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Sob chuva e sol, escolas do grupo especial alegram Sambão em busca do título

Sob chuva e sol, escolas do grupo especial alegram Sambão em busca do título

Sete agremiações se apresentaram entre a noite deste sábado (22) e a manhã do domingo (23) na disputa pelo título de campeã do carnaval capixaba

Publicado em 23 de fevereiro de 2025 às 08:39

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O segundo dia do Carnaval de Vitória foi marcado por apresentações grandiosas e animadas das sete escolas do Grupo Especial que disputam o título de melhor agremiação em 2025, mas teve muita chuva, durante a noite e madrugada, afetando o desempenho das escolas. Nos intervalos, o temporal até deu trégua, mas deixou a pista molhada e dificultou a evolução de componentes de agremiações, tanto que algumas quedas foram registradas na avenida. Carros alegóricos também tiveram problemas, mas nenhum deixou de atravessar o Sambão do PovoPor fim, no fim da festa o sol forte prevaleceu, com o público conferindo o encerramento.

Se a chuva atrapalhou de um lado, de outro ela não tirou a animação do público, que acompanhou as escolas até o amanhecer. As baterias ditavam o ritmo e a plateia retribuía com samba e gritos entusiasmados para as agremiações. Confira alguns destaques entre a noite de sábado (22) e a manhã deste domingo (23). 

Jucutuquara levou coração para a avenida 

Primeira escola a se apresentar no sábado (22), a Unidos de Jucutuquara levou para a avenida o enredo "Pulsar da vida". A escola encarou uma chuva breve no início da sua passagem e teve problema com um dos carros alegóricos, mas entregou uma apresentação que levantou o público.

A Coruja abriu o desfile com um abre-alas de 30 metros de comprimento que coloriu a avenida de vermelho e prata, apresentando o coração como máquina da vida. O “pulsar” do enredo vem marcando a presença com o jogo de luzes no carro e nas fantasias.

Um dos momentos emocionantes do desfile da Coruja aconteceu ainda na concentração. Marisa Fernandes Barcelos, 64 anos, conhecida como Marizão, integrante da velha guarda que foi a primeira-porta bandeira da Jucutuquara, foi bastante aplaudida enquanto subia no último carro da escola.

Outra apresentação de destaque foi da integrante mais velha as baianas. Dona Eva Rocha, de 77 anos, abriu a ala das baianas sendo levada de cadeira de rodas. Não faltou animação e interação, com muitos beijos enviados para a plateia. 

O terceiro carro alegórico da escola, "Explode Coração", lembrando enredos que emocionaram outros carnavais, enfrentou problemas técnicos logo no início dos desfiles. Com isso, três alas tiveram que passar à frente dele. O terceiro carro também enfrentou problemas, tendo ficado agarrado a uma câmera da transmissão. A escola fechou com uma hora, quatro minutos e 33 segundo. Como o limite é de 62 minutos, o presidente Ewerton Fernandes disse que vai enviar um recurso para a liga pelo ocorrido.

Chegou o que faltava valorizou manguezal

A Chegou o que Faltava foi a segunda escola a desfilar no Carnaval de Vitória no sábado. A escola enfrentou chuva durante todo o desfile. Com o enredo "Da lama sai muito barulho", a agremiação valorizou o manguezal e a região de Grande Goiabeiras, com homenagem às paneleiras, ao congo, além de recuperar festividades locais que se perderam ao longo do tempo.

No início do desfile, o abre-alas da escola apresentou ao público a história do mangue. Na composição, elementos como caranguejos, peixes e garças. O mangue também foi representado na alegoria como fonte de sobrevivência. O tripé da comissão de frente, representando a ancestralidade africana, encantou o público, soltando fumaça quando se abria. A alegoria foi um dos destaques na passagem da agremiação pela avenida.

Contudo, a pista molhada dificultou a locomoção dos carros alegóricos, provocando tumultos em algumas alas da escola. A beleza e o brilho de parte das fantasias acabaram ficando comprometidos pela água da chuva. Apesar do imprevisto, os primeiros minutos do desfile da Chegou o que Faltava não apresentou falhas graves.

Esbanjando ginga, simpatia e beleza, o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, formado por Marcel Souza e Malu Nobres, levantou o público durante sua passagem. Carismáticos, eles representavam a criação, no enredo elaborado pela escola. O principal ornamento usado pela dupla era é a panela de barro, símbolo da cultura capixaba.

O último carro da escola, com 15 metros de comprimento, 8 metros de largura e 9 de altura, foi uma grande homenagem ao ofício das paneleiras, destacando o processo de confecção das panelas de barro. Ao final do desfile, esse carro emperrou e precisou da ajuda de membros da escola para sair do lugar e ser levado à dispersão. A escola conseguiu completar o percurso em 60 minutos.

Unidos da Piedade celebrou orixá

Com um desfile marcado pela forte chuva, a Unidos da Piedade atravessou o Sambão do Povo levando alegria ao cantar o enredo "Ibeji". A tradicional e mais antiga escola do Carnaval de Vitória levou para a avenida uma homenagem a esse orixá, que representa a criança e a fertilidade. 

A agremiação abusou das cores e das brincadeiras infantis para contar a sua história, e ainda contemplou o público com a distribuição de balas, numa referência à festa de São Cosme e Damião — famosa pela tradição de se distribuir doces. A plateia vibrou nessa hora, mas levantou e cantou com a Piedade em vários outros momentos da apresentação. 

