O Tribunal do Júri condenou Mateus Pereira Marques a 28 anos e 6 meses de prisão em regime fechado pelo ataque a tiros contra uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu/192) e pelo assassinato de Dean Carlos Costa Gonçalves, em abril de 2023. A vítima havia sido baleada enquanto pilotava uma moto e foi socorrida inicialmente para um hospital de São Gabriel da Palha, no Noroeste do Espírito Santo. Durante a transferência para uma unidade em Colatina, quando passava na altura do Córrego Sabiá II, em São Domingos do Norte, a ambulância foi interceptada por uma moto, momento em que o homicídio foi consumado.
O réu foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado (por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima) e três tentativas de homicídio qualificadas (por motivo fútil).
O júri que ocorreu nesta segunda-feira (31), em São Gabriel da Palha, durou todo o dia. Dean foi atingido por um disparo nas costas enquanto pilotava sua moto, com a bala alojada no abdômen. Socorrido, foi levado para o Hospital São Gabriel, no município. Ainda consciente na unidade hospitalar, Dean informou à polícia que não sabia identificar os suspeitos - que chegaram em outra moto -, mas mencionou suspeitar de duas pessoas.
Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar, o hospital solicitou apoio policial após identificar a circulação de pessoas consideradas suspeitas no local. Contudo, não foi solicitada escolta da PM para a ambulância do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu/192) durante o transporte para Colatina – transferência necessária devido ao estado grave da vítima.
No trajeto, na altura do Córrego Sabiá II, em São Domingos do Norte, a equipe de socorro foi surpreendida por dois criminosos em uma moto. A dupla perseguiu a ambulância e efetuou diversos disparos contra o veículo, que ficou com marcas dos tiros. A fuga só terminou quando um pneu foi atingido, obrigando a equipe - composta por motorista, socorristas e a vítima - a abandonar o veículo e se refugiar em uma área de mata.
Ao chegar ao local, os policiais encontraram a ambulância vazia. Após buscas, localizaram o motorista e um socorrista do Samu/192 que haviam fugido com Dean para o matagal. Os criminosos interceptaram o médico e o questionaram sobre o paradeiro da vítima, mas o profissional afirmou não saber. Dean foi encontrado sem vida na vegetação às margens da rodovia.
Segundo o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), o crime teve como motivação uma disputa pelo tráfico de drogas. Conforme as investigações, foi Mateus quem efetuou os primeiros disparos contra a vítima e, posteriormente, movido por sua "sede de matar", perseguiu a ambulância - colocando em risco não apenas a vida da vítima, mas também dos socorristas e de outros usuários da rodovia.
O MPES destacou que os três socorristas que estavam na ambulância do Samu escaparam ilesos dos tiros por circunstâncias alheias à intenção do atirador, já que ele disparou aleatoriamente na tentativa de obrigar a ambulância a parar.
A reportagem tenta localizar a defesa do condenado, e o espaço segue aberto para posicionamento.
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