
Depois de um 2024 muito bom, o mercado imobiliário começou 2025 com o pé no freio. O culpado, claro, é a violenta alta das taxas de juros no país, iniciada em setembro passado (quando estava em 10,5% ao ano) e que, de acordo com o mercado, deve bater em 15%. Dinheiro mais caro em um mercado que depende majoritariamente de financiamento para se movimentar só poderia dar em um resfriamento das vendas. É o que o setor está experimentando, no Espírito Santo inclusive, nesse primeiro trimestre do ano. A velocidade de vendas já encolheu e, claro, a de novos lançamentos também. Importante sempre lembrar que estamos falando de um dos principais motores e empregadores da economia brasileira.
"Conseguimos terminar 2024 muito bem, foi um dos melhores anos da história da nossa indústria, mas a alta dos juros foi muito rápida e forte, então, mesmo com a Selic subindo, ainda tínhamos taxas abaixo dos 10% no final do ano. Hoje, não está mais assim, está praticamente tudo na casa dos 12% ao ano, o que faz uma diferença enorme. Além disso, também observamos uma escassez de recursos, com os juros nesses níveis o dono do dinheiro passa a ser mais criterioso na hora de emprestar", explicou Eduardo Fontes, presidente da Associação Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES).
Diante do cenário, o mercado já entrou em uma nova realidade de velocidade de vendas. "É evidente a redução do movimento, destacadamente nas rendas média e alta, dos imóveis entre R$ 350 mil e R$ 1,2 milhão, que dependem muito do financiamento de mercado. Na indústria do Minha Casa Minha Vida, programa habitacional do governo federal, onde há muito subsídio, os problemas são outros: renda corroída pela inflação e medo de desemprego", assinalou o dirigente.
Nos imóveis de alto padrão, que não dependem muito de crédito para rodar, há outras questões. Estamos falando de um dos segmentos que mais avançou da pandemia para cá, inclusive no preço do metro quadrado. Qual é o tamanho da demanda após cinco anos seguidos de expansão? Além disso, com os juros nas alturas, eventuais compradores passam a fazer contas para saber se vale tirar o dinheiro da aplicação.
Por tudo isso, a perspectiva é de um ano duro pela frente e com viés de queda para o segundo semestre...
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.