O vereador Júnior Corrêa (PL), de Cachoeiro de Itapemirim, anunciou em uma live que vai deixar o mandato e a sua pré-candidatura a prefeito para se tornar padre. Vereador mais votado na cidade em 2020 (2.519 votos), o bolsonarista, de 27 anos, obteve 37.756 votos em 2022 e se tornou o primeiro suplente de deputado federal pelo PL no Espírito Santo.
Militante conservador católico, Corrêa participou de dois retiros recentemente - o primeiro na passagem de ano em um mosteiro beneditino cistenciense trapista no interior do Paraná e o outro numa comunidade católica durante o carnaval, em Cachoeiro. As duas experiências espirituais, segundo ele, foram decisivas para que viesse a público agora anunciar sua desistência da vida pública para seguir o caminho do sacerdócio.
Em relação à sua opção de vida religiosa, Júnior Corrêa disse que pretende ser um padre religioso, ou seja, vinculado a uma ordem ou congregação, sem vínculo específico com uma diocese. Uma das opções, de acordo com o parlamentar, é a Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (dehonianos), do famoso padre Zezinho, de quem é admirador.
Apesar de ter anunciado que vai deixar a carreira política, Júnior Corrêa adiantou à coluna que não deve renunciar ao restante do seu mandato na Câmara de Cachoeiro. Ele diz que pretende se licenciar do cargo.
“Vou conversar com o meu suplente. A ideia é dar uma oportunidade para ele mostrar o seu trabalho de vereador para prestar contas na sua candidatura à reeleição”, diz Corrêa. “Vou retomar o mandato se for preciso, mas antes preciso consultar o regimento interno da Câmara para saber como agir nesse caso”, acrescenta.
MILITANTE BOLSONARISTA
O parlamentar, que tem forte atuação nas comunidades católicas, é identificado com Jair Bolsonaro e com as ideias que ele chama de “conservadoras”. Em suas redes sociais o vereador tem fotos com o ex-presidente, com o senador Magno Malta e com outros expoentes da extrema direita no estado e no país.
A coluna apurou que Júnior Corrêa era a maior aposta do Partido Liberal (PL) para ganhar uma prefeitura relevante no Estado. O partido, inclusive, diz ter pesquisas que mostram o vereador como favorito à sucessão do prefeito Victor Coelho (PSB), a quem Corrêa faz oposição. Coelho está no seu segundo mandato.
Além da vocação religiosa ter sido decisiva na sua decisão de deixar a política, circulam nos bastidores que Júnior Corrêa não estava satisfeito com a condução do PL no Estado por Magno Malta, apontado por alguns militantes liberais como “centralizador”.
Júnior Corrêa
Anunciando, numa live, que vai deixar a política para ser padre
"Nesses últimos meses passou muito na minha cabeça sobre o meu futuro político. Fiz um retiro de 15 dias em um mosteiro. E foi nesse retiro que tomei a decisão. Ao longo desse mandato, a cada desafio e cada vitória, Deus me preparava. Eu preciso voltar para o meu primeiro amor"
Indagado pela coluna sobre as divergências internas no PL no ES, o vereador se limitou a dizer que “teve um estresse” com o senador, mas disse que, nesta quinta-feira (15), faria uma live com Magno Malta..
Corrêa aproveitou para passar um recado: “Espero que essa minha saída da política contribua para que se reflita sobre a importância de se estabelecer um diálogo com outros partidos para fortalecer o projeto consevador no Espírito Santo”.
Sobre a possibilidade de retornar à política, o quase ex-vereador e futuro padre afirma que sua vocação religiosa é definitiva: “Eu preciso voltar ao meu primeiro amor”, afirmou, em referência à sua breve e primeira experiência como seminarista, há 10 anos.
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