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Entenda por que moradores de Viana receberão meia dose de vacina

Entenda por que moradores de Viana receberão meia dose de vacina

A medida faz parte do projeto "Viana Vacinada", que prevê imunizar contra a Covid 85% dos moradores do município de 18 a 49 anos

Publicado em 4 de junho de 2021 às 19:50

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Vacina de Oxford
Moradores de Viana serão imunizados com meia dose (0,25 ml) da vacina Astrazeneca. (Carlos Alberto Silva)

Em um projeto pioneiro no Brasil, cerca de 35 mil moradores de Viana, de 18 a 49 anos, poderão ser imunizados contra a Covid-19 no próximo dia 13, um domingo. A vacinação em massa faz parte de um estudo internacional que será desenvolvido, denominado “Viana Vacinada”. 

A iniciativa combina vacinação com meia dose (0,25 ml) da Astrazeneca no público definido, além de acompanhamento da resposta imune e sequenciamento genético do novo coronavírus. A estimativa é redução de 60% da incidência de novos casos ao longo de seis meses, a partir de 28 dias após aplicação da segunda dose. Isso também reduziria número de internações e óbitos pela doença.

O anúncio foi feito na tarde desta sexta-feira (4) durante uma coletiva de imprensa realizada no Palácio Anchieta, em Vitória. O governador Renato Casagrande destacou que o trabalho em Viana será uma confirmação dos estudos feitos pela Astrazeneca, que já indicaram que a aplicação da meia dose é capaz de fazer com que o organismo crie anticorpos contra o vírus Sars-CoV-2.  

ESCOLHA DE VIANA

"No caso específico de Viana, podemos levar essa imunidade para toda a cidade, salvando a vida da população do município. Nesse trabalho de pesquisa, vamos otimizar os recursos ao utilizar a metade da dose padrão, podendo ter mais vacinas disponíveis para a imunização. Viana é um município de porte médio, com capacidade de vacinar toda a população definida em um só dia, além de fazer parte da Grande Vitória, tendo uma boa logística para o monitoramento de toda a pesquisa", afirmou o governador.

O governo do Estado explicou que por se tratar de um trabalho de pesquisa, após a aplicação da segunda dose – 12 semanas depois da primeira dose – será feito um processo de amostragem para a comprovação da imunidade ao vírus.

DOSE DE REFORÇO, SE NECESSÁRIO

Caso os vacinados não tenham adquirido imunidade, os participantes receberão dose de reforço e ficarão imunizados. "Ou seja, participar da pesquisa será benéfico porque ficarão imunizados de toda forma", reforçou o governador.

REDUÇÃO DE CASOS

A coordenadora do projeto científico, a pós-doutora em Reumatologia, Valéria Valim, observou que os estudos relacionados à utilização de meia dose da Astrazeneca apontam redução do número de casos confirmados entre os imunizados. 

"O que se observou foi uma redução de casos de 90% nos indivíduos que receberam a meia dose, 62% naqueles que receberam dose plena. Quando foi feita a média de todos os indivíduos, foi uma média de 70%. O estudo mostra que a meia dose é capaz de estimular o sistema imunológico e desenvolver anticorpos de proteção. A diferença de resultado pode estar relacionada ao intervalo da dose de reforço", ponderou a reumatologista.

Anúncio foi feito no Palácio Anchieta, em Vitória, nesta sexta-feira (4). (Isaac Ribeiro)

COMO VAI FUNCIONAR

O acesso à imunização, segundo o prefeito da cidade, Wanderson Bueno, será on-line, por intermédio do site da prefeitura, pelo link vianavacinada.saude.es.gov.br, onde as pessoas poderão fazer o agendamento. A imunização ocorrerá em 35 pontos de vacinação na cidade. Os detalhes serão informadas em uma entrevista que será anunciada oficialmente pela Prefeitura de Viana.

A reumatologista Valéria Valim detalhou que os moradores que ainda não tenham recebido nenhuma dose de vacina para Covid-19 receberão duas doses, com intervalo de 12 semanas entre elas, de metade da dose padrão. A participação no estudo é voluntária e o cidadão vianense que quiser participar deverá assinar um Termo de Consentimento antes de receber a primeira dose da vacina.

A população será acompanhada por um ano para observar a efetividade da vacina produzida pela Fiocruz. Os pesquisadores querem observar, por exemplo, a redução de casos e de mortes por Covid-19 após a imunização. Com bases em estudos preliminares, a expectativa é a de que a metade da dose padrão seja suficiente para produzir anticorpos e células de defesa e reduzir 60% da incidência de Covid-19, ao longo de seis meses após a vacinação.

Aspas de citação

Vamos analisar casos novos de Covid-19. Os participantes serão monitorizados em relação a sintomas respiratórios, sintomas suspeitos de Covid. Nessas pessoas vamos também analisar qual é o tipo de coronavírus, se é alguma cepa variante

Valéria Valim
Coordenadora do projeto científico
Aspas de citação

Do total de voluntários, 600 serão escolhidos aleatoriamente e terão o sangue coletado antes e após receberem as doses. Com esse material, os pesquisadores vão analisar os títulos dos anticorpos por diferentes técnicas, estudar as células para identificar se elas desenvolveram capacidade de resposta imunológica. O grupo também avaliará o surgimento de efeitos colaterais. 

"Vamos monitorizar qualquer efeito colateral que o indivíduo tenha. Esses efeitos geralmente são mais frequentes nos primeiros sete dias. Até 40 dias depois também tem alguns outros efeitos, mas muito menos frequentes. Sete e 28 dias após a primeira e segunda dose também haverá um questionário sobre os efeitos colaterais e depois com seis meses e 12 meses", detalhou Valéria.

Coletiva sobre o projeto Viana Vacinada. (Isaac Ribeiro)

SURGIMENTO DO PROJETO

O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, explicou que o projeto nasceu de uma iniciativa do governo do Estado e profissionais do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em uma articulação do Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (Icepi).  

"É uma solução importante dentro de um contexto de crise de escassez de vacinas, que requer coragem, inovação e segurança científica como o que apresentamos hoje. O Projeto Viana está aprovado pelo Comitê de Ética do Hucam-Ufes e Conep e esperamos resultados equivalentes ao estudo da Fase 3 da Astrazeneca, que apontou eficácia da meia dose da vacina", destacou.

O estudo coordenado por equipes de pesquisadores do Hucam e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) será executado por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a Fiocruz, Hucam-Ufes e a Sesa.

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