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BC sobe juros para 14,25% ao ano, maior patamar desde outubro de 2016

BC sobe juros para 14,25% ao ano, maior patamar desde outubro de 2016

Copom sinaliza mais um aumento da taxa na próxima reunião, em maio, porém de magnitude menor que um ponto porcentual

Publicado em 19 de março de 2025 às 19:11

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Cícero Cotrim, Célia Froufe e Sandra Manfrini

BRASÍLIA - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumentou a taxa básica de juros (Selic) em um ponto porcentual nesta quarta-feira (19), de 13,25% para 14,25% ao ano – seguindo o plano de voo para conter a inflação sinalizado em dezembro e reforçado na reunião anterior, em janeiro. A decisão foi unânime.

Com a decisão desta quarta (19), o Copom colocou os juros no mesmo patamar registrado na crise econômica deflagrada no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que sofreu impeachment em agosto de 2016. Trata-se do maior nível nominal dos juros desde outubro de 2016, já com Michel Temer na presidência.

O Copom já sinalizou que esse patamar deve ser superado na próxima reunião, em maio, com uma nova elevação da taxa, porém menor. “Diante da continuidade do cenário adverso para a convergência da inflação, da elevada incerteza e das defasagens inerentes ao ciclo de aperto monetário em curso, o Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, um ajuste de menor magnitude na próxima reunião”, diz o comunicado.

O colegiado atribuiu a elevação da taxa de juros ao cenário mais recente, que é marcado por projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Isso, conforme a cúpula do BC, exige uma política monetária mais contracionista.

“Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho tem apresentado dinamismo, ainda que sinais sugiram uma incipiente moderação no crescimento”, pontuou a cúpula da instituição.

Banco Central
Banco Central aumentou a taxa Selic pela quinta vez seguida. (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Esta é a quinta alta seguida da Selic, sendo a terceira de um ponto porcentual.

Desde setembro, o BC já aumentou a Selic em 3,75 pontos – o segundo maior ciclo de alta dos últimos 20 anos, empatado com os ciclos finalizados em março de 2005 e abril de 2014 e perdendo apenas para a alta de 11,75 pontos entre março de 2021 e agosto de 2022, que ocorreu após o fim da pandemia.

Apesar da alta de um ponto na Selic, o Brasil caiu da segunda para a quarta posição no ranking dos maiores juros reais (descontada a inflação) elaborado pelo site MoneYou, com 8,79%. O País fica atrás da Turquia (11,90%), Argentina (9,35%) e Rússia (8,91%), e à frente de Indonésia (6,48%).

O BC calcula que a taxa real neutra de juros do Brasil – que não estimula, nem deprime a economia – é de 5%.

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