Com grandes estruturas, os carros alegóricos foram um destaque no desfile da Piedade. Em um deles, a presença do lendário intérprete da escola Edson Papo Furado e de Zilda Aquino, dona do Bar da Zilda, no Centro de Vitória. Na alegoria que fechou o desfile, um carrossel de personagens infantis e vários gêmeos, como era a proposta do enredo. 

As crianças, como linha condutora do enredo, se destacaram em vários momentos: na comissão de frente, na bateria, como casal de mestre-sala e porta-bandeira e até com uma ala todinha para elas — a propósito, muito aplaudida pelo público. A Piedade fez o desfile em pouco mais de uma hora, mas dentro do tempo regulamentar. 

MUG exaltou São Jorge

Quarta escola a entrar na avenida, a Mocidade Unida da Glória (MUG) entrou na avenida às 2h24, com chuva,. A agremiação levou para a avenida o enredo "O guerreiro da capa encarnada, Jorge do povo brasileiro".

A escola começou o desfile com o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira atrás da comissão de frente. Alas das comunidades e das baianas também vieram antes do abre-alas, que representa o altar para o santo homenageado, com cavalos à frente representando a sua coragem. Ao longo do desfile soltou fumaça, animando o público.

Mais de 20 mil espadas de São Jorge estão em fantasias e alegorias ao longo do desfile. Também chamaram a atenção ao longo do desfile alas coreografadas, como a das oferendas, que vinha logo atrás da bateria, chamou a atenção do público.

Com tempo para fechar o desfile, a bateria aproveitou os últimos minutos pra agitar os foliões com muitas paradinhas. A escola finalizou o desfile com uma hora, um minuto e nove segundos, saindo da passarela do samba aos gritos de "é campeã".

Novo Império celebrou boêmia de Vitória

A Novo Império foi a quinta escola do Grupo Especial a pisar no Sambão do Povo, em Vitória, na madrugada deste domingo (23). A agremiação entrou na disputa com o enredo “As voltas que a vida dá ”, fazendo uma viagem ao passado para celebrar e recordar os anos de ouro da boêmia na Capital. As cores branco, azul e rosa tomaram conta do figurino da comissão de frente da escola.

A escola bebeu em diversas fontes de inspiração, o que ficou claro em sua passagem na avenida. O tripé da comissão de frente, por exemplo, trouxe símbolos místicos, entre eles cristais ornamentando o símbolo do grupo.

Já a ala das baianas deixou a avenida completamente iluminada, com a forte presença da cor prata na fantasia das componentes da ala. O segundo carro alegórico, chamado Papos de Botequim, levou luxo à avenida com seus 18 metros de comprimento, 11 metros de altura e 8 metros de largura. Representando os jogos de azar, a alegoria empolgou o público durante sua passagem.

A ala das passistas da Novo império coloriram de rosa o Sambão. Mais à frente, a ala das crianças levou fofura e muita cor para a avenida. A passagem dos pequenos encantou o público dos camarotes e das arquibancadas. Empolgados, os jovens sambistas retribuíram a recepção calorosa com acenos e sorrisos.

O último carro a alegórico atravessa a avenida marcando um desfile cadenciado e ritmo bem controlado pela escola. A alegoria se chama A Dama da Noite. A escola terminou o desfile em uma hora, dentro do limite para não sofrer penalizações.

Independente de Boa Vista

A Independente de Boa Vista amanheceu no Sambão do Povo com um desfile iluminado para retratar a vida e obra do fotógrafo Sebastião Salgado. Mesmo de manhã, ficaram em evidência alguns efeitos de luz, elemento fundamental na fotografia. 

Com o enredo "Os olhos do mundo: assombros de Sebastião Salgado", a agremiação levou para a avenida fotos eternizadas pelas lentes do mestre e, ainda, várias abordagens que o fotógrafo retratou durante sua trajetória, como a Amazônia e a Serra Pelada, em alegorias impressionantes. 

O Movimento dos Trabalhadores sem Terra também já foi capturado pela sensibilidade de Salgado com foco no social, e estava no desfile representado em alas, assim como serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde e o Médico sem Fronteiras. 

Penúltima escola a entrar na avenida, a bateria Águia Furiosa conseguiu animar o público que ainda resistia às longas horas no Sambão. A Boa Vista encerrou o desfile com pouco mais de uma hora, dentro do tempo exigido no regulamento. 

Imperatriz do Forte

A Imperatriz do Forte fecha o desfile das escolas do Grupo Especial na manhã deste domingo (23) no Sambão do Povo, em Vitória. A agremiação iniciou a apresentação já sob sol forte, mas não faltou animação dos integrantes para apresentar o enredo  "Só quem sabe onde é Luanda, saberá lhe dar valor", homenageando a cidade africana, capital de Angola, mostrando na avenida as riquezas da região.

A agremiação levou para a avenida fantasias bem coloridas, que se destacam no desfile já à luz do dia. Antes do abre-alas entraram na passarela do samba o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira e duas alas, incluindo a das baianas. Uma das baianas estava sendo levada de cadeira de rodas.

Um dos destaques foi a  mestra Maria Laurinda, de 82 anos, e sua irmã Dona Ilinha, da comunidade quilombola de Monte Alegre, em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, que estavam à frente do tripé que remete a festas populares. A Imperatriz fechou o desfile em 1 hora e 32 segundos. Com o Sambão já esvaziado, mas com o tradicional arrastão dos foliões na passarela do samba.

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