
Gustavo Pimenta, CEO da Vale, e Renato Casagrande, governador do Espírito Santo, terão um encontro em abril, no Palácio Anchieta, para discutir principalmente o andamento do projeto para a construção do ramal Sul da Ferrovia Vitória-Minas, que irá de Santa Leopoldina ao Porto de Ubu, em Anchieta. Na visão do governo estadual, o trabalho, fundamental para a logística do Estado, não está andando na velocidade em que poderia. Nesta terça-feira (18), o vice-governador, Ricardo Ferraço, fez duras cobranças e disse que a "Vale precisa ser enquadrada".
A insatisfação vem há algum tempo, mas a coisa vem piorando. A gota d'água se deu em conversas recentes mantidas por Casagrande e Ferraço junto ao Ministério dos Transportes e Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT). Uma série de estudos e documentações de responsabilidade da Vale, que já poderiam estar nas mãos dos técnicos dos órgãos reguladores, ainda não foram protocolados, isso acaba atrasando, por exemplo, o início das desapropriações. Serão mais de 700 ao longo do percurso de pouco mais de 80 quilômetros.
Na visão dos capixabas, o processo deveria ter sido acelerado principalmente em janeiro, quando Vale e governo federal fecharam a renegociação das concessões antecipadas de Carajás e Vitória-Minas, com o combinado de que a mineradora faria o ramal para Anchieta e, fundamentalmente, a partir de fevereiro, quando o Ministério dos Transportes fez o comunicado à ANTT de que haveria o investimento adicional. Mesmo que o trabalho da ANTT vá até outubro, quando deve sair a atualização do contrato de concessão, o trabalho poderia estar sendo adiantado em paralelo.
"Houve um compromisso da empresa em fazer esse ramal e isso não se concretiza. Estamos pedindo ao governo federal para tomar providências para que a obra aconteça. O Estado ficou com muita expectativa dessa obra pelo compromisso público da Vale e do governo federal. Vamos cobrar da Vale para que não protele mais", disse Renato Casagrande.
Em meados de 2023, em encontro público realizado no Palácio Anchieta, diretores da Vale apresentaram um cronograma de trabalho com as seguintes datas: julho de 2025, licenciamento e desapropriações entregues; julho de 2030, ferrovia pronta. Diante do não cumprimento, pelo menos do primeiro prazo, Ricardo Ferraço disparou, nesta terça-feira. “A Vale precisa cumprir a sua palavra. Nos foi apresentado um cronograma e os prazos não foram honrados. Estamos na expectativa de que o governo federal, responsável pela concessão, enquadre a Vale. A Vale precisa ser enquadrada”.
Se nenhuma intercorrência acontecer até lá, o encontro de abril marcará a primeira visita do CEO da Vale, Gustavo Pimenta, ao Espírito Santo desde que assumiu a companhia, em outubro do ano passado. Grande parte da infraestrutura logística (trecho da Vitória-Minas e o Porto de Tubarão) e industrial (seis pelotizadoras, uma usina de briquete em operação e outra para inaugurar) da mineradora ficam no Estado.
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