Contato com a natureza, abundância de vegetação e presença de elementos naturais. Morar em locais que proporcionem esses elementos significa um aumento e tanto na qualidade de vida, e cada vez mais os brasileiros se conscientizam disso, visto que, de acordo com a Pesquisa Tendências de Moradia 2024 feita pelo DataZap, 43% dos entrevistados priorizam, na hora de escolher a localização do novo imóvel, a proximidade com praças, parques e áreas verdes.
Esse interesse, que não ocorre ao acaso, já que estar em contato com esses ambientes é um convite ao descanso, atividades físicas e passeios, também teve outra forte motivação: a pandemia do Covid-19. Para a arquiteta Isabella Behrend, o isolamento social fez com que as pessoas percebessem a influência do ambiente no dia a dia, o que somou-se a uma crescente preocupação em relação à sustentabilidade e ao bem-estar físico e emocional.
Porém, a expansão dos grandes centros urbanos e a formação de bairros cada vez mais populosos tornou os espaços verdes cada vez mais escassos. Assim, surgiu o "luxo verde", tendência das construtoras de alto padrão, que acabam por incorporar em seus imóveis projetos de paisagismo diferenciados que trazem a natureza para dentro dos empreendimentos.
"A natureza está diretamente relacionada à qualidade de vida do ser humano, e essa conexão traz benefícios, como a diminuição da ansiedade e do estresse. O dia a dia da maioria das pessoas está cada vez mais acelerado, e espaços que proporcionem um 'respiro' na rotina fazem toda a diferença, como a experiência em ambientes com aberturas, que trazem para dentro a iluminação e a ventilação natural. Hoje, há uma grande procura por moradias em locais com áreas abertas, como quintais, ou empreendimentos com espaços que proporcionassem esse contato com o externo, tanto por meio da área de lazer, quanto por ambientes com plantas integradas e amplas ou com vista para paisagens naturais", conta a profissional.
De acordo com a diretora da Associação Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), Rachel Menezes, a tendência está mesmo em alta, sendo aplicada em empreendimentos residenciais verticalizados e até nos comerciais.
"Casas são a primeira opção para quem está na procura pelo luxo verde, mas considerando sua baixa oferta, os empreendimentos verticais com esse conceito de biofilia têm ganhado a preferência na escolha dos compradores. Essa demanda pode ser observada até em empreendimentos comerciais, como nos restaurantes, que têm investido cada vez mais em ambientes elaborados com plantas e paredes verdes, e nos prédios de escritórios com área externa, que proporciona maior integração e descontração" afirma.
Menezes também conta que cidades como Santiago, Singapura e Londres já têm, há algum tempo, prédios com o verde em destaque nas suas fachadas, mas que no Brasil o movimento é recente e, mesmo que esteja se consolidando, ainda não é preciso pontuá-lo como fator que mais agrega valor a um investimento.
"No Espírito Santo, imóveis com esse perfil acabam ganhando posição melhor na busca do consumidor, mas é claro que outros fatores como localização e planta são sempre considerados. Como o movimento é recente, o valor agregado se confunde um pouco com o fato de ser um imóvel novo, que por sua vez já é mais valorizado. Mas acredito que isso vá se consolidar com o passar dos anos", ressalta.
Um empreendimento que aposta nessa valorização é o Alphaville Jacuhy, da Grupo Alphaville, bairro residencial na Serra da urbanizadora especializada em núcleos urbanos que construiu sua marca na preservação ambiental e na melhor convivência dos seus moradores com as áreas verdes.
Para Patrícia Dias Hulle, diretora de Negócios da Alphaville, a empresa já nasceu com o conceito de luxo verde e tem um pensamento de valorização a longo prazo, visto que, como as cidades crescem e se tornam cada vez mais “cinzas”, a ampliação do “verde” tende a valorizar ainda mais o empreendimento.
"Os projetos são concebidos sempre com bolsões verdes agregados às unidades residenciais. Nitidamente, um projeto Alphaville depois de 15 ou 20 anos é mais valorizado por seus espaços verdes consolidados junto às residências", conta.
Entretanto, vale pontuar que a valorização depende totalmente da manutenção desses espaços. Plantas e áreas verdes em geral são elementos vivos que demandam cuidados específicos, e decorações naturais feitas com pedras e madeiras podem sofrer impactos pela ação do tempo. Assim, manter os espaços verdes é essencial para garantir não só a valorização contínua do empreendimento como também o bem-estar e beleza que ele proporciona.
Se o desejo por maior contato com a natureza tem sido uma crescente, as construtoras estão cada vez mais atentas e incorporando em seus projetos paisagismo diferenciado e lazer integrado a elementos naturais.
Para atender a esta demanda, a aposta das incorporadoras de imóveis tem sido desenvolver projetos que remetem à proximidade com a natureza, apostando em elementos naturais, áreas verdes e arquitetura biofílica, além de investir em conforto, exclusividade e privacidade para garantir a sensação de refúgio e sossego, mesmo em meio ou próximo ao agito das grandes cidades.
No Espírito Santo, alguns empreendimentos lançados recentemente exploram este conceito, proporcionando um ambiente que traz aos moradores a sensação de proximidade e reconexão com a natureza.
A Mivita é uma das incorporadoras que apostou nesta característica nos seus últimos lançamentos, o Lago By Mivita e o Serena By Mivita, ambos em Jardim Camburi. “São empreendimentos pensados justamente para atender aos moradores que procuram essa sensação de estar próximo à natureza, ao mesmo tempo que podem desfrutar da segurança, praticidade e comodidade que um condomínio vertical oferece”, afirma Giulia Vescovi, arquiteta da Mivita.
Ela destaca também que o cuidado com a sustentabilidade também deve estar atrelado à tendência do luxo verde para que ela não esvazie seu significado. “É importante destacar que a arquitetura, ao explorar materiais naturais, como granitos, se torna mais sustentável, pois esse material oferece mais durabilidade quando comparado ao porcelanato e emite menos gás carbônico em sua fabricação. Além disso, nossos projetos contam com placas fotovoltaicas para geração de energia para as áreas comuns, sistema de reaproveitamento de água da chuva e ar-condicionado e coleta seletiva de lixo", diz.
Outra construtora que se destaca no quesito de agregar a natureza aos seus projetos é a Grand, que está construindo quatro empreendimentos que a empresa classifica como oásis urbanos: Taj Home Resort, em Vila Velha; Salt, em Guarapari; Una Residence, em Vitória e Grand Soleil, em Colatina. O diretor presidente da Grand, Rodrigo Barbosa, afirma que a empresa começou a aplicar a tendência já em seu primeiro projeto, há sete anos, e que, hoje, faz questão de que todos possuam paisagismo e arquitetura unidos.
"A Grand Construtora se consolidou no mercado imobiliário como a marca que constrói oásis urbanos e a biofilia está no nosso DNA. Um oásis é mais do que um jardim e proporciona espaços para contemplação, relaxamento e diversão em meio à natureza. O maior valor que isso agrega é poder garantir a nossos clientes a oportunidade de desfrutar a vida com tranquilidade e prazer ao lado de suas famílias", complementa Barbosa.
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