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Assalto com turistas reféns tem reviravolta e prisões na Serra; entenda

Assalto com turistas reféns tem reviravolta e prisões na Serra; entenda

Polícia Civil descobriu que cinco pessoas participaram do plano, uma delas a dona da casa onde as vítimas, de Minas Gerais, estavam hospedadas

Publicado em 25 de março de 2025 às 13:21

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Suspeitos participaram de crime que fez casais reféns na Serra
Da esquerda para a direita: David Lopes da Silva, Valclides Pessoa da Silva, Elisângela Muniz da Silva, Gabriel Ferreira Adão e Jhonatas Ferreira Adão. (Divulgação | Polícia Civil)

O assalto a uma casa em Parque Jacaraípe, na Serra, com turistas de Minas Gerais feitos reféns e um deles baleado, foi desvendado pela Polícia Civil. O crime aconteceu em julho do ano passado: à época, dois bandidos entraram na residência onde as vítimas estavam hospedadas, amarraram o grupo e até ameaçaram levar o bebê de seis meses deles. O objetivo dos criminosos era roubar dinheiro dos mineiros, via transferências por Pix. No fim das contas, eles só conseguiram sair levando um carro e um celular. A reviravolta do caso é que a dona da casa, que no dia chegou a dar entrevista para a TV Gazeta falando dos momentos de terror que havia passado com os hóspedes, era comparsa dos ladrões. Cinco pessoas, contando com ela, foram presas. 

Segundo a Polícia Civil, tudo começou quando dois casais, um deles com um bebê de seis meses, resolveu vir visitar o Espírito Santo e passar uns dias na praia. Uma dessas pessoas tinha um conhecido capixaba, Gabriel Ferreira Adão, e perguntou se Gabriel conhecia um local onde eles poderiam se hospedar. Foi aí que o suspeito viu uma oportunidade de conseguir dinheiro. 

Gabriel e o irmão dele, Jhonatas Ferreira Adão, arquitetaram um plano. Eles entraram em contato com Elisângela Muniz da Silva, que tinha uma casa em frente à praia na região de Jacaraípe, e combinaram com ela que os turistas ficariam lá, pagando uma diária de R$ 200. Para realizar de fato o roubo, os irmãos contataram David Lopes da Silva e Valclides Pessoa da Silva. 

Suspeitos participaram de crime que fez casais reféns na Serra
Esquema mostra o papel de cada investigado no crime ocorrido em julho do ano passado. (Divulgação | Polícia Civil)

O dia do crime

Depois que os turistas já estavam na casa, foi a hora de os bandidos agirem. Na madrugada do dia 9 de julho, Elisângela deixou o cadeado aberto para que os dois suspeitos pudessem entrar. "Ela também informou para o Gabriel quem dos turistas tinha a possibilidade de ter mais dinheiro e disse que, para pressionar as vítimas, os dois executores (Valclides e David) podiam pegar a criança de seis meses", detalhou o delegado Gabriel Monteiro, chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic). 

Valclides e David entraram na casa no momento em que os turistas estavam dormindo. "A vítima já acordou com os dois apontando uma arma na cabeça dela. Amarraram os dois casais, as mulheres em um quarto e os homens em outro. Efetuaram coronhadas nas vítimas exigindo a todo momento a transferência via Pix, porém não conseguiram realizar", disse Monteiro.

Com dificuldade para conseguir dinheiro, eles pegaram o bebê de seis meses, com a intenção de sequestrá-lo para pedir resgate. Neste momento, mesmo amarrado, o pai da criança reagiu e foi para cima do bandido, que disparou três vezes. Um dos tiros pegou na perna do homem. 

Assalto saiu do controle

Quando os disparos aconteceram, os bandidos viram que estavam perdendo o controle. No boletim de ocorrência registrado no dia, as vítimas chegaram a dizer que eles arremessaram o bebê no chão e saíram levando o carro dos turistas, além de celulares das vítimas. A bolsa com os aparelhos telefônicos rasgou, e eles fugiram levando só um. 

Outro turista (o que não foi baleado) ainda tentou ir atrás dos suspeitos e levou uma pedrada. Ele precisou receber atendimento no hospital. 

Carro quebrou

A dupla saiu do local com o carro das vítimas, mas o veículo quebrou a três ruas de distância da casa de Elisângela. Perto do local havia uma obra pública com um vigilante, que viu a movimentação e foi averiguar o que estava acontecendo, mas acabou ameaçado por Valclides.

Ameaça a vigilante

Uma câmera de segurança flagrou Valclides, com a arma, ameaçando e agredindo o vigilante (veja acima). Segundo a Polícia Civil, ele atirou uma vez, mas a arma mascou. Foi aí que o vigilante correu. O suspeito ainda atirou mais duas vezes, mas não acertou o trabalhador. 

Prisões

No início das investigações, Elisângela era tratada como vítima. No entanto, após inconsistências nas declarações dela, a Polícia Civil começou a perceber que ela poderia ter relação com o crime. Os cinco envolvidos acabaram presos e vão responder por tentativa de latrocínio e roubo circunstanciado. Valclides e David também serão indiciados por tentativa de homicídio contra o vigilante. 

Ficha criminal dos irmãos

Esse não foi o único crime que os irmãos Gabriel e Jhonatas participaram. Eles já eram velhos conhecidos da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra. Gabriel já apareceu em uma reportagem de A Gazeta como indiciado em um inquérito que apurou a morte do motorista de aplicativo Marlon Jordan Rufino Góis, de 28 anos, no carnaval do ano passado. 

Segundo as investigações, Gabriel disparou contra o peito da vítima e ainda deu coronhadas enquanto o motorista de aplicativo estava no chão. Ele também tentou atirar contra a namorada de Marlon, mas a arma falhou. "Ele é um indivíduo de alta periculosidade, gerente do tráfico de drogas do Ponto Final do bairro Feu Rosa, foi preso no dia 9 de julho em Novo Porto Canoa em virtude do mandando de prisão por homicídio de Marlon e estava na posse de uma pistola", destacou o delegado Rodrigo Sandi, titular da DHPP da Serra. 

Já o irmão dele, Jhonatas, tem passagens por homicídio, tentativa de homicídio e tráfico de drogas. "Ele figurava na lista dos 10 mais procurados da região do Vale do Aço, em Minas Gerais. Ele foi preso no dia 9 de setembro no bairro Novo Porto Canoa. A prisão dos dois é de suma importância, pois impediu que outros homicídios ocorressem no município da Serra", afirmou Sandi Mori. 

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