A morte da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, vítima de feminicídio em pleno mês das mulheres, mobilizou mulheres e homens das forças de segurança no Espírito Santo no combate à violência de gênero. Em meio às homenagens à agente que lutou pela segurança na Capital, integrantes das guardas de outros municípios capixabas usaram as redes sociais para conscientizar a população quanto à importância de unir forças contra atitudes machistas que podem levar ao feminicídio.
Nas redes sociais da Guarda Civil Municipal da Serra, um vídeo (veja acima) divulgado na segunda-feira (23), após o assassinato da comandante Dayse, morta pelo ex-namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza. A publicação mostra guardas enfileiradas exibindo cartazes com frases que indicam abuso, intimidação e controle na relação. Entre as mensagens exibidas que reforçam a violência de gênero estão:
- “Apaga essa foto, eu não gostei”;
- “Você sabe que tenho ciúmes porque me importo”;
- “Mulher minha não precisa trabalhar”;
- “Se você me deixar eu não sei o que eu faço”;
- “Eu só quero te proteger”;
- “Eu só gritei porque você me tirou do sério”;
- “Se você me denunciar, o que vai ser dos nossos filhos?”;
- “Você apanhou porque me provocou”;
- “Se denunciar, vai acabar com a carreira dele”;
- “Olha a roupa que você vai usar”.
Ao fim da exibição, cada cartaz com as frases abusivas era rasgada pela agente que a segurava, para demonstrar que aquela mensagem não pode ser tolerada. "Diante da forma mais extrema da violência de gênero, não há espaço para omissão. A Guarda Civil Municipal da Serra reafirma seu compromisso com a proteção da vida e o enfrentamento ao feminicídio", diz o texto publicado junto ao vídeo no Instagram.
Linhares
Em Linhares, o vídeo (veja abaixo) foi produzido pela corporação também em homenagem à comandante Dayse. "Nossos sentimentos aos familiares e amigos da comandante da Guarda Civil Municipal de Vitória Dayse Barbosa e de todas as mulheres capixabas e linharenses vítimas da violência", diz o texto da legenda.
No vídeo, integrantes masculinos da guardas exibem e, a seguir, rasgam cartazes contendo frases ditas em ambiente de violência doméstica, como:
- "Foi só um tapa";
- "Quem manda aqui sou eu"
- "Isso não é violência, foi só uma discussão de casal";
- "Aqui não é lugar de mulher";
- "Quem manda aqui sou eu";
- "Se não fosse eu, você não seria ninguém";
- "Se você denunciar, vai acabar com a carreira dele!";
- "Ela apanha porque gosta".
Ao fim do vídeo, as mulheres da corporação exibem mensagens como "a culpa não é sua" e "você é capaz". Na publicação, a legenda reforça: "Nenhuma mulher deve se calar diante do desrespeito. Você é capaz, merece ser ouvida e viver com dignidade".
"Mulher, não se cale. Você merece todo o nosso respeito. A Guarda Civil está a sua disposição. Ligue e denuncie: 153", encerra o vídeo, de forma a encorajar todos a denunciarem os casos de violência contra a mulher.
Anchieta
Em Anchieta, o vídeo (veja abaixo) foi protagonizado pelos homens da corporação, em alusão ao mês das mulheres. A gravação contou com a participação de agentes da Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Municipal. Na legenda da postagem, as forças de segurança do município destacam que as frases mostradas no vídeo não podem ser interpretadas como brincadeira.
"A mensagem destaca que a violência não é opinião, nem piada, e que combatê-la começa com atitudes individuais, reforçando o papel das instituições na repressão, conscientização e prevenção', diz a publicação.
Entre as frases abusivas exibidas no vídeo, estão: "Só pode estar de TPM"; "Isso não é trabalho de mulher"; "Você precisa de um homem que te coloque no lugar"; "Se não for minha não será de mais ninguém"; "Se apanhou, é porque provocou".
Denuncie
Em caso de emergência, acione o 190. Para acionar a Guarda Civil Municipal, o número é o 153. Se precisar pedir medidas de proteção e denunciar os abusos e as violências, procure o Centro de Referência em Atendimento à Mulher em Situação de Violência (Cramsv) ou uma Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher. O canal 180 também está disponível 24 horas para registrar denúncias anônimas.