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Saiba impactos para o ES das medidas adotadas pelos EUA na nova era Trump

Saiba impactos para o ES das medidas adotadas pelos EUA na nova era Trump

Especialistas apontam o que as ações propostas pelo novo presidente dos Estados Unidos podem causar para a economia capixaba

Publicado em 23 de janeiro de 2025 às 08:49

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O presidente eleito nos Estados Unidos, Donald Trump
Donald Trump anunciou medidas voltadas ao protecionismo do Estado norte-americano. (APRICK SCUTERI/AP)

A volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos foi marcada pelo anúncio de medidas voltadas ao protecionismo do Estado norte-americano. Entre as promessas feitas pelo republicano, estão a taxação de produtos importados na tentativa de fortalecer a economia interna. Mas quais impactos essas ações podem trazer para o Espírito Santo? A Gazeta ouviu especialistas para entender como as estratégias adotadas por Trump podem se refletir na economia capixaba.

Em suas primeiras declarações como presidente, durante a posse na última segunda-feira (20), Trump anunciou três medidas que sinalizam uma nova orientação: a retirada do tratado de mudanças climáticas firmado no Acordo de Paris, a declaração de "emergência energética nacional" para aumentar a produção de combustíveis fósseis, e a criação de um "Serviço de Receita Externa" para implementar tarifas sobre importações.  Ele declarou ainda apoio à indústria automobilística tradicional, na contramão do incentivo que vinha sendo dado à fabricação de carros elétricos.

Iniciativas como essas, que vão na contramão da integração com medidas de restrição ao livre comércio e investimentos estrangeiros, são conhecidas como "desglobalização", muitas vezes impulsionada por um discurso nacionalista e populista. Mas como ficam o Brasil e o Espírito Santo nesse novo cenário? 

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O Estado capixaba, por exemplo, teve quase 30% das suas exportações em 2024 destinadas aos Estados Unidos. E nas primeiras declarações como presidente, Trump afirmou que seu país "não precisa" do Brasil e da América Latina.

O cientista político Thomaz Tommasi avalia que a posse de Trump marca o fortalecimento da política protecionista, na tentativa de fortalecer a economia interna dos Estados Unidos em face das relações com outros países. Com o possível acirramento da guerra comercial entre o país norte-americano e a China, com sobretaxação de produtos oriundos da nação asiática, Tommasi avalia que o Brasil pode acabar se tornando um mercado mais atrativo.

Para o economista, consultor do Tesouro Estadual e mestre pela Universidade de Oxford no Reino Unido Eduardo Araújo, o discurso de posse de Donald Trump marca uma inflexão significativa na política internacional, especialmente pelo poder dos Estados Unidos em influenciar agendas globais.

Ele explica que a nova política comercial norte-americana, baseada em tarifas sobre importações, pode alterar significativamente os fluxos de comércio global. Quando um país grande como os EUA taxa produtos estrangeiros, isso aumenta os preços desses produtos em seu mercado interno, reduzindo suas importações.

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Para o Espírito Santo, grande exportador de minério de ferro e celulose, o efeito pode ser duplo: direto, caso os EUA dificultem a entrada de produtos brasileiros, e indireto, se a China – principal compradora das commodities capixabas e alvo preferencial das tarifas americanas – reduzir suas compras devido a uma desaceleração econômica

Eduardo Araújo
Economista
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No setor energético, o plano norte-americano de expandir a produção de petróleo deve afetar o mercado global por uma questão de oferta e demanda. Na avaliação de Araújo, com mais petróleo oriundo dos Estados Unidos disponível no mercado internacional, a tendência é de queda nos preços – assim como acontece com qualquer produto quando aumenta sua oferta.

"Para o Espírito Santo, que depende significativamente dos royalties do petróleo em seu orçamento, preços mais baixos significam menos recursos para investimentos públicos", afirma.

O economista acrescenta que a decisão americana de abandonar o Acordo de Paris representa um risco adicional para a economia capixaba. Quando a segunda maior economia do mundo – e maior emissor histórico de gases de efeito estufa – sinaliza que a agenda climática não é prioritária, isso afeta o comprometimento global com metas de descarbonização.

"No Espírito Santo, onde projetos como energia eólica offshore e programas de eficiência energética industrial estão em desenvolvimento, este recuo na liderança global pode desacelerar investimentos necessários para modernizar a economia local", observa Araújo. 

Já Flávia Raposo, líder do comitê de Economia do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças no Espírito Santo (Ibef-ES) e doutora em Administração e Ciências Contábeis, avalia que, no cenário capixaba, o dilema também apresenta oportunidades e ameaças.

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Se de um lado existe possibilidade de aumentar a exportação de commodities, o custo de produção delas tende a ser afetado, gerando incertezas sobre o real desempenho de produtos que são carro-chefe nas exportações estaduais, tais como: café, minério de ferro e celulose

Flávia Raposo
Líder do comitê de Economia do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças no Espírito Santo (Ibef-ES)
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Ela detalha, por exemplo, que um aumento sensível nas exportações desses produtos para a China impacta na estrutura portuária estadual e pressiona alterações de layout e modernização, às quais poderiam ser feitas a médio prazo se a demanda se mantivesse em uma curva normal.

Por fim, Flávia elenca que as questões cambiais são um fator que também deve ser levado em consideração. Com a moeda americana valorizada, há incentivos da indústria local para exportar sua produção, o que pode trazer escassez e pressionar preços internamente.

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