Fios de cobre: prisão de receptadores deixa comércio ilegal por um fio

É sob pressão constante das forças de segurança que esse crime que cresceu tanto desde a última década deixará de ser lucrativo

Publicado em 01/04/2025 às 01h00
Operação policial na Serra culminou na apreensão de 2,5 toneladas de fio de cobre que teriam sido roubados para comercialização
Operação policial na Serra culminou na apreensão de 2,5 toneladas de fio de cobre que teriam sido roubados para comercialização. Crédito: Divulgação/PCES

Voltando ao passado, é possível perceber a evolução de uma estratégia de segurança pública. Em março de 2021, um editorial abordou uma verdadeira epidemia que ocorria paralelamente à pandemia de Covid-19: a de furto de fios de cobre, justamente pela falta do material no mercado durante a crise sanitária

"Sem um forte trabalho de investigação, que mapeie pontos de coleta, quadrilhas, receptadores, ferros-velhos clandestinos e empresários que dão ar de legalidade ao material, as detenções vão se limitar às formigas operárias, enquanto carretas com toneladas de cobre roubado vão continuar a circular pelas rodovias do país", defendia o texto.

Quatro anos depois, a pandemia é coisa do passado, mas o furto de fios segue sendo um problema de segurança pública que afeta a vida das pessoas e a organização urbana. É possível afirmar, contudo, que o seu enfrentamento está mais organizado. No sábado (29), uma operação da Polícia Civil e da Guarda Municipal da Serra apreendeu cerca de 2,5 toneladas de fios de cobre que teriam sido furtados ou roubados de empresas de telefonia que atuam na Grande Vitória. Uma das maiores apreensões registradas.

Em meio à prisão de quatro "formigas operárias", quatro pessoas em situação de rua que foram autuadas por receptação simples, houve a prisão de um peixe graúdo: a proprietária de um ferro-velho em Vitória, que foi autuada pelo crime de receptação qualificada. O envolvimento dela com a organização criminosa que praticou os furtos será investigado. E é assim, desenrolando esses fios, que esquemas criminosos podem ser de fato desbaratados.

As 2,5 toneladas de fios foram encontradas em um local de difícial acesso enquanto a guarda fazia buscas por um carro roubado, ou seja, por acaso. Mas a estratégia de perseguir quem pratica a recepção pode ser comprovada pela Operação Vastum, coordenada pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp). Em fevereiro passado, foi realizada a 5ª fase, com a apreensão de 320 quilos de fios metálicos em Cariacica. Essa operação foi criada em 2022 pela Polícia Civil, com a apreensão de mais de 2 toneladas de material furtado. 

No ano passado, o Comitê Permanente Integrado de Repressão aos Furtos e Receptação de Fios de Cobre, reunindo as forças de segurança da Sesp, o  Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Espírito Santo (Prodest) e empresas de telefonia e concessionária de energia elétrica, passou a atuar de forma integrada. Mais uma ação importante de enfrentamento, que pode colher frutos.

É um combate que exige a regularidade dessas operações, pautadas por ações de inteligência que monitorem para onde esse material é encaminhado, desvelando atravessadores e receptadores que serão capazes de chegar aos empresários que conseguem comercializar o metal roubado dentro da lei. Portanto, a própria sociedade também tem um papel fundamental, não comprando ou negociando o fruto desses furtos. É interrompendo essa cadeia, sob pressão constante das forças de segurança, que esse crime que cresceu tanto desde a última década deixará de ser lucrativo.

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