A casa já estava sendo arrumada para o almoço em família, quando o telefone tocou com pessoas querendo saber o que tinha acontecido com Emerson Arruda Vieira, de 27 anos entregador que desapareceu há dez dias, depois de sair para levar um remédio no Condomínio Ourimar, no bairro de mesmo nome, na Serra.
Quem atendeu aos telefonemas foi a esposa dele, que não terá o nome revelado por questões de segurança. "Eu não estava sabendo de nada. Simplesmente entrei em desespero. Do jeito que me falaram, eu achei que ele tinha morrido", contou. Nesta quinta-feira (19), ela segue com mais dúvidas do que certezas.
Depois de informações iniciais desencontradas, até de que o marido teria levado um tiro, ela conversou com conhecidos que moram no local e que disseram que ele teria sido agredido e levado dentro do porta-malas de um carro. Essa informação não é confirmada pela Polícia Civil, que trata o caso como desaparecimento.
Ainda de acordo com a mulher, a maquininha de cartão e o capacete que o marido usava para trabalhar naquele dia foram encontrados em uma mata que fica atrás do Condomínio Ourimar. Já a moto teria sido encontrada na terça-feira (10), na Rodovia Audifax Barcelos, que corta o município.
Juntos há sete anos, ela garante que o companheiro não tinha qualquer problema de relacionamento, nem envolvimento com crimes. "Ele tem amigos de infância que têm rixas com pessoas do Ourimar. Ia pescar com eles, considerava irmãos, mas não era envolvido com nada. Só era amigo", esclareceu.
O Condomínio Ourimar já foi alvo de inúmeras operações policiais e os próprios moradores já sofreram com ameaças de traficantes de drogas que atuavam dentro do local. Anteriormente, o Emerson já tinha feito entregas por lá. "Ele comentava que o clima era estranho, mas nunca tinha acontecido nada", disse.
Muito abalada, a mulher não teve condições de procurar as autoridades de segurança no próprio dia 9 de novembro. Quem registrou o caso junto à polícia foi o cunhado do entregador e o dono da farmácia, que fica em Feu Rosa, onde ele trabalhava há apenas duas semanas o primeiro emprego formal em meses.
"Ele falava para as pessoas mais chegadas dele que estava muito feliz, porque tinha arranjado um serviço com carteira assinada e poderia cuidar da família direito. Nessa crise que estamos passando, ele disse que era algo muito bom, que só tinha que agradecer", lembrou a esposa dele.
Depois de fazer entregas pelas ruas da Serra, Emerson tinha o costume de voltar para a casa e brincar com o filho, que tem apenas três anos de idade. Há dez dias sem ter essa companhia, o pequeno manda áudios para o pai e pergunta por ele toda noite, deixando, sem querer, a mãe em uma situação difícil e dolorosa.
Na casa onde sempre viveram juntos, no bairro Vila Nova de Colares, também na Serra, ela ainda tenta ter esperanças de que o companheiro reapareça, que o filho receba os áudios tradicionais enviados pelo pai nas brechas do trabalho à tarde e que a vida volte ao normal. "Eu só queria que ele aparecesse", desabafou.
Sem informar qualquer detalhe, que "neste momento, seria precoce e poderia comprometer as investigações", a Polícia Civil informou que as diligências da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas estão em andamento, mas que, até esta quinta-feira (19), Emerson não havia sido localizado.
Quem tiver qualquer informação a respeito do que aconteceu com ele, pode registrá-la de forma sigilosa por meio do site ou do número do Disque-Denúncia (181). "Também é possível passar informações diretamente à equipe de investigação pelo telefone (27) 3137-9065 ou indo pessoalmente à unidade", diz a nota.
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