Coronavírus
Poderes sob tensão
Em março de 2019, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e Jair Bolsonaro protagonizaram um bate-boca público quando tentavam articular o projeto da reforma da Previdência. Os filhos de Bolsonaro e o próprio presidente fizeram provocações a Maia, dizendo que ele "não quer largar a velha política".
O presidente da Câmara rebateu Bolsonaro dizendo que ele estava "brincando de governar". O desentendimento cessou quando Bolsonaro disse publicamente que era "página virada".
Em outubro, Bolsonaro publicou nas redes sociais um vídeo em que aparecia como um leão acossado por hienas que o atacam. Elas representavam o STF, o PSL, partidos de esquerda e veículos de imprensa.
A postagem causou mal-estar entre ministros do Supremo. Celso de Mello considerou que o vídeo revelava "absoluta falta de estatura presidencial". Depois, Bolsonaro pediu desculpas e disse que foi um "erro".
Durante as tentativas de acordo sobre a divisão do dinheiro no Orçamento da União, o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, classificou as tratativas como chantagens do Legislativo. Aliados também falaram em "golpe do parlamentarismo branco".
Em fevereiro, Bolsonaro compartilhou um vídeo que convoca a população a ir às ruas no dia 15 de março para defendê-lo, e que os participantes carregam bandeiras contra o Legislativo e o Judiciário e a favor das Forças Armadas.
Os congressistas e Judiciário criticaram, mas Bolsonaro negou que estivesse criando um ambiente público contra os demais Poderes e incitado a população a ir às ruas.
Mesmo com a recomendação de isolamento por conta do coronavírus, Bolsonaro apareceu em público na manifestação pró-governo do dia 15 e cumprimentou apoiadores. Ao longo do dia, fez postagens de apoio ao protesto.
Um dia após a manifestação, os presidentes da Câmara dos Deputados, do Senado e do STF receberam o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sem Bolsonaro para discutir medidas acerca da pandemia do novo coronavírus. Agenda foi vista como reação coordenada após presidente ir a ato contra os Poderes.
Alguns parlamentares começaram a falar em impeachment por conta da postura de Bolsonaro quanto às manifestações. Em resposta, o presidente acusou a cúpula do Poder Legislativo de ter iniciado contra ele uma "luta de poder" e afirmou que seria um golpe de Estado isolá-lo.
A postura de Bolsonaro não monopolizou a atenção do Congresso. Políticos têm defendido que o momento é de centrar o foco em medidas de combate ao coronavírus e não de responder às provocações do presidente.