Acidentes com motos são problema a ser enfrentado e não estatística a se acompanhar

Em janeiro e fevereiro deste ano foram 58 vítimas fatais com moto no Estado, de acordo com os dados do Observatório da Segurança Pública do Espírito Santo, uma morte a mais que o mesmo período do ano passado. É quase um óbito por dia

Publicado em 25/03/2025 às 01h00
Colisão aconteceu na BR 101, em Conceição da Barra, Norte do ES
Motociclista morreu e duas pessoas ficaram gravemente feridas em acidente na BR 101 no domingo (23). Crédito: Leitor/AGazeta

Seja em vias urbanas, seja em rodovias, os acidentes envolvendo as motos não param de fazer vítimas no Espírito Santo. Neste domingo (23), em uma ocorrência na BR 101 envolvendo três veículos, o motociclista não resistiu. Um dia antes, no sábado (22), o cenário foi a Avenida Fernando Ferrari, em Vitória, quando um motociclista perdeu controle da direção e morreu após atingir um carro.

E quanto mais se fala da necessidade de mais segurança no trânsito, mais parece aumentar o caos. Flagrar cenas de imprudência de motociclistas nas ruas não é difícil, basta parar e observar qualquer avenida por alguns minutos. Avanço de sinal, alta velocidade, "grauzinhos" em vias movimentadas... a quantidade de infrações de trânsito é absurda. E nada acontece. Por outro lado, os condutores de veículos maiores tampouco dão trégua. Quem precisa ser responsabilizado?

Em janeiro e fevereiro deste ano foram 58 vítimas fatais com moto no Estado, de acordo com os dados do Observatório da Segurança Pública do Espírito Santo, uma morte a mais que o mesmo período do ano passado. É quase um óbito por dia. Esse número de 2025 representa 50,4% de todas as mortes no trânsito no bimestre.

Não é frear o uso das motos: elas facilitam a locomoção nos centros urbanos e também no interior, onde a cultura de conduzi-las sem habilitação ou sequer idade para tal ainda é muito forte. A questão é que há cada vez mais motos nas ruas, justamente pelas oportunidades econômicas que elas proporcionam, e é necessário que haja mais conscientização e fiscalização no seu uso.

É delivery, é transporte por aplicativo... as motos fazem parte da dinâmica das cidades de uma forma indissociável, mas é preciso um regramento mais robusto que acompanhe isso. Prefeituras e governo do Estado precisam olhar para esse crescimento tanto de frota quanto de mortes como um problema a ser enfrentado.

Motoclista de 37 anos morreu após colisão em traseira de veículo em Vitória
Motociclista de 37 anos morreu após colisão em traseira de veículo em Vitória, no sábado (22). Crédito: Reprodução

São necessárias ações preventivas a acidentes e corretivas também. Do contrário é assistir a um numero ainda maior de vidas perdidas. Sem falar no impacto dos custos com hospitalização, amputações, perda da capacidade de trabalho, entre outros.

Como foi dito neste mesmo espaço nesta segunda-feira (24), o próprio videomonitoramento nas vias poderia ser mais bem aproveitado para as fiscalizações. O cidadão, que a todo momento flagra essas infrações, lamenta com razão esses comportamentos recorrentes no trânsito não serem penalizados. Acaba sendo um efeito dominó: se todo mundo faz o que é errado, o trânsito é contaminado, é um salve-se quem puder. Vale para os motociclistas,  vale para todos os condutores indisciplinados.

As motonetas e as bicicletas elétricas são mais dois elementos a aumentar o caos, caso não haja mais rigor estatal contra o mau comportamento no trânsito. Não é impedir que elas circulem, tampouco as motos, é organizar essa circulação. E isso precisa estar entranhado nas pessoas, pois só elas são  capazes de melhorar ou piorar o tráfego. E são também as pessoas que vão continuar morrendo, se uma nova mentalidade não for construída em sociedade.

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