Para reduzir a disseminação do novo coronavírus no mundo, a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é para que as pessoas fiquem em casa. Seguindo essa orientação, o movimento nas ruas do Espírito Santo já diminuiu nas últimas semanas. Contudo, isso tem afetado o trabalho de ambulantes que, sem renda, já não têm o que comer.
Ester mora em Flexal 2, Cariacica, com oito filhos. Antes da pandemia do novo coronavírus, ela vendia balas na Grande Vitória. Com a falta de movimento nas ruas, ela não consegue mais trabalhar e depende da ajuda de vizinhos para alimentar a família. Mesmo assim, a comida é insuficiente.
"A gente vai tomando água para passar a fome. E aí eu deixo para eles (filhos) comerem", contou Ester, que nesta quarta-feira (01), possuía apenas um pacote de biscoitos para dividir com os filhos.
No mesmo bairro de Ester, outros moradores também passam dificuldades durante a pandemia. Parte do grupo de risco atingido pela doença Covid-19, a catadora de recicláveis Maria da Penha, 60 anos, tem procurado ficar em casa o máximo possível.
Mas a falta de dinheiro faz com que ela se arrisque três vezes na semana para trabalhar. Nos últimos 15 dias, ela conseguiu coletar uma quantidade de material que deu a ela uma renda de R$ 200, metade do que ela costumava fazer. Com a renda reduzida, ela precisava escolher com o que gastar.
"Ou eu pago a luz ou eu como, porque a luz é cara. Hoje eu estou optando por comer", disse Penha, que já não sabe até quando a comida que tem na geladeira vai durar. "Depois eu peço comida por aí", completou.
Em meio às dificuldades, atos de solidariedade são encontrados em Flexal 2. Para ajudar os moradores do bairro, a costureira Rosângela dos Santos e o marido resolveram fazer sabão em barra. Eles já produziram oitenta unidades e vão distribuir à população carente do bairro.
O Instituto Aprender Cultura resolveu se unir na corrente de solidariedade e preparar kits de higiene para distribuir na comunidade. Com as doações que receberam, eles já fizeram 466 kits e buscam conscientizar as pessoas da importância da higienização.
"A meta é conversar, tanto nas oficinas que a gente realiza, tanto com as pessoas na rua para passar a prática de lavar mão e se prevenir, atos que só dependem da gente", declarou Hinderson da Conceição, orientador do Instituto.
Quem quiser ajudar as famílias de Flexal 2, em Cariacica, pode entrar em contato com o Aílton, uma das lideranças na região. O telefone para contato é (27) 99607-9398.
*Com informações da TV Gazeta
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