São muitas as tendências que surgem todos os dias no mundo da moda, acompanhadas de propagandas, desfiles e conteúdos de influenciadores. Eles fazem um convite quase irrecusável para compra, não somente de roupas, sapatos e acessórios, mas também de um estilo de vida. É aí que entra o upcycling, surgindo como uma opção mais sustentável para esse cenário.
Mas, afinal, o que é esse método? O upcycling é uma técnica que se baseia em reaproveitar produtos, resíduos e matérias que já existem, que seriam jogados no lixo, dando uma nova versão ou finalidade. Por meio dele, é possível reduzir o descarte têxtil causado pela indústria da moda.
No Espírito Santo, novas marcas de moda que trazem o conceito de upcycling como base estão surgindo, muito pelo movimento de procura por essa tendência trazido pela Geração Z — aqueles nascidos entre 1995 e 2010 — nas redes sociais.
As ofertas rápidas e contínuas tornam a indústria da moda uma das maiores poluentes do meio ambiente. Segundo um levantamento feito pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em 2022, retalhos do mercado da moda e peças de couro juntos correspondem a 4 milhões de toneladas de resíduos têxteis descartados por ano no Brasil.
Esse fato fez com que os profissionais da moda questionassem a sua própria forma de produção, incluindo uma visão de futuro que se preocupa com as mudanças climáticas causadas devido à poluição.
No Estado, uma das marcas que têm o upcycling na base de suas criações é a Mira. A cofundadora da empresa Gabriela Vasconcelos acredita que essa tendência entre a geração Z se deve por ela se preocupar mais com as questões de sustentabilidade na moda, por serem peças mais acessíveis e que contam uma história. Além disso, acredita que a técnica permite uma variedade de estilos, por cada peça ser única.
“A geração Z está muito mais preocupada com a sustentabilidade. Elas entendem os processos de upcycling e valorizam o trabalho. Esse mercado tende a crescer cada vez mais, por ele permitir essa variedade de estilos muito diferentes um do outro”, pontua Gabriela Vasconcelos.
Outra marca capixaba que tem o conceito no DNA é a Cria Upcycling, que carrega a técnica até no seu nome. Joelma Silva, fundadora da loja, contou que a batizou dessa forma pelos sentidos da palavra “cria”, podendo ser interpretada tanto como uma pessoa de periferia quanto alguém que produz algo.
O processo de criação da Cria Upcycling começa a partir de garimpos feitos em brechós. Depois é aplicada a técnica de customização nas peças e então elas são vendidas. A fundadora da marca conta que a maioria das pessoas que consome a sua marca são da geração Z, muito pela busca de ter peças sustentáveis e com um design exclusivo.
“Eu trabalhava em loja de departamento, via a necessidade das pessoas de achar algo diferente, pois você chega nessas lojas e encontra muitas coisas iguais. O Cria vem no sentido de trazer algo sustentável, onde as pessoas vão poder encontrar peças exclusivas que são muito diferentes”, contextualiza Joelma Silva.
Valeska Nakad, coordenadora do curso de pós-graduação de moda e sustentabilidade no Centro Universitário Belas Artes, de São Paulo, explica que a geração conhecida como "nativa social" está não só pressionando a indústria da moda como consumidora, mas também entrando para o mercado de trabalho com ideias e atitudes mais sustentáveis.
Os zoomers estão cada vez mais engajados em comprar peças que são ambientalmente sustentáveis. Um estudo publicado pelo Deloitte apontou que cerca de 64% das pessoas da geração Z prezam por consumir mais produtos e serviços que sejam sustentáveis.
A artista multidisciplinar Karol Oliveira, de 24 anos, usa peças de upcycling há oito anos e disse que adotou a sustentabilidade na moda como a sua filosofia de vida. Além disso, ela preza pela exclusividade, já que cada peça produzida é única, pois permite que criadores usem e abusem da criatividade nas produções.
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