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Relações na empresa

Como identificar, combater e se proteger de assédio moral no trabalho

Em entrevista à CBN Vitória, a especialista Andréa Salsa diz que primeiro ponto, é entender que a conduta de não tem relação com intencionalidade ou não
Isabella Arruda

Publicado em 

09 mai 2022 às 14:47

Publicado em 09 de Maio de 2022 às 14:47

Reunião de trabalho
Como saber se uma relação de trabalho é saudável ou extrapola limites? Crédito: Pixabay
Algumas pessoas acreditam que a configuração do polêmico “assédio moral” depende da intenção de quem pratica ou de alguma interpretação do outro. Mas, segundo Andréa Salsa, comentarista do quadro Vida Profissional, da CBN Vitória, o crime é previsto de forma clara: “É uma conduta abusiva em decorrência de uma relação de trabalho que resulta vexame, humilhação ou constrangimento, de uma ou mais pessoas, com a finalidade de obter o engajamento subjetivo de todo o grupo às políticas e metas das empresas”.
Em entrevista ao jornalista Mário Bonella, a especialista explicou como identificar, combater e se proteger do assédio moral, seja na empresa onde a pessoa trabalha ou na carreira.
O primeiro ponto, segundo ela, é entender que a conduta de assédio não tem relação com intencionalidade ou não de quem pratica. Ou seja, não importa que o assediador alegue“ah, mas não era minha intenção”. “Se a pessoa se sente nessa condição e, para quem assiste às cenas, fica claro, isso é assédio moral. E, no fundo, o assediador sempre desconfia que está assediando”, disse.

SITUAÇÃO JÁ FOI NORMALIZADA

Segundo a comentarista, há poucos anos, ainda existia uma “cultura” do assédio no ambiente de trabalho, quando as pessoas enxergavam isso como um comportamento normal. “E muitos assediadores têm percebido historicamente que este não é mais o caminho ideal. Mas eles aprenderam a trabalhar numa lógica do assédio também, principalmente profissionais mais maduros, normalmente na faixa dos 40, 50 e 60 anos”, explicou.
"Eles quase que naturalizaram o aspecto de serem assediados e começaram a dar outros nomes para isso, para parecer outra coisa. E, hoje, muitas daquelas pessoas que aprenderam em uma cultura de assédio, chegaram a condições de liderança e querem continuar dando outros nomes ao que é, na realidade, puramente assédio"
Andréa Salsa - Comentarista do quadro Vida Profissional, da CBN Vitória

SINAIS CLAROS

Apesar de nem sempre ser tão fácil identificar um caso de assédio, há sinais que deixam a situação mais evidente. Confira exemplos:
  • Bater na mesa quando está insatisfeito: Andréa Salsa diz que este é um clássico exemplo. Além dele, há casos semelhantes, como do chefe que bate a porta de propósito, na intenção de intimidar;
  • Usar palavras de baixo calão para demonstrar poder;
  • Exposição pública de um erro cometido;
  • Adjetivos negativos, os famosos apelidinhos. “Devemos chamar as pessoas pelo nome”, sugeriu a especialista. 
  • Exigir que pessoas façam dancinhas para vender: muito comum hoje, com o crescimento das redes sociais, há chefes que exigem danças dos colaboradores. “Se a pessoa não concordou com isso previamente, pode caracterizar o assédio. Tem que ter cuidado com esses pedidos que não estão no contrato, em nome de um engajamento das pessoas. Se a pessoa concorda e foi combinado, tudo bem, mas, se não, se a pessoa é mais tímida e reservada, pode ser assédio”, acrescentou. 
  • Imitar sotaque também pode ser tido como algo pejorativo e depreciativo;
Para evitar situações desagradáveis, Andréa Salsa sugere observar se uma brincadeira ofende moralmente o outro. “Essa parte é subjetiva, varia de pessoa para pessoa, mas se ofende, não deve ser repetido”, explicou.

VÍTIMAS TÊM TOMADO CORAGEM PARA DENUNCIAR

Em entrevista à CBN Vitória, Andréa Salsa também trouxe o dado de que, no primeiro semestre do ano passado, as denúncias no Tribunal Superior do Trabalho chegaram à marca de 31 mil casos de assédio moral e/ou sexual, o que corresponde ao triplo dos casos registrados em 2019 e 2020.
Para a comentarista, não necessariamente houve um aumento no número de casos de assédio. Ela acredita que as pessoas estejam tomando coragem de denunciar. “E os assediadores, se não mudarem de postura pelo respeito às pessoas, que mudem por inteligência, já que as pessoas estão tolerando menos esse tipo de coisa. E hoje tudo se filma ou grava, fica mais fácil provar. Há aspectos de ordem objetiva e inquestionáveis que podem configurar essa situação”, afirmou.

É PRECISO IMPOR LIMITES

Será que há algo que a vítima possa fazer para evitar a repetição das situações vexatórias no emprego? Para Andréa Salsa, o segredo está em impor limites.
"Respeito a gente não conquista, a gente exige. É preciso dar limite e dizer que determinado comportamento não agrada. Se foi insuficiente, talvez seja preciso um diálogo. Se ainda assim não resolveu, é possível cogitar ajuda de uma liderança ou colega, que, se não funcionar, pode tornar preciso fazer uma denúncia na ouvidoria. E, infelizmente, como última alternativa, não dá para descartar sair do emprego. Ninguém deveria se sujeitar a isso para sustentar o trabalho. É sempre importante refletir essa possibilidade"
Andréa Salsa - Comentarista do quadro Vida Profissional, da CBN Vitória
Mesmo para os casos de assédio velado, Andréa Salsa sugeriu que o primeiro passo é a imposição de limites. Um deles, pode ser deixar de rir de coisas que não agradam. “Isso acaba sendo um belo sinal. Os mais sensíveis conseguem percebê-lo. Outra opção é se retirar caso se sinta ofendido”, finalizou.

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