> >
Upcycling na moda: marcas do ES transformam resíduos em estilo sustentável

Upcycling na moda: marcas do ES transformam resíduos em estilo sustentável

Como uma forma de evitar o grande descarte de materiais da indústria da moda e aproveitando a demanda da geração Z por produtos sustentáveis, setor está aderindo ao upcycling e, como consequência, contribuindo com o meio ambiente

Publicado em 29 de março de 2025 às 08:08

Ícone - Tempo de Leitura 3min de leitura

São muitas as tendências que surgem todos os dias no mundo da moda, acompanhadas de propagandas, desfiles e conteúdos de influenciadores. Eles fazem um convite quase irrecusável para compra, não somente de roupas, sapatos e acessórios, mas também de um estilo de vida. É aí que entra o upcycling, surgindo como uma opção mais sustentável para esse cenário.

Mas, afinal, o que é esse método? O upcycling é uma técnica que se baseia em reaproveitar produtos, resíduos e matérias que já existem, que seriam jogados no lixo, dando uma nova versão ou finalidade. Por meio dele, é possível reduzir o descarte têxtil causado pela indústria da moda.

No Espírito Santo, novas marcas de moda que trazem o conceito de upcycling como base estão surgindo, muito pelo movimento de procura por essa tendência trazido pela Geração Z — aqueles nascidos entre 1995 e 2010 — nas redes sociais.

As ofertas rápidas e contínuas tornam a indústria da moda uma das maiores poluentes do meio ambiente. Segundo um levantamento feito pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em 2022, retalhos do mercado da moda e peças de couro juntos correspondem a 4 milhões de toneladas de resíduos têxteis descartados por ano no Brasil.

Coleção lançada pela Mira feita a partir de peças em jeans reutilizadas. (Lucas H. Santos)

Esse fato fez com que os profissionais da moda questionassem a sua própria forma de produção, incluindo uma visão de futuro que se preocupa com as mudanças climáticas causadas devido à poluição.

No Estado, uma das marcas que têm o upcycling na base de suas criações é a Mira. A cofundadora da empresa Gabriela Vasconcelos acredita que essa tendência entre a geração Z se deve por ela se preocupar mais com as questões de sustentabilidade na moda, por serem peças mais acessíveis e que contam uma história. Além disso, acredita que a técnica permite uma variedade de estilos, por cada peça ser única.

“A geração Z está muito mais preocupada com a sustentabilidade. Elas entendem os processos de upcycling e valorizam o trabalho. Esse mercado tende a crescer cada vez mais, por ele permitir essa variedade de estilos muito diferentes um do outro”, pontua  Gabriela Vasconcelos.

Outra marca capixaba que tem o conceito no DNA é a Cria Upcycling, que carrega a técnica até no seu nome. Joelma Silva, fundadora da loja, contou que a batizou dessa forma pelos sentidos da palavra “cria”, podendo ser interpretada tanto como uma pessoa de periferia quanto alguém que produz algo.

Look idealizado pela marca Cria Upcycling produzido por meio de retalho de tecidos reutilizados. (Jojo Joane Ribeiro)

O processo de criação da Cria Upcycling começa a partir de garimpos feitos em brechós. Depois é aplicada a técnica de customização nas peças e então elas são vendidas. A fundadora da marca conta que a maioria das pessoas que consome a sua marca são da geração Z, muito pela busca de ter peças sustentáveis e com um design exclusivo.

“Eu trabalhava em loja de departamento, via a necessidade das pessoas de achar algo diferente, pois você chega nessas lojas  e encontra muitas coisas iguais. O Cria vem no sentido de trazer algo sustentável, onde as pessoas vão poder encontrar peças exclusivas que são muito diferentes”, contextualiza Joelma Silva.

Mercado antenado

Valeska Nakad, coordenadora do curso de pós-graduação de moda e sustentabilidade no Centro Universitário Belas Artes, de São Paulo, explica que a geração conhecida como "nativa social" está não só pressionando a indústria da moda como consumidora, mas também entrando para o mercado de trabalho com ideias e atitudes mais sustentáveis.

Aspas de citação

A geração Z tem essa consciência ambiental, então, ela está 'apertando' a indústria, que começa a despertar para os erros que está cometendo, repensando a forma de fazer a moda junto a esses jovens consumidores. Eles também começam a entrar no mercado de trabalho e a ter 'a caneta na mão', agindo diferente das outras gerações

Valeska Nakad
Coordenadora do curso de pós-graduação de moda e sustentabilidade no Centro Universitário Belas Artes
Aspas de citação

Os zoomers estão cada vez mais engajados em comprar peças que são ambientalmente sustentáveis. Um estudo publicado pelo Deloitte apontou que cerca de 64% das pessoas da geração Z prezam por consumir mais produtos e serviços que sejam sustentáveis.

A artista multidisciplinar Karol Oliveira, de 24 anos, usa peças de upcycling há oito anos e disse que adotou a sustentabilidade na moda como a sua filosofia de vida. Além disso, ela preza pela exclusividade, já que cada peça produzida é única, pois permite que criadores usem e abusem da criatividade nas produções.

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

Tags:

A Gazeta integra o

The Trust Project
Saiba mais