam atender o Brasil inteiro com qualidade e custo competitivo.

Quais tecnologias vão definir o futuro do e-commerce nos próximos anos?

A inteligência artificial será o motor de tudo — desde precificação e atendimento até criação de conteúdo. O vídeo e a realidade aumentada transformarão a forma como compramos. E ferramentas financeiras como o Pix e o Open Finance, que permitem pagamentos e reembolsos instantâneos, vão tornar a experiência ainda mais fluida.

Qual é o maior risco e a maior oportunidade para o empreendedor brasileiro hoje?

O maior risco é ficar parado — esperar o cenário ideal para agir. O mercado muda rápido demais para isso. A maior oportunidade, por outro lado, está em criar soluções locais com mentalidade global, especialmente aproveitando a ponte comercial e tecnológica entre Brasil e China.

E qual conselho você daria a um empreendedor capixaba que quer internacionalizar sua startup?

Escolha um produto com identidade e diferencial, que conte uma boa história, e prepare-o para o mundo desde o início. Invista em materiais em inglês e chinês, certificações e canais digitais bem estruturados. Use o Espírito Santo como base logística e vitrine internacional. E, acima de tudo, aja rápido — no cenário global atual, quem aprende e executa primeiro, lidera.

O Pedra Azul Summit 2025

Com apresentação dos jornalistas Geraldo Nascimento, editor-chefe de A Gazeta e Rádio CBN Vitória, e Rafaela Marquezine, apresentadora da TV Gazeta, além de In Hsieh, a 20ª edição do Pedra Azul Summit traz nomes como Gustavo Pimenta, CEO da Vale, e o diretor-presidente da Globo, Paulo Marinho.
O evento ainda conta com a participação de Natuza Nery, jornalista e comentarista da Globo News, e de Carlos Melo, mestre e doutor em Ciência Política, no painel Panorama Político.
Já entre os convidados do painel Panorama Econômico estão Samuel Pessôa, pesquisador do banco BTG Pactual e Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo e atual presidente executivo da Indústria Brasileira de Árvores (IBA). 
Na área da Inovação e Tecnologia, Rubens Monteiro, diretor de pesquisa e estratégia, palestra ao lado de In Hsieh pouco antes do encerramento com a palestra do governador Renato Casagrande.

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