Um vídeo obtido com exclusividade pelo repórter Enzo Teixeira, da TV Gazeta Noroeste, mostra o exato momento em que o jovem Danilo Lipaus Matos, de 20 anos, foi morto em uma abordagem da Polícia Militar em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo.
O caso, que completa 60 dias nesta desta terça-feira (1), teve forte repercussão no Estado. As imagens inéditas mostram o momento em que o carro dirigido pelo rapaz é encurralado na rua por viaturas e, em seguida, é cercado por PMs com armas em punho, que já chegam atirando.
O boletim registrado pelos próprios policiais à época menciona 44 tiros no momento da abordagem, dos quais cinco atingiram o peito de Danilo, segundo a análise do médico legista da Polícia Científica. Outros cinco disparos foram feitos durante a perseguição ao carro do jovem, totalizando 49 disparos.
Nesta segunda-feira (31), o delegado Tarik Halabi Souki, que está à frente do caso, disse para A Gazeta que a investigação está na fase de interrogatório dos policiais militares envolvidos. Segundo ele, “restam ainda alguns para serem interrogados, bem como o encaminhamento de alguns laudos periciais".
De acordo com documentos da investigação obtidos pela TV Gazeta, aos quais A Gazeta também teve acesso, o sargento Renan Pessimílio efetuou 15 disparos, mesma quantidade realizada pelo soldado Eduardo Nardi Ferrari.
O cabo Rodrigo de Jesus Oliveira atirou 12 vezes, o cabo Roberth Willian Meirelles disparou uma vez, e o soldado Ramon Lucas Rodrigues Souza efetuou dois disparos. O cabo Bill Guidoni Ferrari atirou quatro vezes, totalizando 49 tiros, sendo cinco durante a perseguição e 44 no momento da abordagem ao jovem Danilo.
Em entrevista ao Bom Dia ES, da TV Gazeta, no dia 3 fevereiro, o secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Leonardo Damasceno, disse que o Estado precisava dar uma resposta rápida para a população.
“Não se atira em pessoa em fuga, nem em veículo em fuga, salvo se o veículo ou a pessoa estiver colocando em risco a vida dos policiais, ou de terceiros. Então isso precisa ser apurado. Realmente essa ocorrência chamou atenção, porque o Danilo não estava armado, estava sozinho dentro do veículo, o veículo já tinha parado, e nós tivemos essa quantidade de disparos que aconteceu”, disse Damasceno.
A Polícia Militar foi procurada pela reportagem, e declarou que "o Inquérito Policial Militar (IPM) que investiga o ocorrido está perto de ser concluído". Acrescentou que "a Corregedoria aguarda a conclusão de provas periciais para a finalização do IPM", e que "os militares continuam afastados do serviço operacional".
Nesta terça-feira (1º), um dia após a publicação da reportagem, a Associação das Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Espírito Santo (Aspra-ES), que acompanha o caso de perto e que trabalha na defesa dos militares investigados. A associação diz acreditar que o inquérito, "assim que finalizado, demonstrará a legalidade da ação dos policiais militares".
A reportagem também tenta contato com os militares envolvidos.
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