Segundo a Caixa Econômica Federal, a liberação de dinheiro retido no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) por causa do saque-aniversário não irá atrapalhar o fluxo de recursos para o setor imobiliário.
O governo vai autorizar, a partir de 6 de março, o saque dos valores por trabalhadores que tenham sido demitidos e não conseguiram fazer a retirada por causa da regra do saque-aniversário (na modalidade, o profissional pode sacar parte do saldo no fundo, mas fica impedido de retirar o valor integral em caso de demissão).
Parte do setor de construção mostrou preocupação com a medida, mas, para a Caixa, não haverá impacto. "Contabilmente, no conselho de curador do FGTS, já é tomada a decisão de que esses recursos não são destinados à utilização para a casa própria", disse Carlos Vieira, presidente do banco estatal, nesta quarta-feira (26), ao comentar o balanço da instituição de 2024.
Segundo a Caixa, os valores utilizados no pagamento aos trabalhadores das hipóteses de saque previstas em lei fazem parte do saldo de contas vinculadas e não se confundem, ou comprometem, com o orçamento de aplicação do FGTS.
Os recursos do FGTS são utilizados para o financiamento de obras de infraestrutura, como habitação, e também podem ser sacados pelo trabalhador para a compra da casa própria.
Com da poupança e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que responde pela maior parte dos financiamentos, a Caixa acumulou, em 2024, R$ 20 bilhões em contratos de empréstimos imobiliários que foram pré-aprovados, mas ficaram na fila para liberação dos recursos.
"A expectativa é que o [funding via SBPE] não desacelere e que continuemos a buscar alternativas para diversificar esse financiamento", afirma Marcos Brasiliano, vice-presidente de finanças da Caixa.
Em 2023, a Caixa teve uma queda nos depósitos da poupança, que voltou a crescer em 2024. Além disso, o banco tem captado recursos por meio da LCI (Letra de Crédito Imobiliário), um título de renda fixa isento de Imposto de Renda.
"Captação de LCI projetada para o ano foi já quase que atingida inteiramente. Há muito apetite por esse papel no mercado. Foram mais de R$ 10 bilhões em dois meses", disse Brasiliano.
O banco, porém, não deu as suas projeções financeiras para este ano. A divulgação dos números esperados está prevista para acontecer depois do Carnaval.
Em 2024, a carteira de crédito imobiliário da Caixa cresceu 20,6%, para R$ 223,6 bilhões. O banco corresponde, sozinho, por 67,2% deste mercado.
Outra alternativa para a poupança está sendo estudada pela Caixa em parceria com o Ministério da Fazenda e com o Banco Central. Seria um novo título de renda fixa com isenção de Imposto de Renda. O grupo de trabalho, no entanto, está em estágio inicial.
O banco também não projeta um novo aumento da taxa de juros no financiamento imobiliário neste ano. Em janeiro, as taxas fora do Minha Casa, Minha Vida subiram de 8,99% para 10,99% ao ano. Já as taxas em linhas ajustadas pela TR (taxa referencial) podem chegar a 12%, com prazo de financiamento máximo de 420 meses.
"Mantidas as projeções de curva futura de juros, o planejamento de 2025 está fechado com a taxa [de financiamento imobiliário] divulgada. Não vejo, neste momento, necessidade de realinhamento de taxa. Só aumentaríamos se fôssemos ampliar a concessão de crédito", afirmou Brasiliano.
Ao contrário dos demais bancos, a Caixa Econômica Federal não pretende desacelerar a concessão de crédito este ano em meio à piora no cenário macroeconômico. Segundo Vieira, o cenário será de manutenção no atual ritmo de concessão de crédito do banco. Em 2023, a carteira de crédito total do banco teve uma alta de 10,4%, indo a R$ 1,236 trilhão.
"A Caixa não vai desacelerar, mas também não vai botar o pé no acelerador de forma intensa. Nós temos uma expectativa evidente da manutenção da qualidade da carteira", afirmou o CEO da instituição.
Demais instituições, no entanto, planejam um crescimento menor em 2025 dada a alta da inflação e a desaceleração econômica, o que tende a aumentar a inadimplência.
Por ter uma carteira de crédito voltada aos contratos imobiliários, a Caixa tem uma baixa taxa de inadimplência. Em dezembro, apenas 1,97% dos financiamentos e empréstimos estava em atraso há mais de 90 dias. Apenas no crédito imobiliário, a inadimplência está 1,19%.
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