Na minha última coluna falei sobre a tabela Fipe. Contei sua origem e sua principal função no mercado que é servir como valor base para arrecadação do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) pelos estados.
Mas se a principal função da tabela Fipe, que é a mais conhecida no mercado, é para servir como base para arrecadação do IPVA, como você vai calcular o preço do seu carro?
É sobre esse assunto que abordo hoje.
É importante ficar esclarecido que eu não estou dizendo para abandonar a tabela Fipe e desconsiderá-la a todo custo. Na verdade, minha orientação é para não usá-la como principal fonte de pesquisa.
Saber quanto vale um automóvel vai muito além do que olhar um único valor num site ou app. Vários fatores precisam ser considerados que a Fipe não leva em conta. São eles:
- Tipo de uso (carro de locadora, trabalho, etc.);
- Mercado local (picapes, por exemplo, são supervalorizadas nas regiões Centro Oeste e Norte do país);
- Originalidade do veículo (o carro já foi batido, retocado ou tem sua pintura 100% original?);
- Quilometragem do veículo;
- Manutenções;
- Se o veículo em questão está sendo negociado por uma revenda ou por pessoa física;
- Quantidade de donos.
Perceba que, além do modelo do veículo, ano de modelo e versão, existem outros aspectos fundamentais para considerar na hora de precificar um automóvel.
O primeiro aspecto que você precisa saber na hora de calcular o preço do seu carro ou para checar o valor anunciado do carro que você deseja comprar é que o que sempre vale é o ano de modelo e nunca o ano de fabricação.
Já vi revendedores mal intencionados avaliarem carro de cliente considerando o ano de fabricação. Isso não tem o menor cabimento por um motivo óbvio, mas que fica esquecido muitas vezes. Vou explicar para você com um exemplo bem claro que vai te ajudar a entender essa situação.
Pense no Toyota Corolla. Em 2019, o veículo estava em sua 11⁰ geração que esteve em linha de 2013 a 2019. A 12⁰ geração começou a ser produzida em 2019, porém já sendo comercializada no mercado brasileiro o modelo 2020. Ou seja, as primeiras unidades do Corolla em sua 12⁰ geração eram 2019 (ano de fabricação)/2020 (ano modelo).
Agora é a parte mais importante para você entender: se um Corolla 2019/2019 é da 11⁰ primeira geração e um Corolla 2019/2020 é da 12⁰ geração, isto é, modelos completamente diferentes, como os dois podem ser precificados da mesma maneira, visto que são do mesmo ano de fabricação, porém de modelos distintos?
É simples: não podem ter o mesmo preço de mercado já que o que vale é sempre o ano de modelo e nunca o ano de fabricação.
Entendida essa situação de ano de fabricação/modelo, vamos falar sobre as fontes de pesquisa. Os principais sites para buscar preço de carros são três: OLX, Web Motors e Mercado Livre.
É importante você considerar as mesmas características do veículo em questão quando for fazer essa pesquisa. O recomendado é fazer uma média desses carros anunciados com a mesma média de quilometragem e da mesma versão. Dessa maneira, você tem uma base de quanto vale o veículo que está pesquisando.
Caso você ainda queira ter um norte de alguma tabela, temos a tabela KBB que é mais uma ferramenta. A partir dela é possível visualizar o preço dos automóveis sem você precisar fazer uma média. Nesse caso, você terá a opção de colocar o estado geral do carro, se a negociação é de loja para particular, particular para particular ou particular para loja. Além disso, a plataforma considera também a quilometragem do veículo a ser pesquisado.
Contudo, é importante destacar que para que você tenha uma média de preço mais próxima da realidade do mercado é fundamental você fazer sua própria pesquisa nos sites de vendas, inclusive considerando a região em que o veículo está.
Enfim, esses são os passos para que você saiba efetivamente quanto vale um carro usado ou seminovo. Espero que tenha gostado do conteúdo. Até semana que vem!
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