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Operação Turquia

Novos documentos mostram "contabilidade" do esquema de tráfico com policial do Denarc

Material encontrado no celular do policial Eduardo Tadeu, do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc), apontado pelo Ministério Público como chefe da organização criminosa, mostra a prestação de contas entre os envolvidos
Caroline Freitas

Publicado em 

31 mar 2026 às 20:00

Publicado em 31 de Março de 2026 às 20:00

Polícia
Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc) do Espírito Santo Crédito: Reprodução/TV Gazeta
Novos documentos da Operação Turquia, que investiga um grande esquema de tráfico de drogas com participação de agentes públicos, revelaram como policiais suspeitos de corrupção faziam o controle da contabilidade do narcotráfico no Espírito Santo. As informações foram obtidas com exclusividade pela TV Gazeta.
Material encontrado no celular do policial Eduardo Tadeu, do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc), apontado pelo Ministério Público como chefe da organização criminosa, mostra a prestação de contas entre os envolvidos.
Nas conversas contidas no aparelho, há fotos de maços de dinheiro e comprovantes de pagamento. Em uma das mensagens, Tadeu conversa com o traficante Eduardo Dias Galdino — identificado como JP, segundo o MPES —, que acerta o pagamento de R$ 27 mil e ainda diz que vai "faltar um pouquinho". Logo em seguida, o traficante ainda manda uma foto com maços de dinheiro num carro.
Os documentos também indicam transferências diretas para contas, que, segundo as investigações, são ligadas ao esquema. Em um único dia, há envio de comprovantes de pagamentos em sequência de até R$ 15 mil.

Compra de veículos e movimentação milionária

A denúncia aponta ainda para a compra de bens de alto valor em nome de terceiros. Entre eles, caminhões e equipamentos. Outro fato que chamou a atenção da força-tarefa de combate ao crime organizado foi que, em apenas cinco meses, Eduardo Tadeu comprou quatro veículos.
Todas essas movimentações foram vistas como incompatíveis com o salário de policial civil. Mesmo recebendo em média R$ 12 mil por mês, Eduardo teria movimentado aproximadamente R$ 1 milhão nesse período, de acordo com o MP.

Pagamentos a outro policial

No celular de Eduardo também aparece a anotação “ER 140 mil”. Para os investigadores, "ER" é uma referência ao policial civil Erildo Rosa Júnior, que também foi preso no dia 18 de março, na segunda fase da Operação Turquia. O valor indica mais um pagamento ligado ao esquema, segundo a denúncia.
Em outra conversa, Erildo informa alguns pagamentos para Eduardo, todos feitos pelo traficante FK. Segundo a denúncia, foram R$ 4 mil em 04 de julho do ano passado. No dia 15, mais R$ 3.500. Dez dias depois, ele informou o pagamento de mais R$ 9 mil.
Nas conversas obtidas pela investigação, Erildo também aparece comentando uma apreensão em que a Polícia Militar chegou antes do grupo. Ele lamentou a situação e demonstrou frustração diante do fato.
Em uma troca de mensagens com a esposa, Erildo comentou: "Ia sair agora, mas não vou mais. A PM prendeu na nossa frente". Diante disso, a esposa respondeu: "Vocês fazem o serviço pra eles sempre", "são muito fraquinhos vocês".
Erildo reclamou em seguida: "Tô cansado dessa vida, fico rico, fico pobre, fico rico, fico pobre... Somos fracos, não... somos cautelosos, às vezes dá errado" e finalizou: "somos bons demais".
Apesar das mensagens, a esposa do policial não foi indiciada, porque o Ministério Público não encontrou indícios de participação dela no esquema.

O outro lado

Polícia Militar informou que 14 investigados estão presos preventivamente e afirmou que não concorda com condutas ilícitas de seus integrantes.
A defesa de Eduardo Tadeu informou que tomou conhecimento das medidas cautelares recentemente determinadas no curso da investigação conduzida pela Polícia Federal, que resultaram no afastamento funcional de alguns investigados.
Disse que a apuração ainda se encontra em andamento, com diligências investigativas pendentes, e reiterou que todos os esclarecimentos necessários serão prestados no momento oportuno.
O advogado de Erildo Rosa afirmou que aguarda acesso completo aos dados da investigação e disse que não há elementos concretos que comprovem participação do cliente em organização criminosa.

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