O anúncio feito pelo governador Renato Casagrande (PSB), nesta segunda-feira (11), de que vai tentar a reeleição, não pegou ninguém de surpresa. O socialista, no entanto, adiou a declaração o quanto pôde.
Assim, manteve-se, ao menos publicamente, distante dos holofotes eleitorais, o que é uma faca de dois gumes, e preservou-se de ataques adversários à sua maneira, também poupou-se de ter que rebatê-los a todo momento.
E ainda rodou o estado todo realizando inaugurações e assinando ordens de serviço sem poder ser acusado, ao menos oficialmente, frise-se, de estar em pré-campanha usando a máquina pública. Não jogou tão parado, como a coluna já analisou, costurou alianças e agiu nos bastidores.
Deu agora, como o próprio Casagrande, definiu, um primeiro passo na campanha pré-eleitoral – a campanha mesmo começa apenas em 16 de agosto.
O tom desde já, é, como é de praxe por parte de quem quer um novo mandato consecutivo, de prestação de contas e louvação do que foi feito pela atual gestão e promessas de que "o melhor está por vir".
O governador elencou a gestão da pandemia de Covid-19 e investimentos em infraestrutura como legados da administração estadual, também mencionou a gestão fiscal e o primeiro lugar em transparência e acenou com os progressos que pretende implementar, se reeleito, com foco nas áreas da Educação e Segurança Pública e em programas sociais.
Casagrande até traçou uma meta: transformar o Espírito Santo em um dos cinco estados menos violentos do país.
O anúncio, em entrevista coletiva à imprensa, ocorreu em um hotel de Vitória, sem a presença de integrantes do governo ou de aliados políticos, com exceção do presidente estadual do PSB, Alberto Gavini, que é diretor presidente da Aderes (Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo).
O cenário político, no entanto, é bem diverso. O governador já tem um arco de alianças que vai do PP bolsonarista à chegada iminente do PT do ex-presidente Lula.
E ele afirmou que quer fazer a aliança mais ampla possível. Avaliou que a ideia de congregar no mesmo palanque siglas e personagens de espectro ideológico divergente é algo que dá certo, desde os tempos do ex-governador Paulo Hartung (sem partido), de quem foi aliado e passou a ser desafeto.
"A cultura de amplas alianças tem dado certo, como eu fiz e o ex-governador Paulo Hartung fez. Dá boa base na Assembleia Legislativa. Foi assim e com capacidade de dialogar, que o Espírito Santo virou referência. Vou fazer a aliança mais ampla que eu puder fazer", adiantou.
Isso também tem seus prós e contras. O socialista precisa se equilibrar entre os pleitos dos parceiros, para não perder ninguém.
As vagas de candidato a vice e ao Senado na chapa permanecem em aberto. PP, PSDB/Cidadania, PP, MDB, Podemos e também o PT estão de olho.
Quanto aos adversários, o agora oficialmente pré-candidato à reeleição afirmou que pretende fazer uma campanha de "alto nivel": "Vou continuar do jeito que sou, sem criar narrativas falsas contra adversários, vou respeitar todo mundo que for disputar".
Por enquanto, há vários interessados em disputar, a maioria no campo da centro-direita e da direita. A pesquisa Ipec mais recente, divulgada em maio, mostrou Casagrande em primeiro lugar, seguido, com mais de 30 pontos de diferença, pelo ex-deputado federal Carlos Manato (PL).
Empatado com Manato estava o senador Fabiano Contarato (PT), que deve ser retirado da disputa. O PT vai apoiar Casagrande e a aliança deve ser selada nesta terça-feira (12).
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