Uma boa filha, irmã e, acima de tudo, uma boa mãe. Essas eram características de Joyce Moura dos Santos, de 20 anos, também descrita por familiares como uma jovem com “jeito de criança”, amável, carinhosa e bondosa. Ela estudava por meio do Ensino de Jovens e Adultos (EJA) para concluir o ensino médio e sonhava em se profissionalizar como maquiadora.
Recentemente, havia conseguido um novo emprego e fazia planos para colocar sua filha, de apenas três anos, na escola. Joyce imaginava, com ansiedade, os materiais que compraria e em qual unidade a criança estudaria. Esses sonhos, no entanto, foram interrompidos. A jovem foi brutalmente assassinada com golpes de faca e pedaços de concreto, na frente da filha. O crime aconteceu no bairro Itacibá, em Cariacica, na tarde do último domingo (23), e o principal suspeito é o ex-companheiro.
Ingrid Moura, irmã mais velha da vítima, afirma que Joyce tinha como prioridade oferecer uma boa vida à filha. Independentemente da condição financeira da família, ela trabalhava para dar tudo do bom e do melhor para a menina, de acordo com Ingrid. Além disso, valorizava muito os momentos com a família e se preocupava com todos ao seu redor.
Ingrid Moura
Irmã de Joyce
"Meu aniversário foi no começo do mês e, mesmo eu dizendo que não precisava de nada, ela conversou com minha mãe e deu um jeito de fazer um bolinho. Sempre arrumava um jeito de passar um tempo com a família. A voz da minha irmã era doce. Ela não via maldade nas pessoas e amava espalhar o bem, independentemente de conhecer ou não a pessoa"
Considerada “pau para toda obra” por amigos e familiares, nas palavras da irmã, Joyce estava sempre disposta a ajudar. Um simples almoço se transformava em um momento feliz ao seu lado. Ingrid relata que, ao receber a notícia do assassinato, não conseguiu dormir, relembrando a voz e a risada da jovem.
A filha do casal testemunhou o assassinato da mãe e foi encaminhada ao Conselho Tutelar. Atualmente, está sob os cuidados da tia e da avó. A família tenta evitar que a menina reviva o trauma, buscando distraí-la com atividades, pinturas e brincadeiras.
Ingrid Moura
Irmã de Joyce
"Minha sobrinha é uma criança muito inteligente. Ela sabe o que aconteceu com a mãe. Quando fui buscá-la no Conselho, fui recebida com um abraço e, logo em seguida, ela me olhou e falou: ‘Titia, papai matou a mamãe com a faca’. Isso me destruiu. Estamos fazendo de tudo para amenizar o que ela passou"
A família afirma que não consegue mensurar a dor da perda, tanto que a mãe ainda não assimilou a perda da jovem. No momento, o que os mantêm de pé é a filha de Joyce. “Ela é nosso foco principal agora. Precisa de todo o apoio e cuidado possível”, disse.
O relacionamento
A família de Joyce chegou ao Espírito Santo vinda de Sergipe há pouco tempo, em busca de novas oportunidades de trabalho. No entanto, grande parte dos parentes ainda reside no Estado de origem.
Joyce não tinha muitos amigos no Espírito Santo e, quando saía, costumava ir para a casa da família ou acompanhar o ex-companheiro, Domingos Vieira dos Santos, de 32 anos, principal suspeito do crime.
O relacionamento começou quando a jovem tinha 14 anos. Inicialmente, a família não aprovava a relação, mas acabou aceitando. Segundo Ingrid, Domingos sempre foi uma pessoa agressiva. Apesar dos alertas da família, Joyce continuava perdoando os comportamentos abusivos do companheiro.
O relacionamento terminou seis dias antes do assassinato. Domingos chegou a ser preso após agredir e xingar a jovem durante uma discussão em um bar. Ele passou por audiência de custódia e foi liberado sem precisar pagar fiança. Joyce solicitou uma medida protetiva, e ele estava proibido de se aproximar dela.
Família pede respeito e faz alerta
Durante o assassinato, vídeos foram gravados e divulgados sem o consentimento da família. Ingrid conta que os parentes que ainda moram em Sergipe souberam da pior forma possível: pelas imagens compartilhadas nas redes sociais.
Ela também deixa um alerta para outras mulheres.
Ingrid Moura
Irmã de Joyce
"Escutem mais os conselhos da família e da sua mãe. Veja se vale a pena arriscar sua vida. Tudo começa com um grito"
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