No dicionário, a palavra fome significa “sensação que traduz o desejo, necessidade de comer”. Para André Alves da Silva, de 59 anos, representa uma dor e uma preocupação com o bem-estar dele e de sua família.
Segurando um cartaz, ele pede ajuda aos motoristas que param no semáforo da Avenida Américo Buaiz, em frente à Praça da Ciência, em Vitória.
André é viúvo, pai de três filhos e está desempregado. Ele mora em uma casa alugada no bairro Areinha, em Viana, com dois filhos e dois netos.
Há cinco anos, ele trabalhava como ajudante em uma empresa que faz calçamento de ruas, mas ficou desempregado.
Há um ano, decidiu vender água mineral no mesmo local onde é encontrado atualmente. Com as vendas baixas, começou a pedir doações.
Ele conta que a filha dele, uma jovem de 23 anos, passou a cuidar de duas crianças durante a pandemia da Covid-19. Mas ela ficou desempregada durante a pandemia e ainda está em busca de uma oportunidade de trabalho.
"Ela adotou duas crianças de 5 e 6 anos de idade durante a pandemia porque elas já estavam passando dificuldade. Só que aí ela ficou desempregada e agora está todo mundo lá em casa. Moramos em cinco pessoas", revela.
Série de reportagens sobre a fome publicadas em A Gazeta mostrou estudos que apontam que a realidade de André Alves é comum para pelo menos 233 mil capixabas que vivem com até R$ 425 mensais, conforme indicadores do Banco Mundial.
Segundo um estudo conduzido por Daniel Duque, pesquisador da Economia Aplicada do FGV/Ibre, a pobreza vem aumentando no país desde 2015, mas a pandemia da Covid-19 acelerou o processo de empobrecimento da população brasileira.
Particularmente no Espírito Santo, Daniel Duque viu o nível de pobreza passar de 22,4% para 27,6% da população entre 2019 e 2021. Isso significa dizer que, de 1,1 milhão de pobres no Estado, 233 mil ingressaram nesse estrato social nos últimos dois anos e vivem com até R$ 425 mensais.
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